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Quinta-feira, Agosto 27, 2009

Brasil é o Campeão de Mortes por AH1N1

Até agora! Mas como? Alguém pode me explicar? Como um dos últimos países da América do Sul a ser infectado pelo novo vírus da gripe, a famosa "Gripe Suína", se tornou o campeão mundial em fatalidades? Os dados são bem simples de serem analisados. O Brasil recentemente declarou-se infectado pelo vírus, logo após a Argentina, depois que uma pessoa em Osasco adquiriu a doença sem ter entrado em contato com ninguém que tinha saído do país. O que indicava o alastramento natural e, apartir de então, descontrolado da doença. Isso ocorreu no fim de Julho, inicio de Agosto. Em menos de um mês - vamos ressaltar esse dado importante - MENOS DE UM MÊS o Brasil se tornou o campeão de mortes. Segundo dados de hoje registrando 577 mortes pela doença. Porque o Brasil possui a maior taxa de mortes sendo um dos últimos grandes países a serem infectados por esse tipo de Influenza A???

Acho que está mais do que claro que nosso sistema de Saúde está GRIPADO. Não damos conta do recado no que tange a saúde. Eu sempre ouvi que o nosso sistema de saúde estava falido e precisando de ajuda, mas agora pude ver o quão ineficiente ele se encontra.

Se formos avaliar a situação de outros países da América do Sul como o da Argentina, por exemplo, pode parecer que estamos bem. Em comparação com o numero de habitantes a Argentina (439 mortes) teve uma taxa maior, registrada em 1,08%. O Brasil está com 0,29% abaixo do Chile e da Costa Rica. Mas se medir por baixo não é um lugar seguro. O México, onde tudo começou só possui 179 mortes em seus registros. E a população americana é bem maior do que a nossa. E o argumento final repousa no fato de estarmos falando de uma PANDEMIA. Uma epidêmia em termos globais. Ser o país com maior número de mortes em todo o globo terrestre não possui justificativa.

Nisso tudo notei uma coisa. Notei que eu não estava interessado pela saúde do país até que a situação galopou até mim. Eu sempre ouvi falar sobre o problema da saúde no Brasil, mas ele nunca me afetou. Nunca me preocupei realmente com ele. E não estou preocupado com essa gripe (tenho bons anticorpos). No entanto, notei o quanto estamos a mercê de pessoas, que pensando como eu, por terem seus próprios recursos, abandonaram a saúde nesse estado "Campeão", de mortes. Políticos preocupados apenas com seus bolsos. Mas a morte e a doença, não escolhem classes sociais. Talvez agora eles resolvam olhar para aqueles aquem eles tem esquecido. E talvez agora os esquecidos prestem atenção em quem esta realmente interessado em resolver o problema. É um ciclo triste.

Enquanto as pessoas morrem, espero que você que lê este comentário, não se limite a suas próprias e egoístas perspectivas. Espero que quebre com esse ciclo de egocentrismo e se envolva com os problemas dos outros. Porque os líderes que temos, são aqueles que merecemos. Se não nos envolvemos como cidadãos e servidores dos outros. Não haverá quem chege ao poder com essa visão de cidadão e servidor.

Provérbios 29:7 "Informa-se o justo da causa dos pobres, mas o perverso de nada disso quer saber".

PS:É interessante como toda essa situação expõe nossos erros como seres humanos. Individuos bons de discurso, mas péssimos altruístas. Quem não crê em Jesus pode sinceramente achar que Ele nunca vai voltar aqui, mas não dá pra negar que Ele sabia o que ia acontecer conosco. Sabia no que nos tornaríamos e o que fariamos com nossa sociedade. E até as consequências naturais disso. Porque então, não acreditar na parte em que Ele diz: Vou voltar? Não estou dizendo que a Gripe Suina é o derradeiro sinal da Volta de Jesus ou do fim do mundo (como a placa da foto insinua), mas estou dizendo que a condição moral humana é essa evidência.


Terça-feira, Junho 23, 2009

Até uma criança percebe!


Este vídeo é parte do discurso feito por Severn Suzuki na ECO92 no Rio de Janeiro. Um encontro mundial sobre o meio-ambiente. Eu tive o privilégio de visitar a ECO92. Mas tinha apenas 10 anos de idade e não fazia a mínima idéia da gravidade do problema (assim como o resto do mundo que só foi acordar para a questão mais de 10 anos depois). Para mim foi apenas um passeio legal com os amigos da escola, mas algo importante acontecia ali, e o ápice desse evento foi sem sombra de dúvidas, o momento em que uma criança de 12 anos de idade, cala as autoridades internacionais com um discurso simples e impactante.

Mas não é sobre meio-ambiente que quero tratar agora, é sobre nós seres humanos. Os causadores do impacto sobre o planeta. OS destruidores da Terra. Separei está parte do discurso (Você pode assistir ao discurso completo aqui: http://www.youtube.com/watch?v=PAHNVz95I5A) para analisarmos a realidade nele expressa.

A menina de 12 anos percebeu, que os adultos ensinam as crianças exatamente aquilo que eles não fazem quando adultos. Mas isso não é tão simples assim de se notar, porque a verdade é que nenhum adulto PARECE “desrespeitar os outros”, quanto mais educados (como políticos internacionais) sempre fazem PARECER que “resolvem as coisas bem”, PARECEM “não maltratar outras criaturas”. Mas basta um olhar mais cuidadoso e a verdade se mostra o exato oposto. Fazem guerras (não acho que isso seja resolver algo bem, ou evitar uma briga), poderosos desrespeitam os outros sem cerimônia, e maltratamos criaturas com a desculpa de nos vestirmos com elas, nos divertimos com elas, nos alimentarmos delas e etc. Fora a maneira indireta como fazemos todas essas coisas, pela simples omissão. Nossas “ações não refletem nossas palavras!”

Nós, infelizmente, somos corruptos demais. Mesmo quando discursamos corretamente, em nome da ética, do caráter, da educação, da civilidade, estamos na verdade, escondendo nossa própria agenda para realização de nossas mais terríveis vontades. Fingimos ser educados e civilizados apenas para fabricarmos bombas atômicas e testá-las em comunidades distantes e aparte de nossa empatia. Pedimos licença ao sair da mesa, sorrimos e apertamos as mãos dos amigos e às vezes até dos inimigos, ensinamos a nova geração os preceitos do bem e do progresso, apenas para podermos nos enriquecer ao custo desleal da vida dos menos favorecidos. Queremos casas, piscinas, carros, ar condicionado, conforto, enlatado, televisão, entretenimento, ao custo de todos os valores que pregamos. Não porque estamos interessados nos valores, mas porque queremos viver bem ainda que seja ao custo de alguém. “Então vamos educar o mundo. Ensiná-los a se calar, a não lutar, a fechar os olhos e aproveitar o que a vida tem a oferecer. ‘Futuro’? que os que viverem lá se preocupem com os problemas de lá. Já temos muitos problemas aqui (no presente), temos que aproveitar”!

Não quero ser redundante, mas espero que esteja óbvio para a maioria das pessoas que nosso sistema de valores está afetado por nossos interesses, por nossa natureza. Podemos até saber o que é bom, mas fazer... E muitas vezes me questiono se sabemos realmente. O irmão de Jesus, Tiago, escreveu em seu livro (Inserido na Bíblia) no primeiro verso do capítulo 4: “De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos PRAZERES que militam na vossa carne?”. Há uma sabedoria absurda nesse texto. Vou fazer uma pergunta simples, por que não paramos de comer carne, de maltratar os animais que tem sentimentos, sentem dor, choram e são traumatizados psicologicamente como nós humanos? Pelo prazer que temos em consumi-los. Não há como negar isso. Seres humanos vivem sem carne. Conheço alguém com 1,94 de altura, 26 anos, e nunca ingeriu nenhum animalzinho, é saudável até demais, possuindo inclusive uns quilinhos a mais, rs. Mas não queremos parar o consumo de algo que nos agrada tanto, não é? Pensaremos em “N” desculpas para justificar e racionalizar nossas atitudes. Nossos interesses, prazeres, são as causas de brigas e guerras. Um país tem um interesse que se opõe ao de outro, está iniciada uma guerra. Com mortos inocentes, soldados, perdas irreparáveis e gasto desnecessário do dinheiro público. Boas coisas poderiam estar sendo feitas, mas os nossos próprios interesses serão o próprio juízo contra nós.

Acho que é por isso que as pessoas não tentam encontrar a solução. Porque buscar uma solução para isso é reconhecer que estão nesta situação. E muitos não querem mudar seus estilos de vida, as regras atuais do jogo, porque todos tem as suas próprias agendas. É por isso que muitos fogem de Deus e de Jesus, acham que Deus vai tirar-lhes a oportunidade de serem felizes, ou irá se interpor entre eles e seus interesses. Ainda que isso possa ser verdade para alguns, que Deus se interponha entre mim e minha natureza egoísta sempre que quiser, porque os frutos de uma vida sem limites, ou com falsos limites, nós estamos prestes a colher. Que o digam os ursos polares, e os miseráveis deste mundo.


Sexta-feira, Maio 01, 2009

O Veneno da Humanidade!

Tenho visto muitos discursos humanistas sobre amor e caridade. No cinema, na poesia, na arte em geral, na educação. Mas há algo de vazio nesses discursos. Sejam eles provenientes de cristãos, igrejas, religiões ou pensadores seculares e filósofos. Todos esses discursos a respeito do amor parecem sem eco na vida prática dos homens. Me lembrei de um verso, “...com a boca, professam muito amor, mas o coração só ambiciona lucro” (Ezequiel 33:31).

Nesses momentos de crise não adianta nos furtarmos da discussão. Sei que numa hora como essas o pensamento positivo e o otimismo são muito bem-vindos. Mas não dá pra ignorar a verdade sobre essa crise. Aliás, crises! Nossos problemas modernos estão longe de serem resumidos em apenas uma crise financeira global. Não vamos nos esquecer do nosso problema nacional de educação,de distribuição de renda, do problema ambiental no mundo inteiro, nem das guerras, muito menos da sempre presente deficiente economia africana.

São muitas as crises, entretanto tenho percebido que a origem é uma só e recorrente. Antes de menciona-la vamos dar uma olhada rápida na crise atual. O dinheiro não é ilimitado. Portanto se alguém tem muito, outro alguém precisa ter muito pouco. É possível encontrar até pessoas com nada! Enquanto, por exemplo, nos EUA alguns diretores de empresas chegam a ganhar 470 vezes mais que um operário de sua própria empresa. 5% da população controla 40% da economia americana inteira. O problema começa por ai, mas vai ainda mais longe. Não bastasse estas pessoas com tanto dinheiro em caixa, eles querem ainda mais. Todos estão envolvidos em investimentos que lhes trarão ainda mais dinheiro. Há uma desculpa aqui (até válida de um ponto de vista pragmático) de que investimentos trazem progresso e empregos. Mas o fato inegável é que na medida que o capital dessas pessoas cresce o capital de outros tem minguado. É pura lei da física, a matéria não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. As notas também não.

Até ai, nada de novo. O fato desses endinheirados terem livre ambição e acumularem infinitamente mais dinheiro é onde está o problema. Esta crise está provando empiricamente que o capitalismo nunca foi equilibrado como parecia ser, mas está no exato extremo oposto do socialismo. O seu efeito colateral é o que vemos e entendemos como desigualdade social. Deveria haver um limite, ninguém poderia ser capaz de acumular desnecessários Bilhões de dólares enquanto alguns NADA tem. Digo desnecessários porque todo esse dinheiro não tem utilidade, não há no que gastar tanto dinheiro, e mesmo que haja a simples existência de tamanho poder monetário na mão de um único homem precisa ser entendido e compreendido como realmente é: Opressão social. Porque alguns tem o direito de gastar 2 milhões de dólares em uma corrida de cavalos que dura menos de dois minutos e que custa tão caro pela presença de ilustres, famosos e magnatas, enquanto outros não tem o pão?

O que isso tem haver com a crise? Me parece mais um discurso comunista, você pode dizer, mas não! Não sou comunista. Mas tem tudo haver com a crise. Qual é o problema atual? Quem tem dinheiro parou de investir. Tirando o seu dinheiro da roda para não perde-lo. Sem dinheiro girando, as economias mundiais param. O mundo para de crescer. E porque? Porque o dinheiro está na mão de seus donos.Ou melhor, nos bolsos. Se recusam a pô-lo de volta no jogo por medo de perder o que tem. Até aqui você pode pensar, “mas eu faria o mesmo, eles não são burros, estão protegendo o que é deles”. Isso mesmo! É ai que eu queria chegar!

“...com a boca, professam muito amor, mas o coração só ambiciona lucro” (Ezequiel 33:31). Nosso mundo não está em colapso, não é o meio ambiente que está se decompondo, nem nossa sociedade. Nós estamos! É nossa ambição por LUCRO. Esse é o nosso veneno. Até podemos falar de amor, conhecimento, educação, tecnologia, progresso, mas uma coisa nunca muda há anos, nosso desejo por LUCRO. Isso tem pautado nossas decisões e definido nossa realidade como ela é hoje. Se educação, conhecimento e tecnologia fosse a solução estaríamos bem melhor agora. No entanto nosso conhecimento e nossa tecnologia nos levaram mais longe ainda. Duas Guerras mundiais e várias outras guerras homéricas e sanguinolentas no século mais educado da humanidade. Usamos aviões para jogar bombas, sistemas de foguetes espaciais para lançar mísseis e ainda travamos guerras em nome do lucro sim!

Entendo perfeitamente o medo de grandes investidores em investir em um momento como esse. O que não entendo é como somos tão cegos para ver que sem altruísmo legítimo não passaremos de discursos vazios. Com a ausência de ações sem intenção de lucro, jamais poderemos falar de amor de verdade. Bezerra da Silva disse: “Se malandro soubesse como é bom ser honesto, seria honesto só por malandragem”. As vezes penso que “se o homem soubesse como é lucrativo ser altruísta, seria altruísta só por ser lucrativo”. Mas como me confirmou um amigo, isso também não seria altruísta.

Para ser altruísta tem que ser doação mesmo. Sem barganha, sem troca, sem lucro. Madre Teresa dizia que: "O amor, para ser verdadeiro, tem de doer. Não basta dar o supérfluo a quem necessita, é preciso dar até que isso nos machuque”.

O colapso do mundo e da sociedade são sempre o resultado de nossa ganância. Do nosso colapso. Porque não entendemos realmente o que é mais lucrativo, se é o poder ou se é o amor. Se é o meu bem-estar ou se é o do outro (não vou dizer “bem-estar de todos” porque isso é uma utopia enquanto não compreendermos que só é possível quando pensarmos no “bem-estar do outro”). Enquanto não nos fizermos estas perguntas, e encontrarmos a sábia resposta, nos destruiremos naturalmente.

A crítica esta feita, a pergunta agora é quanto a solução. Longe de mim querer parecer piegas e resumir tudo a um simples “Jesus é a solução”. Mas a verdade é que aprendo altruísmo com Ele. Ele tem me mostrado como pensar sempre nos outros e por mais difícil que isso me seja, tenho conquistado passo-a-passo uma melhor compreensão do meu egoísmo e de como mudar. Não é fácil. Nem simples. Mas não é complicado, nem impossível. Basta mudar minha direção. Costumamos pensar que o mundo deve ser assim: De Deus para mim, do Mundo para mim. Dia-a-dia eu me convenço de que o meu papel pode ser feito, se eu estiver bem direcionado. E a direção é essa: De mim para Deus, de mim para o mundo.

Domingo, Abril 12, 2009

A Institucionalização do Individuo.


Dizem que a Insituição familiar está falida.
..

“O Brasil registrou, em 2007, 916.006 casamentos civis - 2,9% a mais do que em 2006 (889.828), segundo as Estatísticas do Registro Civil divulgadas hoje (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já o número de divórcios e separações foi de 231.329. Ou seja, uma dissolução para cada quatro uniões civis.Instituído em 1978, o divórcio atingiu sua maior taxa em 2007, segundo o IBGE, quando teve crescimento superior a 200%, desde 1984, passando de 0,46‰, em 1984, para 1,49‰, em 2007. Em números absolutos, os divórcios concedidos passaram de 30.847, em 1984, para 179.342 em 2007”.

Todas essas informações não deixam dúvidas quanto a Instituição do casamento. Está falindo. Pra não dizer falida, visto que muitos casamentos são mantidos legalmente, mas estão dissolvidos na prática. As pessoas não sabem mais se ligar, se conectar (como abordado em tópico anterior). Estamos cada vez mais isolados. O tempo está passando e estamos nos tornando “Ilhas”. Isso é tão nítido que até os nossos beijos, nem são beijos mais. Apenas tocamos as bochechas e emulamos o beijo através de um som produzido por nossos lábios, próximos aos ouvidos de alguém. Nossos lábios não tocam as pessoas. Exceto quando queremos nos aproveitar delas, pra nos sentirmos bem, então as beijamos com nossos lábios, mas não com nossa mente. Não com comprometimento em manter um sentimento, uma decisão. E tem sido sempre assim ultimamente, nós (EU) no centro da ação.

A falência da instituição do casamento, da família, está criando uma nova instituição. O Individuo. Esta é a Instituição em ascensão. Sim, digo instituição porque tem se rodeado de regras (não se envolver, não se machucar, não correr riscos, não abrir mão do que é por direito seu, não desistir dos seus desejos, buscar sua própria felicidade, alcançar o sucesso e etc...). Cada individuo traça as suas próprias regras. E isso é outra característica de uma instituição. Tem suas próprias regras e normas. Regras estas que regem o modo como a sociedade interage e se relaciona. Estamos naturalmente, todos juntos, caminhando para um mundo mais individualizado do que familiarizado. Falamos em globalização, mas nosso interesse é o bem-estar próprio. Percebemos que unidos vamos mais longe, não porque estamos realmente interessados com a situação de uma viúva no Afeganistão ou de um jovem confuso da Moldávia. A tão sonhada PAZ é para mim. EU quero viver em paz. E muitos de nós estamos “preocupados”(sentimento, sem ação) com a paz do Oriente Médio porque enquanto houver pessoas sofrendo, nossa paz está comprometida também.

O fim dos casamentos é apenas um sintoma deste caminho que estamos percorrendo. Uma triste evidência de que estamos nos distanciando dos velhos e tradicionais valores que nos sustentaram por tantos anos. E sabe para quê? Para que cedo ou tarde, percebamos o quanto estivemos enganados em institucionalizar o individuo, perceberemos que nos afastamos demais e que precisaremos nos reunir, não apenas nominalmente como fazemos por meio do orkut, do msn ou da globalização. Mas uma união que nós perdemos e continuamos a perder.

União legítima que só é e será possível quando aprendermos a desinstitucionalizar o nosso EU. Quando lembrarmos de velhos valores como “não há amor maior do que esse, dar a vida por seus amigos” (Jo 15:13).

Até porque a tão alardeada falência dos casamentos repousa na idéia moderna de que “o casamento é para MINHA felicidade”. Enquanto a idéia original é o casamento para trazer felicidade ao OUTRO”.

Não sei quando vamos acordar. Mas esse post é uma tentativa de mudarmos de direção. Ouvir nosso egoísmo nunca será a solução, por mais que nos agrade, o resultado será sempre a falência de nossa sociedade. Falência do amor. É impossível amar sozinho. Mas será que teremos que ficar sozinhos pra percebermos isso?

Quinta-feira, Junho 05, 2008

Malefícios do progresso: O tiro que saiu pela culatra.

Contemple a seguinte cena: Um homem do campo, habita com sua família em um vislumbrante vale. Sua casa é rodeada por bela natureza e seus animais estão espalhados por toda parte, assim como seus filhos a brincar. Sua família é pequena para as proporções campestres, tem apenas três filhos e três filhas. Sua esposa está sempre atarefada com o cuidado da casa e da família, provendo sempre uma saborosa refeição todas as manhãs, tardes e noites. Ele, trabalho no campo todos os dias, o seu rendimento é sua sobrevivência. Ao anoitecer, os lampiões são acesos, afinal esta casa não possui energia elétrica. Eles conversam e brincam esperam a tão esperada janta. Não há o som constante da TV no fundo da conversa, apenas o som dos animais noturnos. Após uma gostosa e simples refeição todos se reúnem por alguns minutos e logo se despedem para dormir. As 18:30 as crianças adormecem e as 19:00hrs todos já estão na cama. Ás 4:30 A Esposa desse homem se levanta para preparar o dejejum. As 05:00hrs, o galo canta, o homem acorda, o cheiro de pão quente e leite fervido impregna a casa, 30 minutos e todos estão na mesa. O dia já começou. As 06:00 todos estão em suas devidas atividades. E a vida recomeça.

Se você nasceu em cidade grande deve estar desesperado só de imaginar a vida simples dessa família. Talvez esteja indignado com tanto desprezo pelo que você considera “essencial”. Ou Talvez esteja morrendo de inveja dessa família. Mas o fato é que vivem uma vida incomparavelmente menos ansiosa e frenética que a nossa. E isso é bom, isso é paz, isso é felicidade.

Felicidade? Não é possível, eles não sabem de nada que ocorre no mundo, não sentem o prazer de uma boa musica, não conhecem as luzes do Time Square, nunca riram de uma boa piada em um seriado da TV por assinatura, não sabem o que Hollywood é capaz de recriar em seus filmes, não imaginam as atrocidades ocorridas na guerra do Iraque, e nem devem saber que o mundo está em ruínas por causa da maneira como temos, predatoriamente, tratado o planeta... São uns ignorantes, como podem ser felizes?

Assistindo a uma palestra do psicólogo Graciliano Martins, descobri que o desejo só existe quando há falta do objeto desejado. Ninguém deseja água se não estiver com sede, sombra se houver calor ou necessidade de se esconder e assim por diante. Portanto, ninguém é capaz de desejar o que não conhece, ou não sabe que existe. Por isso, nada do que temos e sentimos falta em nossa vidinha civilizada, faz falta aquela família imaginada no começo.

Em nosso caso especifico, o conhecimento que temos de tanta coisa nos faz desejar cada vez mais coisas. A onda do consumo também nos empurra a nossa lista de desejos, uma lista sempre crescente e atualizável. E nós somos aprisionados por essa realidade. Parece impossível viver num lugar que não tenha padaria, locadora, internet e muito menos luz. Só quando passamos um mês sem ver o Jornal da TV é que percebemos que não precisamos dele para viver, a vida continua quer você saiba o que ocorre nela ou não.

Segundo Stephen Kanitz, em artigo publicado na Revista Veja em Agosto de 2002 (ou seja, informação velha), a cada 18 meses o volume de informações dobra. Dobra! Ou seja, se alguém fosse capaz de saber de tudo, em apenas um ano e meio saberia apenas metade do que então existe. Logo, a cada 18 meses as possibilidades aumentam, o volume de desejos pode dobrar. O vazio, o buraco da falta, aumenta e somos cada vez mais aprisionados nesse sistema que chamamos civilização, progresso.

Hoje somos estressados, não temos tempo para nada, tudo tem que ser rápido, desde nossos alimentos até nossos relacionamentos. Vivemos em busca de uma felicidade que nunca vamos alcançar, uma Utopia. Perseguindo o inalcançável. Tentando o domínio do indominável. Como a informação de Kanitz é velha, é possível que esse volume de informações dobre agora em menos tempo. Quanto mais informações temos, maiores são as cobranças e metas.

Daí quando surgem em nossas sociedades, sociopatas de todo tipo, terroristas que parecem denunciar esse falso progresso, grandes golpes e pessoas cada vez mais individualizadas e egoístas, nos perguntamos porque. Porque o 11/09, porque o holocausto, porque desejamos tanto e a custa de tudo, até da nossa própria vida e paz?

Uma vez ouvi a seguinte história. Um dos conquistadores viu um índio deitado na rede descansando em pleno dia. Ele perguntou pro índio:

-Por que você não se levanta e vai trabalhar? – O índio, confuso, perguntou:

-Para que?

-Para acumular riquezas, bens... Se você trabalhar mais hoje acumulará e poderá guardar suas caças obtidas hoje para amanhã. E poderá trabalhar menos no futuro.

-Pra que? – Persistiu o Índio.

-Ora, pra você ter uma boa vida e descansar. – O índio retrucou sem nem pensar.

-Já estou fazendo isso.


Sendo um pouco mais pragmático. Acorde sua vida é uma ilusão, você não precisa nada daquilo que pensa ser necessário para viver. A vida, a paz e a felicidade não estão no consumo, no capitalismo ou na globalização. Vida simples. Passe tempo com as pessoas que ama, não com as coisas que sonha ou os desejos que tem ou as informações que aspira, que continuarão se multiplicando infinitamente.

Quarta-feira, Maio 28, 2008

Racismo ou Egoísmo velado?



As vezes me pergunto aonde começa o racismo e onde termina o dominio da raça branca? Esse vídeo postado no You Tube (logo abaixo) tem como titulo e intenção expor o racismo ainda muito presente em nossa sociedade moderna. Mas o que acho realmente, é que não se trata apenas de racismo, mas de um dominio indireto de "conceitos brancos" que são indiretamente impostos pela maioria. Um bom exemplo disso é a ditadura da moda e da beleza, que impõe padrões e estereotipos para as mulheres e homens de hoje. Somos subjugados por idéias indiretas todo o tempo, como por exemplo crer que magresa é sinonimo de beleza e saúde, dinheiro de felicidade, fé de irracionalidade e etc... Portanto, no vídeo abaixo temos um exemplo de como a maioria, branca, impõe culturalmente sobre todas as raças a idéia que lhes é confortável de uma superioridade da raça, mesmo que coletivamente inconsciente. A solução é quebrar o paradigma fundamentalista da centralização do eu. Em outras palavras, deixarmos de impor nossas próprias e doces idéias a todas as comunidades, culturas e raças. Essas crianças são vítimas do despreparo de pais, do impacto da mídia e da cultura branca. Quando crescerem e se tornarem individuos pensantes e independentes, talvez odeiem essa realidade que representam hoje.

Sempre bato nessa tecla e vou repetir mais uma vez, o pensamento da massa influência um unico individuo. Mídia é veículo de massa, portanto propaganda das idéias de uma maioria, que em grande parte encontra-se despreocupada com a vida alheia, e busca cada vez mais a divulgação de seus próprios ideais.

Esse vídeo não demonstra apenas uma realidade quanto ao racismo mundial, mas também demonstra como que idéias podem ser vendidas e compradas facilmente, até mesmo por quem não deveria se interessar por elas.

Quinta-feira, Fevereiro 14, 2008

Porque Pessoas São mais importantes do que Coisas?

Há alguns meses atrás escrevi um post comentando como temos dado mais importância a coisas do que a pessoas em nosso contexto moderno. Algumas semanas depois fiquei pensando no porque isso é um absurdo. E descobri uma verdade interessante e óbvia que permaneceu adormecida em minha pauta até agora.

Recentemente ao conversar com uma pessoa que tinha acabado de conhecer ouvi ela espontaneamente dizer que a humanidade tem valorizado mais as “coisas que as pessoas”. Isso me trouxe até o computador motivado a terminar o que comecei, ao ver que estou longe de ser o único a pensar dessa maneira.

Bem, vamos a pergunta crucial, sem mais delongas, porque pessoas são mais importantes do que coisas? Para isso é preciso, primeiro, que avaliemos o que faz uma coisa ser valiosa em nossa realidade? O que dá valor as coisas? Como exemplo clássico vamos aos minerais mais famosos e cobiçados, o diamante e o desejado ouro. O que os faz tão valiosos? A resposta é simples e se encontra na mais importante lei capitalista, a da “oferta e da procura”. O que fazem esses minerais valiosos? Sua raridade. Quanto menor a quantidade disponível e menor sua ocorrência natural mais caro ele é.

Nossa resposta começa a se desenhar. Vamos pensar mais um pouco antes de qualquer conclusão. Quantos de você existem? Quantos pais e mães você tem? E mesmo tendo muitos irmãos, cada um tem um significado particular para você, não se pode livrar-se de um e substituí-lo por outro. Cada um é único para você, assim como você o é para o mundo. Cada ser humano vivo ou que já viveu carrega uma parcela particular de raridade. Cada um de nós é irremediavelmente insubstituível. É por isso que a morte é tão dolorosa. Por que em cada morte há uma perda irreparável. Por mais que tentemos encontrar um consolo em doutrinas como a da imortalidade da alma, nosso sofrimento enfrente a morte de um querido sempre carrega um pesar de separação definitiva. O choro é de perda total e irreparável. Isso demonstra o quanto as pessoas são valiosas, e como que mesmo inconscientemente elas valem muito mais do que qualquer “coisa”. A perda de uma coisa nunca é tão dolorosa quanto a perda de uma pessoa.

É por isso que mesmo havendo milhares de pessoas morrendo e nascendo diariamente, cada uma que chega e que vai possui em sí um valor insubstituível e inestimável. Isso tudo também me ajuda a expor um argumento contra a doutrina da reencarnação(doutrina que eu pessoalmente não creio). Se somos imortais e vivemos encarnando e reencarnando, a vida não é tão rara e única assim. Sendo substituível ou mesmo descartável. A idéia da imortalidade da alma, que prega a ascensão ao céu ou a descida para o inferno, a parada estratégica no purgatório (ou mesmo a volta a vida como outra pessoa ou animal) ajuda a banalizar a vida humana. E ao contrário do que muitos imaginam, não é bíblica como dizem. Mas essa é uma discussão gigantesca, que não quero trazer agora. Quem sabe mais tarde conversemos sobre isso...

O que nos importa agora é repararmos o quanto somos únicos, e os outros que ao nosso lado vivem, e que estes importam mais do que as coisas que também nos rodeiam e gostamos. Repito meu conceito anterior: Quanto mais humanos, mas gostamos de gente.

Sexta-feira, Outubro 05, 2007

Richard Dawkins está MUITO certo!

Ao analisar a obra mais famosa de Richard Dawkins, O Gene Egoísta, podemos ver a sistematização de uma realidade conhecida a milhares de anos atrás, o ser humano é egoísta por natureza. O irônico dessa constatação repousa no fato do resultado da pesquisa cientifica de Dawkins ser completamente concordante com o livro que ele mais condena. A Bíblia.

Pois é, o que Dawkins concluiu não é novidade alguma para os escritos bíblicos, na verdade essa é parte tônica de muitos dos ensinos e propósitos desse livro. E é extremamente louvável o esforço do zoólogo, que afinal, foi capaz de provar cientificamente a verdade bíblica que diz ser a natureza do homem essencialmente má (Jeremias 17:9; Romanos 3:10).

Em outras palavras a ciência em favor da fé. Dawkins em favor da Bíblia. Muito Irônico. Uma pena que por possuir a intransigente premissa da inexistência de Deus, ele tenha que passar por essas desconcertantes situações. Não vejo problema algum em sua posição negativa de Deus, o problema em minha opinião é a do velho clichê: “O pior cego é aquele que não quer ver”. Não mudar de opinião não indica intransigência, mas não julgar as informações disponíveis (o que o método cientifico exige) é tapar os olhos para não ver, isso é intransigência. Não quero provar nada, converter Dawkins ou seus seguidores com esse texto, apenas levar a simples reflexão de que as coisas não são tão simples assim.

Pra falar a verdade, aí que está a complicação, porque não faz o menor sentido para um organismo egoísta realizar atos de altruísmo. Inclusive esse é o grande problema do momento para o evolucionismo que não consegue explicar o altruísmo. Aquele ato de doação da sua própria existência sem esperar receber nada em troca. Ou mesmo a simples ética da honestidade, que faz você estar sozinho em um quarto escuro e não ousar deflagrar o seu imposto de renda. Ou quem sabe você deflagre, então aquele sentimento de culpa, que surge, vem da onde se o gene é egoísta e só está preocupado com seu bem-estar? Enquanto eles tentam, sem sucesso, resolver esse problema, o mais óbvio é obliterado em nome de razões volitivas e não racionais. Tão volitivas quanto a própria religião que ele condena. O que é tão óbvio? Ah, eu nem preciso te dizer, você já sabe, mesmo que negue.

Sexta-feira, Setembro 28, 2007

PESSOAS VALEM MAIS DO QUE COISAS


Sabe quando você encontra uma verdade que se torna parte de sua cosmovisão pra sempre? Aquele momento mágico quando você vê em perfeita delimitação uma idéia que, embora nunca tenha entrado em contato com você daquela maneira, é tão familiar? Isso aconteceu comigo quando meu professor de Comunicação Aplicada, há 1 ano atrás, delineou a frase mais simples do mundo, mas com a verdade mais pragmática que a minha inteligência social jamais se esquecerá. “Pessoas são mais importantes que coisas”.


Se me permite avançar nesse pensamento gostaria de amplia
r esse conceito para: “Vida é mais importante que coisas”. Define-se, portanto como “coisas” tudo aquilo que não vive. Eu sei, pra meia dúzia de gatos pingados pode parecer óbvio o que eu estou dizendo até aqui, mas digo para essa minoria, acreditem em mim, há uma maioria que não entende de maneira tão simples assim essa verdade.

É fácil, no mundo de hoje, que pessoas se apaixonem por coisas, e com isso passem por cima daquilo que mais importa na vida. Pessoas. Na verdade há uma super-valorização da pessoa quando isso ocorre, mas da pessoa errada, a pessoa valoriza os seus desejos acima dos valores externos e desejos alheios. Quando alguém rouba, mata, adultera (em todos os sentidos, sexuais, sociais e econômicos), engana, trai, passa por cima de outros interesses, magoa, quebra leis, maltrata um animal e etc... O que está ocorrendo é a super-valorização de si. O que, por conseqüência põe as coisas, que são os objetos de desejo desse individuo, acima das pessoas. Acima dos verdadeiros valores da vida. Nos tornamos aquilo que desejamos, portanto cada vez mais os homens se parecerão com coisas, e não com seres viventes. Coisas não se relacionam, se aproveitam, se servem, se usam. São intransigentes e impessoais no cumprimento de suas funções.

Impacto da inversão de valores de hoje

Alguém pode estar se perguntando, “mas porque relacionar-se é mais importante?” Semana passada assisti um filósofo na TV dizer uma das poucas frases televisivas que marcaram minha vida: “A família é a única instituição capaz de gerar vida”. Ficou claro? Só relacionamentos geram vida. É a contribuição mais básica e mínima que um ser humano pode dar a natureza, gerar vida. Qual o significado e a relevância de Plutão para o Universo? Nenhuma, mas e se houvesse vida lá? Então ele seria um dos mais importante planetas da Via-láctea juntamente com a terra. A vida por mais incompreendida que seja é o que conhecemos de mais valioso, seja na esfera pessoal ou na coletiva. Mesmo aqueles que já desistiram da vida ou não dão mais seu devido valor, o fazem por amor a ela.

Voltando ao assunto, entendemos com isso, que o mundo de hoje é materialista porque falta altruísmo. Em outras palavras o excesso de egoísmo nos consome, porque os relacionamentos humanos são substituídos por relações entre coisas e pessoas. Objetos e viventes. Desejos e realizações de um único individuo. O homem se relaciona mais consigo mesmo e menos com o resto do mundo. O Ipod é prova disso. Quanto mais tempo se passa com uma coisa, menos tempo se relaciona, e mais tempo se passa sozinho.

Isso não está garantindo nem de longe a sobrevivência da espécie humana, mas da espécie “individuo”. As relações humanas sempre existirão, mas elas tem cada vez menos significado, estão a serviço do individuo em sua busca pessoal de se realizar. Quanto mais esse fenômeno ocorre e se expande, mais as coisas se valorizam sobre a vida. Menos paz teremos, mais divisões, mais disparidades, menos felicidade, mais estresse, mais pressa, mais capitalismo, menos solidariedade e etc...

Estava conversando com um amigo sobre armas de pressão, e ele me contou que adorava matar passarinhos de longe. Então eu disse que não atirava em passarinhos, gostava de atirar em vidros e objetos que sofressem o efeito dos tiros. Ele imediatamente entendeu minha crítica velada e disse: “Você não atira em passarinho, mas atira nas coisas dos outros?” Entendi que ele havia interpretado a palavra “vidros” como referência as janelas dos meus vizinhos e a carros alvejados. Automaticamente, concertei o equivoco e expliquei que me referia a vidros que eu possuía e guardava só para essa atividade...Espera um pouco!!! Volta a fita...

Você notou que esse meu amigo pos os bens alheios acima da vida dos passarinhos? Talvez você nem tenha percebido isso, não acha que é hora de reconsiderar? Quer dizer que vidros de janelas, e bens alheios tem mais valor do que um animal que “é”, vive e sente individualmente? Esse animal tem responsabilidades sociais com sua prole e se relaciona com os outros iguais de sua espécie, por isso não vale mais do que um pedaço de vidro que custa menos de R$5,00?

Povo Lotuho ou Latika

“Para o africano tradicional, manter o equilíbrio e harmonia em relacionamentos dentro de sua família e tribo é extremamente importante. A posse de bens materiais é muito menos importante do que manter uma adequada interação com outras pessoas. Para o homem ocidental, por outro lado, o valor das pessoas tende ser medido pela quantidade de suas posses – terra, dinheiro, bens. Um resultado é a busca pelo sucesso que significa longas horas de trabalho e disposição para aniquilar outros trabalhadores, amigos e mesmo família para que se possa obter grandes lucros.

O povo Lotuho, do sul do Sudão, por algum tempo rejeitou o uso de boi para puxar arado, mesmo sabendo que o uso desses animais aumentaria sua produção de alimento. Com o boi, as grandes festas que aconteciam enquanto os campos eram preparados para a semeadura não seriam necessárias, e aquelas festas eram cruciais para manter os relacionamentos na sociedade. Melhor Ter menos alimento, eles diziam, do que arriscar a harmonia dentro do vilarejo”(Apostila 2006, Comunicação Aplicada, Professor Valdecir Lima).

Se ainda não ficou claro, lá vai:

Na vida o que há de mais importante não são coisas, mas relacionamentos.

Sem essa compreensão e a legitimidade de nossos relacionamentos, seremos apenas indivíduos sozinhos numa multidão de abandonados. O dia em que a carreira, emprego, oportunidades de vida pessoais, lucros, objetos de desejos e coisas em geral forem mais importantes que pessoas em geral na sua vida, esta na hora de reavaliar seus valores. Temos vivido para que? Para cumprir tabela no dever de existir? Para nos realizarmos ao custo de tudo e de todos? Esse comportamento na prática é o que define quem você é. Você é uma coisa ou uma pessoa? Pessoas se relacionam.

Domingo, Junho 24, 2007

A Glória do EU

Quantas vezes você já viu atores, atrizes, artistas em geral ou mesmo pessoas que estão se candidatando a algum trabalho se descreverem como pessoas “determinadas”? Eu já me cansei de ver. Em quase toda definição pessoal ou traço de perfil hoje é possível encontrar palavras sinônimas como: “persistência, tenacidade, determinação, força de vontade” e etc...

Apesar de já ter me familiarizado com essa prática moderna de se auto definir foi uma brincadeira com um amigo (José Rodrigues Jr.) a respeito desse clichê emergente que me levou a procurar perfis de pessoas famosas na Internet. Não foi preciso perder tempo ou procurar demais, o primeiro perfil que encontrei tinha “como característica mais marcante” a não menos famosa “Determinação”. A busca prosseguiu e enquanto conversávamos pelo telefone nos admirávamos de quão comum era a presença dessa característica nas pessoas. Selecionei um bom exemplo para quem quiser se divertir com esse clichê também, segue o link dos 16 candidatos do programa “Aprendiz 4 – O Sócio” da Rede Record, com as auto-definições de cada candidato (http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u70802.shtml) .

E eles ainda não eram famosos quando se descreveram, o que indica o quanto que essa prática tem influenciado a todos dentro ou fora do contexto artístico. Talvez o contexto artístico nem seja o pai dessa definição como sendo a característica mais importante de um ser humano, mas com certeza eles são os maiores propagadores dessa idéia. Mas da onde vem essa tendência? Porque as pessoas precisam dizer hoje que são determinadas? Qual a vantagem de ser determinado? Se olhar a ficha dos candidatos do programa acima citado verá que muitos dos que se auto-proclamavam determinados hoje já estão fora do programa. Então o que há em ser determinado, persistente?

Ora, vejamos quem são os maiores propagadores dessa idéia novamente. Artistas e famosos. O que todos eles tem em comum? O tamanho do Ego. Não é de admirar que eles tenham abraçado com tanta vontade essa definição pessoal. A filosofia desse pensamento carrega duas engrenagens de conforto para o pensamento humano. A primeira é a cultura do mérito próprio. “Não há almoço grátis”. Aquela cultura que nos persegue desde o dia em que nascemos e temos que chorar para mamar, temos de ser obedientes para não ficar de castigo, temos que tirar boas notas para ganhar presentes e etc... Alguns podem dizer que essa não parece ser um mecanismo de conforto, mas é mais confortável saber que somos donos do nosso próprio destino e que sorte, azar ou mesmo Deus são cartas fora do nosso baralho da vida. Isso é o mesmo que o...

...segundo mecanismo: A facílidade de “quem procura, acha. Quem busca, alcança”. Eu só preciso me esforçar, trabalhar, me dedicar e tudo o que eu mais desejo será conquistado. Em outras palavras tudo depende de mim. Se está em mim, depende apenas de disciplina, de virtudes pessoais que só preciso desenvolver, assim posso chegar onde quiser. E se eu algum dia alcançar o sucesso é por minha própria causa. Embora o dito popular “Deus ajuda quem cedo madruga” persista em existir, é pura retórica, já arrancamos Deus do resultado de nosso trabalho a muito tempo. Tudo que eu conquisto foram as minha próprias virtudes que conseguiram aliadas, é claro, a minha determinação pessoal, força de vontade, força de realização. É pura ética behaviorista. A cultura do mérito próprio que nos faz girar em círculos. EU faço e acontece, EU busco e EU acho, EU luto e EU ganho, EU, EU, EU.

Isso é o que acontece quando olhamos para o mundo como um uma realidade pessoal a ser conquistada pela minha pessoa. Isso nos torna solitários. Talvez seja por isso que artistas não são bons em relacionamentos pessoais. Talvez seja por isso que alguns dos que se auto-proclamaram “determinados” no programa de TV tiveram problemas com relacionamento. Temos nos tornados cada vez mais individualizados em nome de nós mesmos.

Embora digamos que “Deus ajuda quem cedo madruga”, isso não tem sido verdade, nem de um jeito nem de outro. Embora Deus esteja na frase, o que queremos dizer com ela é: “porque sou assim, Deus me ajuda”. Em suma a glória do EU. Enquanto criamos que Deus estava no comando do mundo O usamos para alcançar nossos próprios intentos e propagamos tudo aquilo que é contra Ele em nosso período escuro. Depois colocamos todas as fichas no homem, e ascendemos a razão no topo de nossa doutrina de vida. Mas também nos decepcionamos quando vimos que nossa razão nos arrastou para guerras e ogivas nucleares. Agora já não nos resta nada, não temos mais em quem confiar, é bem nesse momento terrível que resolvemos então perpetrar nosso circulo vicioso e colocarmos mais uma vez todas as fichas no lugar errado, no EU. Mais individualizados do que nunca falamos de globalização, mas a intenção é uma só, a Glória do EU. Somos pós-modernos, somos niihilistas e temos certeza que com determinação chegaremos lá. Não queremos mais interferências da igreja, do estado ou de Deus, estamos sozinhos e sozinhos vamos conquistar o mundo. Só tem um problema pra que EU vença é preciso que você perca.

Em outras palavras o homem não pode resolver o seu próprio problema, nem com determinação, nem com persistência, nem com tenacidade, o que vamos fazer? Eu prefiro confiar nAquele que extrapola minha existência. Já faz anos que demonstramos nossa ignomínia, embora sejamos determinados.

Se Deus existe amigo, porque não deixa-Lo ser Deus dos homens?