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Terça-feira, Junho 23, 2009

Até uma criança percebe!


Este vídeo é parte do discurso feito por Severn Suzuki na ECO92 no Rio de Janeiro. Um encontro mundial sobre o meio-ambiente. Eu tive o privilégio de visitar a ECO92. Mas tinha apenas 10 anos de idade e não fazia a mínima idéia da gravidade do problema (assim como o resto do mundo que só foi acordar para a questão mais de 10 anos depois). Para mim foi apenas um passeio legal com os amigos da escola, mas algo importante acontecia ali, e o ápice desse evento foi sem sombra de dúvidas, o momento em que uma criança de 12 anos de idade, cala as autoridades internacionais com um discurso simples e impactante.

Mas não é sobre meio-ambiente que quero tratar agora, é sobre nós seres humanos. Os causadores do impacto sobre o planeta. OS destruidores da Terra. Separei está parte do discurso (Você pode assistir ao discurso completo aqui: http://www.youtube.com/watch?v=PAHNVz95I5A) para analisarmos a realidade nele expressa.

A menina de 12 anos percebeu, que os adultos ensinam as crianças exatamente aquilo que eles não fazem quando adultos. Mas isso não é tão simples assim de se notar, porque a verdade é que nenhum adulto PARECE “desrespeitar os outros”, quanto mais educados (como políticos internacionais) sempre fazem PARECER que “resolvem as coisas bem”, PARECEM “não maltratar outras criaturas”. Mas basta um olhar mais cuidadoso e a verdade se mostra o exato oposto. Fazem guerras (não acho que isso seja resolver algo bem, ou evitar uma briga), poderosos desrespeitam os outros sem cerimônia, e maltratamos criaturas com a desculpa de nos vestirmos com elas, nos divertimos com elas, nos alimentarmos delas e etc. Fora a maneira indireta como fazemos todas essas coisas, pela simples omissão. Nossas “ações não refletem nossas palavras!”

Nós, infelizmente, somos corruptos demais. Mesmo quando discursamos corretamente, em nome da ética, do caráter, da educação, da civilidade, estamos na verdade, escondendo nossa própria agenda para realização de nossas mais terríveis vontades. Fingimos ser educados e civilizados apenas para fabricarmos bombas atômicas e testá-las em comunidades distantes e aparte de nossa empatia. Pedimos licença ao sair da mesa, sorrimos e apertamos as mãos dos amigos e às vezes até dos inimigos, ensinamos a nova geração os preceitos do bem e do progresso, apenas para podermos nos enriquecer ao custo desleal da vida dos menos favorecidos. Queremos casas, piscinas, carros, ar condicionado, conforto, enlatado, televisão, entretenimento, ao custo de todos os valores que pregamos. Não porque estamos interessados nos valores, mas porque queremos viver bem ainda que seja ao custo de alguém. “Então vamos educar o mundo. Ensiná-los a se calar, a não lutar, a fechar os olhos e aproveitar o que a vida tem a oferecer. ‘Futuro’? que os que viverem lá se preocupem com os problemas de lá. Já temos muitos problemas aqui (no presente), temos que aproveitar”!

Não quero ser redundante, mas espero que esteja óbvio para a maioria das pessoas que nosso sistema de valores está afetado por nossos interesses, por nossa natureza. Podemos até saber o que é bom, mas fazer... E muitas vezes me questiono se sabemos realmente. O irmão de Jesus, Tiago, escreveu em seu livro (Inserido na Bíblia) no primeiro verso do capítulo 4: “De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos PRAZERES que militam na vossa carne?”. Há uma sabedoria absurda nesse texto. Vou fazer uma pergunta simples, por que não paramos de comer carne, de maltratar os animais que tem sentimentos, sentem dor, choram e são traumatizados psicologicamente como nós humanos? Pelo prazer que temos em consumi-los. Não há como negar isso. Seres humanos vivem sem carne. Conheço alguém com 1,94 de altura, 26 anos, e nunca ingeriu nenhum animalzinho, é saudável até demais, possuindo inclusive uns quilinhos a mais, rs. Mas não queremos parar o consumo de algo que nos agrada tanto, não é? Pensaremos em “N” desculpas para justificar e racionalizar nossas atitudes. Nossos interesses, prazeres, são as causas de brigas e guerras. Um país tem um interesse que se opõe ao de outro, está iniciada uma guerra. Com mortos inocentes, soldados, perdas irreparáveis e gasto desnecessário do dinheiro público. Boas coisas poderiam estar sendo feitas, mas os nossos próprios interesses serão o próprio juízo contra nós.

Acho que é por isso que as pessoas não tentam encontrar a solução. Porque buscar uma solução para isso é reconhecer que estão nesta situação. E muitos não querem mudar seus estilos de vida, as regras atuais do jogo, porque todos tem as suas próprias agendas. É por isso que muitos fogem de Deus e de Jesus, acham que Deus vai tirar-lhes a oportunidade de serem felizes, ou irá se interpor entre eles e seus interesses. Ainda que isso possa ser verdade para alguns, que Deus se interponha entre mim e minha natureza egoísta sempre que quiser, porque os frutos de uma vida sem limites, ou com falsos limites, nós estamos prestes a colher. Que o digam os ursos polares, e os miseráveis deste mundo.


Quinta-feira, Junho 05, 2008

Malefícios do progresso: O tiro que saiu pela culatra.

Contemple a seguinte cena: Um homem do campo, habita com sua família em um vislumbrante vale. Sua casa é rodeada por bela natureza e seus animais estão espalhados por toda parte, assim como seus filhos a brincar. Sua família é pequena para as proporções campestres, tem apenas três filhos e três filhas. Sua esposa está sempre atarefada com o cuidado da casa e da família, provendo sempre uma saborosa refeição todas as manhãs, tardes e noites. Ele, trabalho no campo todos os dias, o seu rendimento é sua sobrevivência. Ao anoitecer, os lampiões são acesos, afinal esta casa não possui energia elétrica. Eles conversam e brincam esperam a tão esperada janta. Não há o som constante da TV no fundo da conversa, apenas o som dos animais noturnos. Após uma gostosa e simples refeição todos se reúnem por alguns minutos e logo se despedem para dormir. As 18:30 as crianças adormecem e as 19:00hrs todos já estão na cama. Ás 4:30 A Esposa desse homem se levanta para preparar o dejejum. As 05:00hrs, o galo canta, o homem acorda, o cheiro de pão quente e leite fervido impregna a casa, 30 minutos e todos estão na mesa. O dia já começou. As 06:00 todos estão em suas devidas atividades. E a vida recomeça.

Se você nasceu em cidade grande deve estar desesperado só de imaginar a vida simples dessa família. Talvez esteja indignado com tanto desprezo pelo que você considera “essencial”. Ou Talvez esteja morrendo de inveja dessa família. Mas o fato é que vivem uma vida incomparavelmente menos ansiosa e frenética que a nossa. E isso é bom, isso é paz, isso é felicidade.

Felicidade? Não é possível, eles não sabem de nada que ocorre no mundo, não sentem o prazer de uma boa musica, não conhecem as luzes do Time Square, nunca riram de uma boa piada em um seriado da TV por assinatura, não sabem o que Hollywood é capaz de recriar em seus filmes, não imaginam as atrocidades ocorridas na guerra do Iraque, e nem devem saber que o mundo está em ruínas por causa da maneira como temos, predatoriamente, tratado o planeta... São uns ignorantes, como podem ser felizes?

Assistindo a uma palestra do psicólogo Graciliano Martins, descobri que o desejo só existe quando há falta do objeto desejado. Ninguém deseja água se não estiver com sede, sombra se houver calor ou necessidade de se esconder e assim por diante. Portanto, ninguém é capaz de desejar o que não conhece, ou não sabe que existe. Por isso, nada do que temos e sentimos falta em nossa vidinha civilizada, faz falta aquela família imaginada no começo.

Em nosso caso especifico, o conhecimento que temos de tanta coisa nos faz desejar cada vez mais coisas. A onda do consumo também nos empurra a nossa lista de desejos, uma lista sempre crescente e atualizável. E nós somos aprisionados por essa realidade. Parece impossível viver num lugar que não tenha padaria, locadora, internet e muito menos luz. Só quando passamos um mês sem ver o Jornal da TV é que percebemos que não precisamos dele para viver, a vida continua quer você saiba o que ocorre nela ou não.

Segundo Stephen Kanitz, em artigo publicado na Revista Veja em Agosto de 2002 (ou seja, informação velha), a cada 18 meses o volume de informações dobra. Dobra! Ou seja, se alguém fosse capaz de saber de tudo, em apenas um ano e meio saberia apenas metade do que então existe. Logo, a cada 18 meses as possibilidades aumentam, o volume de desejos pode dobrar. O vazio, o buraco da falta, aumenta e somos cada vez mais aprisionados nesse sistema que chamamos civilização, progresso.

Hoje somos estressados, não temos tempo para nada, tudo tem que ser rápido, desde nossos alimentos até nossos relacionamentos. Vivemos em busca de uma felicidade que nunca vamos alcançar, uma Utopia. Perseguindo o inalcançável. Tentando o domínio do indominável. Como a informação de Kanitz é velha, é possível que esse volume de informações dobre agora em menos tempo. Quanto mais informações temos, maiores são as cobranças e metas.

Daí quando surgem em nossas sociedades, sociopatas de todo tipo, terroristas que parecem denunciar esse falso progresso, grandes golpes e pessoas cada vez mais individualizadas e egoístas, nos perguntamos porque. Porque o 11/09, porque o holocausto, porque desejamos tanto e a custa de tudo, até da nossa própria vida e paz?

Uma vez ouvi a seguinte história. Um dos conquistadores viu um índio deitado na rede descansando em pleno dia. Ele perguntou pro índio:

-Por que você não se levanta e vai trabalhar? – O índio, confuso, perguntou:

-Para que?

-Para acumular riquezas, bens... Se você trabalhar mais hoje acumulará e poderá guardar suas caças obtidas hoje para amanhã. E poderá trabalhar menos no futuro.

-Pra que? – Persistiu o Índio.

-Ora, pra você ter uma boa vida e descansar. – O índio retrucou sem nem pensar.

-Já estou fazendo isso.


Sendo um pouco mais pragmático. Acorde sua vida é uma ilusão, você não precisa nada daquilo que pensa ser necessário para viver. A vida, a paz e a felicidade não estão no consumo, no capitalismo ou na globalização. Vida simples. Passe tempo com as pessoas que ama, não com as coisas que sonha ou os desejos que tem ou as informações que aspira, que continuarão se multiplicando infinitamente.

Sábado, Março 08, 2008

"E ainda dizem que Deus existe..."

Agora somos .COM, acesse www.contextomoderno.com.

A Justiça dos Estados Unidos condenou à morte, John Evander Couey por raptar, estuprar e matar Jessica Lunsford, uma menina de 9 anos no Estado da Flórida. De acordo com informações da rede CNN, a garota foi enterrada viva em 2005. "(Couey) causou uma morte lenta, sofrida e intencional", afirmou o juiz que pronunciou a sentença, Ric Howard. "Jessica não foi colocada em um, mas em dois sacos plásticos de lixo. Ela estava consciente no momento de seu sepultamento", disse Howard. (Notícia Completa)


Histórias como essas nos fazem pensar: Se Deus existe o que Ele anda fazendo? Porque assiste passivo atos tão estúpidos como esse sem fazer nada? Se Ele tem o poder de resolver qualquer problema, porque nos permite viver as mais horrendas atrocidades ou mesmo problemas menores?

Inspirados nessa terrível e revoltante história, decidimos produzir um vídeo para ajudar na compreensão deste assunto. Produzimos, então, o vídeo abaixo no Natal de 2007. Fomos finalistas no Festival do Minuto, mas com uma versão menor, essa é a versão extendida, que eu particularmente prefiro.



A última frase deste vídeo, após os créditos, é inspirada em uma conversa narrada por meu professor de Hebraico Bíblico, Dr. Reinaldo Siqueira. Um dia em uma visita a Biblioteca de Paris, encontrou uma mulher judia, que havia sobrevivido ao Holocausto. Perguntaram para ela o que ela achava de Deus, se é que existia, não fez nada para evitar o Holocausto. Ela respondeu: "Não ponha em Deus a culpa do homem". E continuou, "Deus nos deu 10 mandamentos para o homem seguir" , todas as diretrizes para uma vida moral e harmoniosa, "nós escolhemos não dar ouvidos, e nos perguntamos porque essas coisas acontecem?"

Está claro que toda a questão repousa na liberdade aferida por Deus a todos nós. Ele seria um grande mentiroso se te dissesse que era livre e te impedisse de fazer o que quisesse até as últimas consequências. Se Ele podasse nossas ações em nome da paz e da harmonia, poderiamos muito bem nos queixar de ausência de livre arbítrio. Aliás, esse foi o problema de Satanás, sua grande acusação contra Deus era que não havia real liberdade no céu. Porque lá tudo era perfeito e não havia o mal (vontade contrária a vontade divina), por isso Deus permite que ele prove sua teoria, e faça o exato contrário de tudo aquilo que Deus desejava. Surge o mal em toda sua furia, mas Deus não deixa barato, corre atrás do prejuízo e pretende resolver o problema para sempre. Mas sem afetar nosso livre arbítrio.

Então, antes de acusar a Deus pelas mazelas da humanidade, antes de declarar sua inesitência por não interfirir em nossa capacidade de livre escolha, pense em quão justo você seria, se fosse Deus e vivesse interfirindo nas escolhas de suas criaturas. Anulando uma das mais importantes leis da existência, a lei da Causa e do Efeito. Sem ela, as coisas perderiam o gosto, o toque seria inocuo, o grito seria vazio, o choro seria sem lágrima, a vida seria sem vida. Porque viver causando sem resultar, é o mesmo que nascer e nunca viver.

Ou Deus tira de nós toda a responsabilidade que nos deu em viver (robotizar). Ou nos deixa livres para escolher. Escolhamos então tudo aquilo que é "verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento" (Filipenses 4:8).

Quinta-feira, Fevereiro 07, 2008

Brasil, o país do Carnaval – E da insegurança

Ano passado escrevi um comentário sobre nossa paixão pelo carnaval (http://contextomoderno.blogspot.com/2007/03/o-pas-do-carnaval.html) e como convertemos tudo em festa. Enquanto outros aspectos de nossa existência nacional são completamente obliterados em nome do entretenimento e da festança.

Acabo de ouvir (4 de Fevereiro) no Jornal da noite da rede Bandeirantes que o Carnaval carioca, o mais famoso do mundo, recebeu do governo federal um investimento de 15 milhões de reais, 5 milhões de reais do município e mais alguns milhões do Estado fluminense (não me lembro o valor direito, portanto não vou chutar). O que importa mesmo é o calculo feito pelo telejornal expondo a flagrante discrepância. O valor doado pelo governo brasileiro seria capaz de comprar 180 ambulâncias ou 900 viaturas militares para a sucateada policia carioca. Eu sei, eu sei. Não quero ser aquele que tira do povo sua única razão de festa e entretenimento, mas não me venha reclamar de tantos gastos fúteis do estado brasileiro com o que quer que seja, enquanto você pula inconseqüentemente em uma festa cujo único propósito é esquecer a realidade. Melhor do que esquecê-la não seria resolvê-la?

Vi também durante esse carnaval uma cena que nunca tinha visto em toda a minha vida, e acho que não verei em outro lugar do mundo... Nasci e morei no Rio de Janeiro, mas nunca estive presente em um período de Carnaval, portanto, não fazia idéia do que acontecia na cidade neste período. O que mais me impressionou foi o fato de ser o feriado mais sagrado da cidade. Nunca, em momento algum da cidade encontramos todas as lojas fechadas, até em shoppings. Nem mesmo durante o Natal ou Ano Novo, esses fenômenos ocorrem. Mas a cena mais assustadora que eu havia citado acima foi a presença de tapumes de madeira tapando todas as entradas, saídas e janelas de bancos. O que prova a ausência de todo o tipo de segurança para o local. Em outras palavras, o “mundo pára” durante este período do calendário. Incrível.

Me impressiono, também, com a capacidade de insatisfação da população com os gastos públicos, enquanto muitos dos gastos públicos são essencialmente causados pela própria população. Enquanto jogarmos lixo no chão, pularmos carnaval e votarmos mal, seremos sempre punidos com gastos absurdos em coisas fúteis ou que podem esperar, ou quem sabe ser substituídas por melhorias diretas para nossa vida como por exemplo: 900 viaturas, 180 ambulâncias ou melhorar os salários dos policiais e etc...

Não tenho nada contra a alegria e o entretenimento do povo, mas que isso não seja nossa prioridade, nem atrase nosso progresso. Talvez se focarmos em nossas reais necessidades hoje, possamos festejar mais amanhã.

Sexta-feira, Novembro 09, 2007

"Tiros na Finlândia" e o Poder das Idéias

Vídeo sobre o Assassino, o original foi tirado do ar.

Já está famoso na internet o vídeo de Pekka-Eric o mais novo assassino-suicida freqüentador de escolas de primeiro mundo. Em seu vídeo, publicado no You Tube ele diz: "sou um cínico existencialista, anti-humano-humanista, anti-social-darwinista e uma espécie de deus ateu"; "ódio, estou cheio dele e adoro-o"; "Sou a lei, o juiz e o executor, não há maior autoridade que eu".

Nessas horas me passa pela cabeça todos aqueles argumentos ateus contra o cristianismo medieval e suas, praticadas, loucuras anti-cristãs. Mas não vou me ater a isso, afinal, não é justo conceituar o ateísmo baseado nas ações de um ateu em particular, assim como conceituar o cristianismo baseado nos ensinos de um cristianismo em particular.

Mas o que eu gostaria de analisar aqui é o conteúdo da camiseta de Pekka-Eric. No vídeo ele aparece em uma foto, portando a arma e vestindo a camiseta que dizia “Humanity is Overrated” (algo como “A humanidade é supervalorizada”, ou “sobrevalorizada”). Com a intenção de demonstrar seu argumento Pekka-Eric, trata a humanidade segundo sua lógica (desvalorizando a vida, tanto a dele quanto a alheia). Os únicos afetados não são os mortos e feridos, mas sua própria família, amigos, amigos dos feridos e mortos, a Finlândia inteira, a Europa, a América e o mundo. Afinal, apesar de já estarmos nos acostumando com isso, nunca é natural e saudável receber esse tipo de informação não importa onde você viva.

“Humanity is Overrated” é um exemplo do que idéias são capazes. Uma idéia(ou melhor, duas, porque a idéia de "pandemônio escolar" não é nem nova, nem original) tirou a vida de 8 pessoas (felizmente, só não fez mais por falta de mira) e chamou a atenção do mundo todo. A sua idéia era clara e foi levada as últimas implicações.

Muitos questionam a influência da mídia sobre as pessoas, mas é muito evidente que as idéias carregadas por ela podem destruir ou construir. Não quero, nem de longe, por a culpa na Mídia pelo atentado, meu ponto aqui é demonstrar o poder e a eficácia de certas idéias em certos individuos. Mídia é meio, ela apenas carrega uma mensagem. A camiseta(meio) de Pekka-Eric carregava uma mensagem que fazia parte de sua cosmovisão e seu conteúdo foi um dos declarados (por ele) motivos de sua ação. Portanto pergunto: Quem deve ser o responsável pela mensagem? Quem assiste ou quem transmite?

Me parece que a lógica básica do “maior cuida do menor” que encontramos na vida (pai e filho, professor e aluno e nas leis de trânsito) deveria se repetir aqui. A mídia está cada vez mais especializada enquanto a audiência não evolui na mesma velocidade educacional. Em outras palavras, imputar à audiência a responsabilidade sob a mensagem é o mesmo que dar a camiseta para Pekka-Eric.

Alguns podem chamar isso de utopia, eu chamo de conscientização. Mas enquanto isso não acontece cuide, você, com as idéias a que se expõe.

Sexta-feira, Outubro 19, 2007

“Perdendo os critérios” – Ciência Moderna

Estive presente no I Seminário Internacional do Jesus Histórico na UFRJ. O convidado principal não foi ninguém menos que John Dominic Crossan, fundador do Jesus Seminar e um famoso acadêmico no estudo do Jesus histórico. É criticado por alguns quanto ao seu método, que parece ser o tendão de Aquiles de suas conclusões.

O seminário foi enriquecedor e espantoso. Espantoso porque descobri algo que não imaginava ter chegado ao ponto que chegou. A ciência está perdendo os critérios. Na busca de um discurso cada vez menos dogmático duas implicações devastadoras estão surgindo em direção ao método cientifico. 3 foram os casos analisados.

1 – Alguns pesquisadores escolheram citar textos de Jesus como sendo históricos e a outros textos do mesmo Jesus descartaram com base apenas no senso comum atual. O que não faz o menor sentido, tendo o texto sido escrito para uma audiência do I e II séculos d.C. Em outras palavras o que Cristo diz que corrobora suas idéias se sustenta sobre o Método Crítico Histórico, mas os textos irrelevantes para a idéia principal do pesquisador, ou mesmo que se oponham a ele, são descartados sem o menor critério.

2 – Outros pesquisadores basearam suas “descobertas cientificas” em fatores completamente hipotéticos. E ao menos, responsavelmente, assumiram tal dependência de hipóteses construídas sem evidência suficiente. Ou seja, estabeleceram todo uma pesquisa em bases instáveis (por não haverem comprovação alguma, apenas hipóteses teóricas) para concluir, no fim, aquilo que só poderia ser possível se comprovado fosse a hipótese, não provada, da base desta pesquisa. Assustadoramente especulativo.

3 – Por fim, o pior e mais medonho dos argumentos metodológicos da ciência que presenciei no evento: Mais de um dos palestrantes fizeram alusões ao pluralismo de idéias, a inexistência de verdades absolutas, mas verdades subjetivas. A materialização máxima do discurso anti-dogmático. “A ciência não pode ser dogmática”? Isso é uma grande ilusão pós-moderna. Afinal de contas quando se diz que a Ciência não pode ser dogmática, ou que não há verdades absolutas, ou que todas as verdades são subjetivas, então, estamos dogmatizando e estabelecendo a pluralidade de idéias como uma verdade absoluta (o que é extremamente contraditório com a própria proposta pluralista). Em outras palavras, não existe anti-dogmaticismo, mas sim oposição aos dogmas discordantes. O argumento do pluralismo não se auto sustenta. Um rio sempre tem 2 margens, não há como encontrar uma terceira.

O que nos traz a última das implicações desse discurso, a Ciência ficou sem critérios por não admitir a absoluta verdade. Embora esse discurso se baseie na constante evolução do conhecimento e das verdades cientificas no decorrer do tempo (aquilo que era verdade 50 anos atrás, hoje pode ser motivo de escárnio). Isso também é uma falácia, porque não se pode combater mentiras se elas não se posicionarem como verdades. A doutrina do pluralismo de idéias condena as boas idéias a se misturarem com más que nunca serão desmascaradas por nunca terem se apresentado como verdades incontestáveis. Faz parte do processo evolutivo cientifico que uma verdade se levante como absoluta para ser posta a prova e, se possível, seja combatida e substituída.

Há um outro fator problemático na questão de por especulações em posições de verdades cientificas para serem postas a prova. Como sua base é inconsistente, mesmo que resistam anos, serão frutos de estudos que não se saberá, talvez nunca, a relevância do tempo despendido nessa pesquisa. Ou seja, uma grande, e irracional, perda de tempo.

No fim esse é um problema encontrado nos egos humanos que não desejam ser contrariados, e prefere admitir verdades alheias como válidas desde que não se invalide a própria. Mas deixando de lado essa profundidade filosófica veja que a ciência está se transformando naquilo que mais odiou e repudiou desde seu nascimento. A fé cega. Fé cega na ciência. A mesma fé cega que a desconectou definitivamente da religião. Faz-se declarações “cientificas” baseadas em especulações infundadas, sem comprovação e tão relativas que me pergunto qual a relevância delas? Qual a relevância de pesquisas cientificas se a verdade absoluta não existe? Se o que ficará concluído é fruto da subjetividade da mente do pesquisador? Qual o objetivo da Ciência? Assim que a ciência reparar para o buraco que está descendo e começar a se fazer essas perguntas, quem sabe não vá sofrer uma crise de descrédito como o que a Religião vive hoje? Quem sabe não se auto-destrua? Espero que não. Mas não vejo relevância em argumentos subjetivos e especulativos, você vê?

Domingo, Março 11, 2007

O País do Carnaval.




Hoje na sala de aula estávamos discutindo a educação no Brasil. A filha de um de nossos professores, por volta da idade juvenil, chegou em casa com um dever de casa, uma pesquisa para ser mais exato, sobre um determinado assunto. Ela chegou reclamando do objetivo e método da professora. A pesquisa era a seguinte: Entrar num site especifico da Internet, copiar uma página e colar no trabalho. Pronto.

Tanto o pai como a filha ficaram impressionados com a falta de didática que levantou certos questionamentos por parte da menina. Primeiro: se a professora já leu o texto, porque quer mais uma cópia vindo de cada aluno? Segundo: Se ela já conhecia o texto porque não mostrou pros alunos na aula? Terceiro: Se copiar e colar não é ler, para que servirá o trabalho? Quarto: Porque os pontos serão dados de acordo com o capricho e não com o volume de conteúdo explorado, por exemplo? Podíamos ficar horas aqui elaborando indagações para a pedagogia desta professora, que representa todo um sistema educacional que se repete a anos. Eu e você provavelmente vivemos essa maldita realidade, e nossos filhos continuam vivendo a mesma. Desde os dias de nossa infância que nas datas comemorativas são exigidas figuras cortadas de um jornal ou revista e coladas nos trabalhos caprichados. Hoje a única coisa que mudou é que não se tira mais de jornais, mas da Internet. O principio emburrecedor permanece o mesmo. Não nos ensinam a pensar.

Porque não incentivamos a pesquisa e a busca pelo conhecimento? Porque não ensinamos os alunos a pensar por sí? Porque não ensinamos a pescar, em vez de pedir um peixe da peixaria? E por último, porque Meu Deus, porque, premiamos o capricho estético em detrimento do conhecimento? Só encontrei uma resposta para essas indagações. Somos o País do Carnaval. Nossa preocupação com a cultura e a artes são maiores do que o nosso compromisso com o conhecimento ou desenvolvimento. Nosso turismo sexual é mais famoso que nosso futebol. Americano pode não entender nada de Soccer, mas de brasileiras eles entendem.

Outro dia minha noiva estava com amigas em um restaurante nos EUA e o garçon logo tentou descobrir de onde elas vinham. Quando recebeu a “doce” resposta “Brazil”. Logo demonstrou seu profundo interesse. A primeira pergunta dele foi: “É verdade que as brasileiras gostam dos americanos?” A essa pergunta seguiu-se outros comentários sobre as mulheres brasileiras e uma promessa de vinda aqui. Ele contou que estava planejando com uns amigos, vir ao Brasil para trabalhar com uma ONG nas férias. Duvido muito que ele saiba o nome do novo técnico de nosso time de futebol, ou mesmo o fato de já não estarmos mais no topo da lista da Fifa há um mês. Mas ele sabe de quatro coisas: 1- O Brasil precisa da ajuda de ONGs por falta de recursos internos. 2- O Brasil tem mulheres que prestigiam seus turistas. 3- Somos festeiros. 4- Temos sexo fácil e barato aqui. É ou não é o país do Carnaval?

Outra evidência de nosso comprometimento com o fútil e com a festança foram as nossas passeatas anti-Bush. Fechamos a Avenida Paulista, tacamos pedras e paus na polícia, queimamos bonecos do Bush e gritamos palavras de ordem. Para que? Porque? Que palhaçada foi essa? Queremos condenar, fechar avenidas, agredir e gritar pela passagem de um dia do Presidente americano, mas cooperamos e corroboramos com a presença por 8 anos de Lula na Presidência do nosso país. Pintamos a cara, pintamos faixas, saimos só de calcinha nas ruas, protestamos por uma causa perdida e que nem é nossa, enquanto nossas próprias causas são abandonadas ao descaso.

Ninguém saiu na rua pra protestar quando Lula deixou que Evo Morales roubasse nossas instalações da Petrobrás com armas na mão. Ninguém se importou com isso. Mostramos até mais interesse quando a questão era cercear o direito do cidadão de possuir uma arma. Talvez se nos preocupássemos mais em educação decente ou em desenvolvimento, tivéssemos mais recursos e menos ONGs Americanas. Talvez com mais conhecimentos seriamos mais capazes de combater a violência e o tráfico de drogas. Mas parece que só queremos festa.

João Helio, com seus 6 anos, pode até ser arrastado pelas ruas que nosso carnaval fica intacto. Saímos aos montes nas ruas, não para reivindicar, mas para farrear.


Ninguém saiu na rua pra protestar contra a corrupção galopante de nosso congresso. Ninguém tacou uma pedra em José Dirceu. Ahhh, mas quando Bush veio aqui, fizemos questão de demonstrar quem somos, somos brasileiros do País do Carnaval!!!

Sexta-feira, Janeiro 19, 2007

“Velhas idéias Grandes Negócios”?

Já passam da meia-noite e ainda estou acordado. Também não dá pra dormir com um presidente que parece estar dormindo, o pior, em serviço! Me equivoquei, na verdade quero dizer: Um presidente que sonha acordado. Tanto faz. O primeiro dia da reunião de Cúpula do Mercosul no Rio de Janeiro me tirou o sono. Durante todo o dia pudemos presenciar nosso eleito presidente da República defendendo aquele que humilhou e roubou nossa pátria há alguns meses atrás. E pensar que em 12 de Novembro de 1864 o Paraguai tomava o navio brasileiro Marquês de Olinda e iniciava com isso a guerra do Paraguai. A mais sangrenta batalha das Américas. Ano passado, o presidente boliviano Evo Morales tomou nossas instalações da Petrobrás em seu país. Como represália, nós apoiamos, incentivamos e brigamos pela entrada deste mesmo país no bloco do Mercosul.

Fomos humilhados quando fomos roubados, nossa soberania foi questionada assim como a autenticidade nacional do estado do Acre. Fomos ainda mais humilhados quando o representante máximo do Brasil encontrou-se com Evo Morales para sair de lá ainda mais desmoralizado, ou seria “Moralisado”? Por mais trágico que seja ainda tem algo de engraçado nisso tudo, Lula sendo picado pela cobra que criou, seu discurso sendo usado contra ele mesmo, por isso, saiu quietinho da reunião. De mãos abanando tivemos que engolir a seco a perda de milhões de reais em investimentos e infra-estrutura. Mas agora podemos respirar aliviados, sim, porque nosso presidente demonstrou algo que nos coloca em uma situação de extremo conforto e segurança. Submissão. Ironia a parte bom seria que essa submissão fosse ao presidente Evo Morales ou ao país boliviano. O pior é sermos submissos a uma velha e morta idéia. Enquanto o mundo muda e se une economicamente, e até socialmente, nós, desenvolvidos espécimes de avançadoa intelecto, nos separamos. Falamos cada vez mais de integração, mas nos separamos cada vez mais do resto do mundo com o velho papo de nacionalização. A arcaica idéia de uma sociedade justa, centralizadora e infelizmente falsa. Ficou claro que até o Lula abandonou essas idéias. Ou será que não?!?! Deu medo...

Nos acostumamos a odiar os argentinos, mas dessa vez não teve jeito, eles tinham razão. Enquanto Lula tenta enfiar a Bolívia dentro do bloco, Kirchner tentava dissuadi-lo com um simples argumento. “Eles não tem os requisitos mínimos”. Mas Lula fecha os olhos para o óbvio, os ouvidos para a verdade e abre a boca para Morales. Enquanto todos os outros países tende cumprir metas e adaptar-se a Bolívia “trapaceia” e desconfigura o bloco apresentando-se como candidata sem os mínimos requisitos. A Argentina levanta um ponto interessante: “para que as regras se não for para segui-las”? Digo mais, porque não enfia logo tudo quanto é paísinho que quer entrar no Mercosul dentro do bloco? Sem sentido algum, em nome da integração “irracional” Lula consegue introduzir um país que já se demonstrou incapaz de negociar bilateralmente (no caso da Petrobrás, por exemplo) num grupo de acordos econômicos.

O administrador Stephen Kanitz, em uma antiga entrevista ao jornalista Boris Casoy, diz que idéias velhas como a de Karl Marx são totalmente ultrapassadas hoje, o próprio Karl Marx fosse vivo diria isso. Por causa das dramáticas mudanças políticas, econômicas e sociais no mundo inteiro, fica difícil usar uma idéia tão velha e ultrapassada em situações que nem se quer existiam quando a teoria foi formulada (a globalização é um bom exemplo). Sendo assim, precisamos de teorias novas, de pensamentos novos que só se adaptam ao tempo em que vivemos. Veja um triste quadro do Brasil nosso sistema de previdência privada está em franca falência porque estamos baseando-o num arcaico sistema socialista. Não há acumulação, há redistribuição, os que trabalham pagam pelos que estão aposentados. Como o numero de aposentados vem crescendo e o de contribuintes/empregados diminuindo a quebra será inevitável. É irônico, mas quanto mais o Brasil for capaz de aumentar o tempo de vida de seus cidadãos, mais dividas ele terá que pagar e teremos menos crescimento econômico. Isso é contraditório, porque mais pessoas é igual a mais consumo e por ai vai.

Fico aqui falando mal do presidente, mas cabe a nós mudarmos essa situação. Da próxima vez, votemos mais conscientes. O Brasil é o pais que é porque o povo é pouco informado, principalmente sobre questões políticas, econômicas e até sociais. Eu sinceramente não creio que educação seja tudo, mas é alguma coisa com certeza. O problema é que nunca teremos uma boa educação enquanto estivermos fundamentados sob as velhas estruturas de pensamento. É hora do brasileiro pensar e gerar novas soluções para seus próprios e atuais desafios.