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Quinta-feira, Junho 05, 2008

Malefícios do progresso: O tiro que saiu pela culatra.

Contemple a seguinte cena: Um homem do campo, habita com sua família em um vislumbrante vale. Sua casa é rodeada por bela natureza e seus animais estão espalhados por toda parte, assim como seus filhos a brincar. Sua família é pequena para as proporções campestres, tem apenas três filhos e três filhas. Sua esposa está sempre atarefada com o cuidado da casa e da família, provendo sempre uma saborosa refeição todas as manhãs, tardes e noites. Ele, trabalho no campo todos os dias, o seu rendimento é sua sobrevivência. Ao anoitecer, os lampiões são acesos, afinal esta casa não possui energia elétrica. Eles conversam e brincam esperam a tão esperada janta. Não há o som constante da TV no fundo da conversa, apenas o som dos animais noturnos. Após uma gostosa e simples refeição todos se reúnem por alguns minutos e logo se despedem para dormir. As 18:30 as crianças adormecem e as 19:00hrs todos já estão na cama. Ás 4:30 A Esposa desse homem se levanta para preparar o dejejum. As 05:00hrs, o galo canta, o homem acorda, o cheiro de pão quente e leite fervido impregna a casa, 30 minutos e todos estão na mesa. O dia já começou. As 06:00 todos estão em suas devidas atividades. E a vida recomeça.

Se você nasceu em cidade grande deve estar desesperado só de imaginar a vida simples dessa família. Talvez esteja indignado com tanto desprezo pelo que você considera “essencial”. Ou Talvez esteja morrendo de inveja dessa família. Mas o fato é que vivem uma vida incomparavelmente menos ansiosa e frenética que a nossa. E isso é bom, isso é paz, isso é felicidade.

Felicidade? Não é possível, eles não sabem de nada que ocorre no mundo, não sentem o prazer de uma boa musica, não conhecem as luzes do Time Square, nunca riram de uma boa piada em um seriado da TV por assinatura, não sabem o que Hollywood é capaz de recriar em seus filmes, não imaginam as atrocidades ocorridas na guerra do Iraque, e nem devem saber que o mundo está em ruínas por causa da maneira como temos, predatoriamente, tratado o planeta... São uns ignorantes, como podem ser felizes?

Assistindo a uma palestra do psicólogo Graciliano Martins, descobri que o desejo só existe quando há falta do objeto desejado. Ninguém deseja água se não estiver com sede, sombra se houver calor ou necessidade de se esconder e assim por diante. Portanto, ninguém é capaz de desejar o que não conhece, ou não sabe que existe. Por isso, nada do que temos e sentimos falta em nossa vidinha civilizada, faz falta aquela família imaginada no começo.

Em nosso caso especifico, o conhecimento que temos de tanta coisa nos faz desejar cada vez mais coisas. A onda do consumo também nos empurra a nossa lista de desejos, uma lista sempre crescente e atualizável. E nós somos aprisionados por essa realidade. Parece impossível viver num lugar que não tenha padaria, locadora, internet e muito menos luz. Só quando passamos um mês sem ver o Jornal da TV é que percebemos que não precisamos dele para viver, a vida continua quer você saiba o que ocorre nela ou não.

Segundo Stephen Kanitz, em artigo publicado na Revista Veja em Agosto de 2002 (ou seja, informação velha), a cada 18 meses o volume de informações dobra. Dobra! Ou seja, se alguém fosse capaz de saber de tudo, em apenas um ano e meio saberia apenas metade do que então existe. Logo, a cada 18 meses as possibilidades aumentam, o volume de desejos pode dobrar. O vazio, o buraco da falta, aumenta e somos cada vez mais aprisionados nesse sistema que chamamos civilização, progresso.

Hoje somos estressados, não temos tempo para nada, tudo tem que ser rápido, desde nossos alimentos até nossos relacionamentos. Vivemos em busca de uma felicidade que nunca vamos alcançar, uma Utopia. Perseguindo o inalcançável. Tentando o domínio do indominável. Como a informação de Kanitz é velha, é possível que esse volume de informações dobre agora em menos tempo. Quanto mais informações temos, maiores são as cobranças e metas.

Daí quando surgem em nossas sociedades, sociopatas de todo tipo, terroristas que parecem denunciar esse falso progresso, grandes golpes e pessoas cada vez mais individualizadas e egoístas, nos perguntamos porque. Porque o 11/09, porque o holocausto, porque desejamos tanto e a custa de tudo, até da nossa própria vida e paz?

Uma vez ouvi a seguinte história. Um dos conquistadores viu um índio deitado na rede descansando em pleno dia. Ele perguntou pro índio:

-Por que você não se levanta e vai trabalhar? – O índio, confuso, perguntou:

-Para que?

-Para acumular riquezas, bens... Se você trabalhar mais hoje acumulará e poderá guardar suas caças obtidas hoje para amanhã. E poderá trabalhar menos no futuro.

-Pra que? – Persistiu o Índio.

-Ora, pra você ter uma boa vida e descansar. – O índio retrucou sem nem pensar.

-Já estou fazendo isso.


Sendo um pouco mais pragmático. Acorde sua vida é uma ilusão, você não precisa nada daquilo que pensa ser necessário para viver. A vida, a paz e a felicidade não estão no consumo, no capitalismo ou na globalização. Vida simples. Passe tempo com as pessoas que ama, não com as coisas que sonha ou os desejos que tem ou as informações que aspira, que continuarão se multiplicando infinitamente.

Quarta-feira, Maio 28, 2008

Racismo ou Egoísmo velado?



As vezes me pergunto aonde começa o racismo e onde termina o dominio da raça branca? Esse vídeo postado no You Tube (logo abaixo) tem como titulo e intenção expor o racismo ainda muito presente em nossa sociedade moderna. Mas o que acho realmente, é que não se trata apenas de racismo, mas de um dominio indireto de "conceitos brancos" que são indiretamente impostos pela maioria. Um bom exemplo disso é a ditadura da moda e da beleza, que impõe padrões e estereotipos para as mulheres e homens de hoje. Somos subjugados por idéias indiretas todo o tempo, como por exemplo crer que magresa é sinonimo de beleza e saúde, dinheiro de felicidade, fé de irracionalidade e etc... Portanto, no vídeo abaixo temos um exemplo de como a maioria, branca, impõe culturalmente sobre todas as raças a idéia que lhes é confortável de uma superioridade da raça, mesmo que coletivamente inconsciente. A solução é quebrar o paradigma fundamentalista da centralização do eu. Em outras palavras, deixarmos de impor nossas próprias e doces idéias a todas as comunidades, culturas e raças. Essas crianças são vítimas do despreparo de pais, do impacto da mídia e da cultura branca. Quando crescerem e se tornarem individuos pensantes e independentes, talvez odeiem essa realidade que representam hoje.

Sempre bato nessa tecla e vou repetir mais uma vez, o pensamento da massa influência um unico individuo. Mídia é veículo de massa, portanto propaganda das idéias de uma maioria, que em grande parte encontra-se despreocupada com a vida alheia, e busca cada vez mais a divulgação de seus próprios ideais.

Esse vídeo não demonstra apenas uma realidade quanto ao racismo mundial, mas também demonstra como que idéias podem ser vendidas e compradas facilmente, até mesmo por quem não deveria se interessar por elas.

Sexta-feira, Abril 25, 2008

A morte do amor.

Viver é correr riscos. A partir do momento que nascemos estamos em constante exposição a riscos. Mas nem por isso deixamos de viver, ou rejeitamos a vida que nos foi dada. Mas parece que de alguma maneira, no decorrer do tempo decidimos que não aceitamos mais as regras desse jogo e começamos a lutar para nos proteger de todos os riscos possíveis. Entramos então numa corrida que intenta quebrar as regras, dissolver os medos e preencher nosso mundo de alegria com a paz que só a segurança parece ser capaz de nos dar. Lutamos e passamos a viver por essa segurança.

O que parece ser inofensivo e imprescindível para nossa vida, no entanto, demonstra-se um feroz instrumento de cultivação do eu e de desestabilização social. Em busca dos próprios interesses, sejam segurança, paz, felicidade, dinheiro ou o que for, o homem isola-se em um cubo de auto-proteção que causará uma separação irremediável entre seus iguais.
Por isso o amor está morrendo.
Trocamos os interesses quanto ao bem-estar alheio pelo nosso. E isso já se tornou tão natural que é capaz que você leia essa última frase com o nariz torcido. Ninguém mais tem coragem de amar. Fazemos chacota daqueles que perdoam uma traição, não admitimos ser traídos (sentido amplo), feridos ou mesmo temporariamente desvalorizados. Criamos escalas mentais de valores, condenamos os que são diferentes de nós, desejamos o domínio sobre os que nos rodeiam e queremos que eles nos sirvam, e não estamos preocupados em ajudar ninguém se essa ajuda puder oferecer um mínimo risco ao nosso senso de segurança.
É por isso que não damos esmolas, não ajudamos o pedinte em nossa porta e não perdemos o nosso tempo com alguém que nem conhecemos. Para nós é muito lógico que façamos estas coisas. Parece claro, que dar dinheiro a alguém que não conhecemos pode prejudicá-lo ainda mais se ele não souber empregar o dinheiro corretamente. Na hora de racionalizar assumimos até a responsabilidade que não temos. Ninguém é culpado pelas decisões de outro. Se alguém é viciado em drogas ou Álcool racionalizamos que seremos os causadores da perpetuação desse problema, como se nosso troco, fosse fazer a diferença entre libertação ou apologia ao vicio. E nem somos coerentes quando pensamos assim. Porque se não dar esmolas ajuda, muito mais poderíamos ajudar se mais do que esmolas pudéssemos ceder nosso tempo e interesses ao necessitado. Mas no fundo, não queremos mesmo ajudar. Queremos nos salvar.
Nossa sociedade privilegia a troca de pares. A derrota do casamento é apenas um reflexo de uma sociedade vencida. Onde o caráter é subjugado a busca dos interesses pessoais e a segurança destes. Trocamos, porque não gostamos mais e pronto. Doa a quem doer. Filhos? Eles se viram. “Já devem estar grandinhos, ou são pequenos de mais para entender”. Traição marital não tem perdão em nossos dias, porque afinal de contas, taxamos de burros e ignorantes aqueles que se expõem a tamanho risco (de ser traído de novo).
Diante desse quadro eu me pergunto: Onde está escrito que amar não incorre riscos? Quem falou que ao amar temos garantias eternas? Temos contado essas mentiras sobre segurança e felicidade tantas vezes que chegamos a crer que elas são verdades. Mas a verdade é:

Não é possível ser feliz sozinho.
Não é possível viver sem amar.
Não é possível estar 100% seguro.

Está última se fosse uma afirmação positiva (é possível), invalidaria o verdadeiro amor. Veja.
Toda a questão repousa no fator liberdade. Ora, se não tivéssemos liberdade, não haveria amor. O amor é uma ação voluntária, não fosse assim, não seria amor, seria domínio, visto que o amor liga e vincula as pessoas. “Só aquele que é livre pode escolher a quem amar” (Musica de Fernando Iglesias).
Portanto, a liberdade é a garantia do verdadeiro amor. Por isso não há garantias de nada. Mesmo Deus que é o próprio amor pode ser rejeitado. Mesmo Aquele que te criou, deu tudo por você, morreu por você, lutou por você e te ama como ninguém jamais irá, pode ser rejeitado por você. Porque só assim, você seria realmente capaz de amá-Lo, se assim decidisse. Se Deus com Seu infinito amor não pode garantir que você o amará, o que dizer da possibilidade de alguém que hoje te ama um dia te rejeitar?
Por isso, para garantirmos nossa segurança no que tange a relacionamentos (namoros, noivados, amizades e casamentos) teríamos que dissolver, de alguma maneira, a liberdade daquele com quem nos relacionamos para garantir que este sempre nos agrade, tornando este, um relacionamento antinatural. Aqueles que assim fazem, não amam, não conhecem o que é o amor, pois não são amados, são algozes que aprisionam aqueles de quem dependem em um relacionamento egoísta. Sim, dependem, porque lembre-se, ninguém pode viver sozinho. E Estas pessoas sabem disso, parecem estar sempre insatisfeitas com o relacionamento, mas não o deixam, nem permitem o fim do mesmo. Pena que esses são relacionamentos muito comuns hoje em dia.
No entanto, para escapar do medo de ser ferido e magoado, alguns escolhem não amar. Estes, fingem não dependerem de ninguém, mas são infelizes em sua solidão. Fogem de compromissos para que não sofram como alguns conhecidos seus, vivem para focos diversos, trabalho, estudos e causas nobres. Mas permanecem tentando burlar as regras do jogo. E por isso não o jogam corretamente. Estão sendo tão egoístas quanto os aprisionadores citados acima. Em nome de seus próprios interesses, e de sua própria segurança, se isolam ou se relacionam porcamente, estão sempre com um “pé fora e outro dentro”. Portanto, nunca se dão por completo em um relacionamento e estão fadados ao fracasso. Mesmo que se unam em um relacionamento duradouro, vivem a hipocrisia de um relacionamento sem confiança, de independências mil entre os envolvidos e pouca intimidade.
O verdadeiro exemplo de amor é o divino, e é neste que baseio o comportamento correto do amor. Um amor que corre riscos, Deus cria o homem com a possibilidade de ser rejeitado por ele, não força nada, doa-se mais do que cobra, esquece, perdoa e apaga o passado (não de graça porque Ele sofre em Si as conseqüências irremediáveis de nossa culpa), mesmo sem garantias de que sempre estaremos ao Seu lado Ele permanece nos amando, se relacionando conosco, sem nunca desistir. Depois de tudo isso fica-nos mais claro a compreensão das absurdas palavras de 1 Corintios 13 (O capítulo do Amor). “4 O amor é paciente, é benigno. O amor não inveja, não se vangloria, não se ensoberbece.
5 Não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal. 6 O amor não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. 7 Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
8 O amor nunca falha.” Amar é correr riscos, é doar-se, e isso, nunca falha. O amor é uma linha reta, uma decisão tomada por você e mantida pelo seu caráter. Alías, essa é a única garantia para um relacionamento, o caráter.
Você pode optar por jogar o jogo em suas regras originais, liberdade, riscos e doação ou pode se proteger e matar o pouco de amor que nos restou.


Assim como a nossa própria vida, o amor, só pode ser mantido vivo com os riscos de sua
própria morte. Entretanto, assim como Deus, o amor nunca morre.

Sábado, Março 08, 2008

"E ainda dizem que Deus existe..."

Agora somos .COM, acesse www.contextomoderno.com.

A Justiça dos Estados Unidos condenou à morte, John Evander Couey por raptar, estuprar e matar Jessica Lunsford, uma menina de 9 anos no Estado da Flórida. De acordo com informações da rede CNN, a garota foi enterrada viva em 2005. "(Couey) causou uma morte lenta, sofrida e intencional", afirmou o juiz que pronunciou a sentença, Ric Howard. "Jessica não foi colocada em um, mas em dois sacos plásticos de lixo. Ela estava consciente no momento de seu sepultamento", disse Howard. (Notícia Completa)


Histórias como essas nos fazem pensar: Se Deus existe o que Ele anda fazendo? Porque assiste passivo atos tão estúpidos como esse sem fazer nada? Se Ele tem o poder de resolver qualquer problema, porque nos permite viver as mais horrendas atrocidades ou mesmo problemas menores?

Inspirados nessa terrível e revoltante história, decidimos produzir um vídeo para ajudar na compreensão deste assunto. Produzimos, então, o vídeo abaixo no Natal de 2007. Fomos finalistas no Festival do Minuto, mas com uma versão menor, essa é a versão extendida, que eu particularmente prefiro.



A última frase deste vídeo, após os créditos, é inspirada em uma conversa narrada por meu professor de Hebraico Bíblico, Dr. Reinaldo Siqueira. Um dia em uma visita a Biblioteca de Paris, encontrou uma mulher judia, que havia sobrevivido ao Holocausto. Perguntaram para ela o que ela achava de Deus, se é que existia, não fez nada para evitar o Holocausto. Ela respondeu: "Não ponha em Deus a culpa do homem". E continuou, "Deus nos deu 10 mandamentos para o homem seguir" , todas as diretrizes para uma vida moral e harmoniosa, "nós escolhemos não dar ouvidos, e nos perguntamos porque essas coisas acontecem?"

Está claro que toda a questão repousa na liberdade aferida por Deus a todos nós. Ele seria um grande mentiroso se te dissesse que era livre e te impedisse de fazer o que quisesse até as últimas consequências. Se Ele podasse nossas ações em nome da paz e da harmonia, poderiamos muito bem nos queixar de ausência de livre arbítrio. Aliás, esse foi o problema de Satanás, sua grande acusação contra Deus era que não havia real liberdade no céu. Porque lá tudo era perfeito e não havia o mal (vontade contrária a vontade divina), por isso Deus permite que ele prove sua teoria, e faça o exato contrário de tudo aquilo que Deus desejava. Surge o mal em toda sua furia, mas Deus não deixa barato, corre atrás do prejuízo e pretende resolver o problema para sempre. Mas sem afetar nosso livre arbítrio.

Então, antes de acusar a Deus pelas mazelas da humanidade, antes de declarar sua inesitência por não interfirir em nossa capacidade de livre escolha, pense em quão justo você seria, se fosse Deus e vivesse interfirindo nas escolhas de suas criaturas. Anulando uma das mais importantes leis da existência, a lei da Causa e do Efeito. Sem ela, as coisas perderiam o gosto, o toque seria inocuo, o grito seria vazio, o choro seria sem lágrima, a vida seria sem vida. Porque viver causando sem resultar, é o mesmo que nascer e nunca viver.

Ou Deus tira de nós toda a responsabilidade que nos deu em viver (robotizar). Ou nos deixa livres para escolher. Escolhamos então tudo aquilo que é "verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento" (Filipenses 4:8).

Sexta-feira, Fevereiro 22, 2008

A Biologia do—NÃO—Amar

A Newsweek desta semana 17/02/2008 publicou uma matéria com o Título acima. É de Sharon Begley. E valeu à pena traduzi-lá. Fala de algo que eu já havia percebido, mas fico feliz quando vejo veículos seculares argumentando contra sí, ou melhor, contra o secularismo galopante, regado a super-valorização excessiva da ciência, tentando enfiá-la em lugares que ela não deveria entrar. E concluindo, francamente, apenas aquilo que seus pesquisadores desejam enxergar. Uma ode contra os reducionistas materialistas. Analisem e comentem.


Sharon Begley

Em geral, foi provavelmente um erro permitir que cientistas se aproximassem em qualquer nível de assuntos como amor e desejo. Assim como analisar uma piada a elimina, analisarmos o porquê nos apaixonamos por aqueles que amamos estava destinado a acabar mal. Considere a idéia de que professores mais velhos atraem suas estudantes jovens, porque jovens mulheres são geneticamente programadas para se apaixonar por pessoas de alto-status, homens ricos. Ou ainda, homens mais velhos que são supostamente mais atraídos por jovens férteis.

Resultado: quando nosso esposo cinquentão dorme com uma aluna, a culpa, caro Brutus, não reside nas estrelas ou no caráter ou na bússola da moral, mas no DNA.

Não é de se admirar que explicações reducionistas para o comportamento—especialmente como em “My genes made me do it (Livro não lançado no Brasil, porcamente traduzido seria algo do tipo “Meus Gens me fizeram fazer”)—são tão populares: elas nos deixam animados. Escolheu mal aquele com quem você foi pra casa na última noite? Compreensível; você foi arrastada pelos ferormônios dele. Infiel? Não é sua culpa; culpe os genes que programam os homens a espalhar amplamente sua semente por aí. Exceto para alguns casos mais mundanos que invocam um pensamento e sentimentos mais antigos, em vez de permitir que seus genes inconscientes te levem para uma nova geração, sejam mais plausíveis.

Pegue a dança de colo (lap-dance) como exemplo. No último ano cientistas perguntaram a 18 stripers para tomar nota de quantas horas trabalharam, quanto ganharam em gorjetas e quando estavam ovulando, menstruadas ou nenhum dos dois. Quando ovulando, fase do ciclo mensal quando a mulher está mais propensa a engravidar, as stripers faturaram uma média de U$335,00 por um turno de cinco horas. Comparado aos U$185,00 quando menstruada. A razão, concluíram os (homens) cientistas, é que a mulher fértil emite sinais que ela está psicologicamente madura para engravidar. Homens são, supostamente, geneticamente programados para detectar esse sinal –visto que ser arrastado a uma mulher fértil é algo evolutivo e que a seleção natural favorece—e para se comportar de certa maneira (geralmente dando gorjetas) para ganha-la.

Deixando de lado o elemento fantasia, a explicação possui alguns problemas. Primeiro, não há boas evidências que homens podem detectar ferormônios, hormônios ou qualquer outra molécula mágica que revela quando uma mulher está ovulando. Também, mesmo que tais moléculas mágicas existam, há uma explicação mais simples para o porquê de homens darem maiores gorjetas a stripers que estão ovulando, uma explicação que não necessita invocar os impulsos genéticos inconscientes. Mulheres sentem-se mais sexy quando ovulam. Apenas um palpite, mas talvez a striper que se sente mais sexy deve conceder uma dança de colo mais digna de uma gorjeta do que uma que se sente desconfortável durante sua menstruação. Se é assim, diz David Buller da Nothern Illinois University, autor de um livro de 2005, “Adapting Minds” (Mentes Adptantes), que questiona as explicações evolucionárias de comportamento complexo, “a dança de colo pode ser [mais atraente] ao cliente, então ele ira dar mais gorjetas”.

Numa linha de explanatória similar, mulheres em muitos estudos dizem que seus maridos ou amantes são mais atenciosos e amorosos quando elas estão ovulando. Isso também, supôs-se, que reflete a habilidade masculina, afiada pela seleção natural, de detectar sinais (ferormônios, hormônios ou o que seja) que indicam quando o sexo está mais propenso para conceder filhos. Filhos são como a evolução mantêm seu placar; genes que geram comportamentos que geram filhos—neste caso, para detectar um período fértil feminino—e sobreviver ao processo brutal da seleção natural. Mas, novamente há uma explicação mais simples para o porquê homens ativam o charme quando suas parceiras estão ovulando, e nos lança de volta para as stripers. Ovulação aumenta a libido. Uma mulher libidinosa esta mais propensa a enviar sinais—leitores são convidados a proverem seus próprios exemplos—que a fará ser receptiva a afetos. De novo, nenhum gene nos controlando como marionetes. Um coração amoroso e um cérebro em uso são suficientes.

O gosto dos homens por mulheres é também, supostamente um reflexo evolucionário de seleção, e para mostrar que os genes tem nossos comportamentos e preferências em sob uma curta coleira. Especialmente, homens que preferem grandes seios e quadris largos, dizem as escolas de pensamento, porque estes são sinais de fertilidade. Um homem que escolhe uma fêmea fecunda é mais propenso a produção de sua prole—o que mede o sucesso evolutivo—do que um homem que é atraído a sistemas reprodutivos pifados. Dois problemas aqui. Não há evidência empírica que mulheres cuja forma se desvia do ideal “Barbie” são menos férteis. Também, diferentes sociedades em diferente tempos tem idolatrado formas muito diferentes do corpo feminino. A mulher da Renascença não é nem um pouco parecida com o ideal de 2008, diz, Angelina Jolie. Genes não evoluem tão rápido para contar essa mudança no gosto masculino. Algumas preferências estéticas, incluídas num parceiro, são dirigidas pela cultura, não pelo DNA.

Quando Anna Nicole Smith (27) casou com J. Howard Marshall (89), muitos dos cumprimentos recebidos foi pelo reconhecimento de que o DNA programa a mulher para procurar homens velhos e ricos, e homens para encontrarem mulheres jovens, e férteis. Por favor! Dêem a moça algum crédito por racionalmente avaliar os benefícios de casar com um incontinente octogenário multimilionário. Além do mais, quando é perguntado a um homem de 50 anos qual a idade preferida da parceira, a maioria estabeleceu em 40 anos ou mais, não 25, mesmo sabendo que a mulher mais nova é mais fértil. E em média, mulheres de 25 anos dizem que seu cara ideal tem 28 anos, mesmo sabendo que um homem de 50 anos está mais propenso a ter status e $401.000,00, que a explanação evolucionária diz que as mulheres estão programadas a ansiar. Neste Valentine´s Day (Dia dos namorados nos EUA), vamos celebrar todas as formas que nossos corações e mentes, não nosso mindless (“sem mente”) DNA, nos guia nos caminhos do amor.

Quinta-feira, Fevereiro 14, 2008

Porque Pessoas São mais importantes do que Coisas?

Há alguns meses atrás escrevi um post comentando como temos dado mais importância a coisas do que a pessoas em nosso contexto moderno. Algumas semanas depois fiquei pensando no porque isso é um absurdo. E descobri uma verdade interessante e óbvia que permaneceu adormecida em minha pauta até agora.

Recentemente ao conversar com uma pessoa que tinha acabado de conhecer ouvi ela espontaneamente dizer que a humanidade tem valorizado mais as “coisas que as pessoas”. Isso me trouxe até o computador motivado a terminar o que comecei, ao ver que estou longe de ser o único a pensar dessa maneira.

Bem, vamos a pergunta crucial, sem mais delongas, porque pessoas são mais importantes do que coisas? Para isso é preciso, primeiro, que avaliemos o que faz uma coisa ser valiosa em nossa realidade? O que dá valor as coisas? Como exemplo clássico vamos aos minerais mais famosos e cobiçados, o diamante e o desejado ouro. O que os faz tão valiosos? A resposta é simples e se encontra na mais importante lei capitalista, a da “oferta e da procura”. O que fazem esses minerais valiosos? Sua raridade. Quanto menor a quantidade disponível e menor sua ocorrência natural mais caro ele é.

Nossa resposta começa a se desenhar. Vamos pensar mais um pouco antes de qualquer conclusão. Quantos de você existem? Quantos pais e mães você tem? E mesmo tendo muitos irmãos, cada um tem um significado particular para você, não se pode livrar-se de um e substituí-lo por outro. Cada um é único para você, assim como você o é para o mundo. Cada ser humano vivo ou que já viveu carrega uma parcela particular de raridade. Cada um de nós é irremediavelmente insubstituível. É por isso que a morte é tão dolorosa. Por que em cada morte há uma perda irreparável. Por mais que tentemos encontrar um consolo em doutrinas como a da imortalidade da alma, nosso sofrimento enfrente a morte de um querido sempre carrega um pesar de separação definitiva. O choro é de perda total e irreparável. Isso demonstra o quanto as pessoas são valiosas, e como que mesmo inconscientemente elas valem muito mais do que qualquer “coisa”. A perda de uma coisa nunca é tão dolorosa quanto a perda de uma pessoa.

É por isso que mesmo havendo milhares de pessoas morrendo e nascendo diariamente, cada uma que chega e que vai possui em sí um valor insubstituível e inestimável. Isso tudo também me ajuda a expor um argumento contra a doutrina da reencarnação(doutrina que eu pessoalmente não creio). Se somos imortais e vivemos encarnando e reencarnando, a vida não é tão rara e única assim. Sendo substituível ou mesmo descartável. A idéia da imortalidade da alma, que prega a ascensão ao céu ou a descida para o inferno, a parada estratégica no purgatório (ou mesmo a volta a vida como outra pessoa ou animal) ajuda a banalizar a vida humana. E ao contrário do que muitos imaginam, não é bíblica como dizem. Mas essa é uma discussão gigantesca, que não quero trazer agora. Quem sabe mais tarde conversemos sobre isso...

O que nos importa agora é repararmos o quanto somos únicos, e os outros que ao nosso lado vivem, e que estes importam mais do que as coisas que também nos rodeiam e gostamos. Repito meu conceito anterior: Quanto mais humanos, mas gostamos de gente.

Quinta-feira, Fevereiro 07, 2008

Brasil, o país do Carnaval – E da insegurança

Ano passado escrevi um comentário sobre nossa paixão pelo carnaval (http://contextomoderno.blogspot.com/2007/03/o-pas-do-carnaval.html) e como convertemos tudo em festa. Enquanto outros aspectos de nossa existência nacional são completamente obliterados em nome do entretenimento e da festança.

Acabo de ouvir (4 de Fevereiro) no Jornal da noite da rede Bandeirantes que o Carnaval carioca, o mais famoso do mundo, recebeu do governo federal um investimento de 15 milhões de reais, 5 milhões de reais do município e mais alguns milhões do Estado fluminense (não me lembro o valor direito, portanto não vou chutar). O que importa mesmo é o calculo feito pelo telejornal expondo a flagrante discrepância. O valor doado pelo governo brasileiro seria capaz de comprar 180 ambulâncias ou 900 viaturas militares para a sucateada policia carioca. Eu sei, eu sei. Não quero ser aquele que tira do povo sua única razão de festa e entretenimento, mas não me venha reclamar de tantos gastos fúteis do estado brasileiro com o que quer que seja, enquanto você pula inconseqüentemente em uma festa cujo único propósito é esquecer a realidade. Melhor do que esquecê-la não seria resolvê-la?

Vi também durante esse carnaval uma cena que nunca tinha visto em toda a minha vida, e acho que não verei em outro lugar do mundo... Nasci e morei no Rio de Janeiro, mas nunca estive presente em um período de Carnaval, portanto, não fazia idéia do que acontecia na cidade neste período. O que mais me impressionou foi o fato de ser o feriado mais sagrado da cidade. Nunca, em momento algum da cidade encontramos todas as lojas fechadas, até em shoppings. Nem mesmo durante o Natal ou Ano Novo, esses fenômenos ocorrem. Mas a cena mais assustadora que eu havia citado acima foi a presença de tapumes de madeira tapando todas as entradas, saídas e janelas de bancos. O que prova a ausência de todo o tipo de segurança para o local. Em outras palavras, o “mundo pára” durante este período do calendário. Incrível.

Me impressiono, também, com a capacidade de insatisfação da população com os gastos públicos, enquanto muitos dos gastos públicos são essencialmente causados pela própria população. Enquanto jogarmos lixo no chão, pularmos carnaval e votarmos mal, seremos sempre punidos com gastos absurdos em coisas fúteis ou que podem esperar, ou quem sabe ser substituídas por melhorias diretas para nossa vida como por exemplo: 900 viaturas, 180 ambulâncias ou melhorar os salários dos policiais e etc...

Não tenho nada contra a alegria e o entretenimento do povo, mas que isso não seja nossa prioridade, nem atrase nosso progresso. Talvez se focarmos em nossas reais necessidades hoje, possamos festejar mais amanhã.

Sexta-feira, Janeiro 11, 2008

"100" Razões para uma Vendetta


Para compensar minhas férias aí vão dois posts de uma vez. Feliz 2008 a todos!

"A vingança nunca é plena, mata a alma e envenena". Quem não conhece essa máxima ou é muito novo ou muito velho, ou talvez não gostasse de Chaves. Mas independente do apreço pelo velho seriado mexicano, todos nós temos algo em comum. O desejo de vingança. Natural e comum, ele nasce do desejo pessoal que todos tem em encontrar justiça. Mesmo aqueles que talvez neguem ao desejo de vingança a sua existência, por razões conceituais, morais ou religiosas, precisam assumir que estão reprimindo (ou já reprimiram em definitivo em algum momento anterior) um desejo automático, quase fisiológico.

O Cristianismo apela contra a vingança nas palavras de muitos autores incluindo Jesus. O argumento do Cristianismo é que cabe ao Juiz fazer justiça. Estes são os lideres e autoridades de nossas sociedades (Rom 13). Ou mesmo o Deus Criador (“A mim pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor”. Rm 12:19). Tudo bem, eu sei que toquei num ponto controverso aqui. Alguns duvidam da existência de Deus outros argumentam a favor da sua ausência em nossa realidade. Mas independente do que se pensa sobre Deus, encontramos na própria necessidade de justiça um estranho sentimento inato. Quem nos deu essa necessidade de justiça? Da onde ela vem? Por que o homem se atreve a sentir-se injustiçado? O fato é que sem Deus não encontramos muitas explicações para isso, Freud até tentou, mas C.S. Lewis derrubou seus confusos argumentos. Até o próprio Freud admitiu que “o impulso em direção ao ideal faz parte essencial de nossa constituição”. Mas deixando a questão do Teísmo de lado, foquemos no desejo de vingança.

5 Razões Por que a Vingança não compensa:

OBS: Usarei a Nomenclatura "Algoz" para o ofensor que merece receber a vingança e "Vítima" para o ofendido que deseja se vingar.

1 - Circula a injustiça viciosamente.

Quem é lesado sempre calcula uma parcela maior de justiça contra seu algoz. Isso é natural. Não queremos fazer ao outro exatamente o que ele nos fez, mas fazer um pouco mais. Essa semana vi na TV alguém dizer que “quem faz o mal recebe de volta em dobro”. Achei engraçado, quem foi que disse isso, de onde o locutor tirou essa idéia? O direito de milhares de anos tem se apoiado no antiqüíssimo e Hamurábico código replicado também pela Bíblia, do “olho por olho e dente por dente”. Mas parece que nossa sociedade moderna já tem se apropriado de um conceito de justiça que duplica a pena do algoz em nome da justiça. Esse é um bom exemplo de como temos a tendência de supervalorizar nossa dor e nosso desejo de vingança. O que aconteceria se alguém levasse a cabo a suas demandas pessoais de vingança?

É bem óbvio, o algoz, agora ferido “justamente” se acharia injustiçado pelo excesso de “justiça” e tentaria re-equilibrar a balança da justiça. Assim se inicia um circulo vicioso de destruição que só acaba com completa derrota de um dos dois algozes.

2 – Iguala os atuantes.

Sim, os dois são algozes agora, porque um é perpetrador do mal do outro. Se igualam por que um excede a causa de justiça do outro e ambos são transgressores da verdadeira justiça, que teimam em “defender” em nome de seus próprios interesses.


3 – Impossibilita a verdadeira justiça.

A dor intentada contra o algoz não surte o mesmo efeito nunca. Por exemplo, um amigo traído jamais conseguirá se vingar do ex-amigo na mesma forma e proporção necessárias porque ele simplesmente não é mais amigo do traidor. Isso muda tudo. Ninguém pode nos magoar mais do que quem amamos. Uma vez destruída a relação, não há a mesma confiança, não há sentimento de apreço, há uma relação de inimizade e o algoz provavelmente já estará aguardando uma digna retaliação o que tira todo o elemento surpresa e os efeitos devidos da ação contra ele. Afinal de contas, você sofre por que foi traído por quem amava, se você atacar agora, ele não sentirá a mesma dor porque já provou que não te ama. Retaliação nesse caso, é um tiro de chumbo comparado a uma bala de canhão.

Em alguns casos a vingança pode impossibilitar, definitivamente, a verdadeira justiça. Um exemplo disso é quando o marido se divorcia da mulher e ela por vingança tira tudo o que ele tem na justiça. O que parece ser justo, se demonstra injusto, porque o que ela perdeu foi uma afeição e tentou compensar com bens, o que pode ser um placebo imediato, mas que nunca preencherá o vácuo aberto pelo problema real: uma traição afetiva e não litigiosa. Uma traição afetiva só pode ser compensada justamente quando o algoz volta atrás e reconhece o verdadeiro valor da afetividade que ele pos a perder. Independente se a esposa aceitasse seu retorno ou não, a sua justiça é saciada pela compreensão de que sua perda afetiva não decorreu de um erro próprio, mas alheio. No entanto, quando a esposa resolveu o problema de sua vingança através da divisão dos bens, pode ter dado o material necessário para que o algoz nunca venha a reconhecer o valor de sua antiga relação. Podendo ainda, encontrar mais razões para racionalizar sua ação anterior. E a justiça nunca se fará real neste caso.

4 - Faz mal ao vingador.

É obvio que uma operação vingativa estressa tanto quanto realiza. A saúde sente tanto que existe uma antigo ditado que diz que o “ódio e um veneno que você bebe esperando que o outro morra”.

Outro fator importante é a inferiorização da vítima. Ora, se um idiota te agride, e você revida, você está agindo motivado pelas ações de um idiota, o que te faz um... idiota. Se eu me comporto de acordo com as ações de outro, estou dominado por ele. Em outras palavras, o vingador é dominado pelo algoz que dita suas ações. Podendo se tornar, inconscientemente, o perpetrador de suas emoções e decisões.

5 - Desequilibra o atuante.

Maturidade é a capacidade de lidar com perdas e ganhos. Se um rio recebe mais água que elimina, vai transbordar, isso é desequilíbrio. Se perde mais água do que recebe, seca, isso também é desequilíbrio. A consciência equilibrada entende que na vida há derrotas, perdas assim como ganhos e vitórias. Não se desesperar por uma perda, seja ela quão grande for, é uma atitude madura e equilibrada. Ter a consciência de que o mundo não acaba em uma perda é o essencial para se manter no jogo por muito tempo.

6 maneiras práticas de dominar o desejo de vingança:

1 - Entenda as 5 razões anteriores.
2 - Não deseje o mal, apenas a justiça, seja ela qual for, mesmo que diferente e independente do seu desejo.
3 - Lembre-se que toda justiça deve se aplicar em ambos os casos. Ou seja: coerência. Então aprenda você também a não se igualar ao seu algoz. Não espere de Deus uma justiça diferente para você e outra para o algoz.
4 - Seja paciente.
5 – Não perca seus pensamentos no assunto. Sem isto, será impossível superar a situação.

6 – Confie em Deus. Pra mim esse é o primeiro, mas para não gerar “pré-conceitos”, deixei aqui no fim da lista.

Por fim, esse não é nenhum "Guia Definitivo", nem falo com a autoridade de um terapeuta, falo apenas pela experiência própria. Para mim é menos complicado, resumo a questão em "deixar Deus ser Deus". É bem mais simples que tentar ser Deus no lugar dEle. Confio no verso 25 de Genesis 18: "Por acaso não fara justiça o Juiz de toda Terra"?

Mas pra você que não desiste dessa idéia de vingança, pense comigo... até hoje não conheci ninguém que tenha escrito um livro: "Me vinguei e mudei de vida" ou "Quem mexeu no meu queijo, morreu" ou quem sabe "O monstro e o Executivo". Já ví filmes e novelas fictícias contando belas histórias de vingança, mas quem que eu conheço que realmente se beneficiou com isso? Que história real demonstra o poder redentivo, restaurador e curativo da vingança? Talvez, no fim de tudo, a razão esteja com aquele velho ditado: "Vingança é um prato que se come frio". Afinal, o único objetivo de um prato frio, é saciar a fome.

Sexta-feira, Novembro 09, 2007

"Tiros na Finlândia" e o Poder das Idéias

Vídeo sobre o Assassino, o original foi tirado do ar.

Já está famoso na internet o vídeo de Pekka-Eric o mais novo assassino-suicida freqüentador de escolas de primeiro mundo. Em seu vídeo, publicado no You Tube ele diz: "sou um cínico existencialista, anti-humano-humanista, anti-social-darwinista e uma espécie de deus ateu"; "ódio, estou cheio dele e adoro-o"; "Sou a lei, o juiz e o executor, não há maior autoridade que eu".

Nessas horas me passa pela cabeça todos aqueles argumentos ateus contra o cristianismo medieval e suas, praticadas, loucuras anti-cristãs. Mas não vou me ater a isso, afinal, não é justo conceituar o ateísmo baseado nas ações de um ateu em particular, assim como conceituar o cristianismo baseado nos ensinos de um cristianismo em particular.

Mas o que eu gostaria de analisar aqui é o conteúdo da camiseta de Pekka-Eric. No vídeo ele aparece em uma foto, portando a arma e vestindo a camiseta que dizia “Humanity is Overrated” (algo como “A humanidade é supervalorizada”, ou “sobrevalorizada”). Com a intenção de demonstrar seu argumento Pekka-Eric, trata a humanidade segundo sua lógica (desvalorizando a vida, tanto a dele quanto a alheia). Os únicos afetados não são os mortos e feridos, mas sua própria família, amigos, amigos dos feridos e mortos, a Finlândia inteira, a Europa, a América e o mundo. Afinal, apesar de já estarmos nos acostumando com isso, nunca é natural e saudável receber esse tipo de informação não importa onde você viva.

“Humanity is Overrated” é um exemplo do que idéias são capazes. Uma idéia(ou melhor, duas, porque a idéia de "pandemônio escolar" não é nem nova, nem original) tirou a vida de 8 pessoas (felizmente, só não fez mais por falta de mira) e chamou a atenção do mundo todo. A sua idéia era clara e foi levada as últimas implicações.

Muitos questionam a influência da mídia sobre as pessoas, mas é muito evidente que as idéias carregadas por ela podem destruir ou construir. Não quero, nem de longe, por a culpa na Mídia pelo atentado, meu ponto aqui é demonstrar o poder e a eficácia de certas idéias em certos individuos. Mídia é meio, ela apenas carrega uma mensagem. A camiseta(meio) de Pekka-Eric carregava uma mensagem que fazia parte de sua cosmovisão e seu conteúdo foi um dos declarados (por ele) motivos de sua ação. Portanto pergunto: Quem deve ser o responsável pela mensagem? Quem assiste ou quem transmite?

Me parece que a lógica básica do “maior cuida do menor” que encontramos na vida (pai e filho, professor e aluno e nas leis de trânsito) deveria se repetir aqui. A mídia está cada vez mais especializada enquanto a audiência não evolui na mesma velocidade educacional. Em outras palavras, imputar à audiência a responsabilidade sob a mensagem é o mesmo que dar a camiseta para Pekka-Eric.

Alguns podem chamar isso de utopia, eu chamo de conscientização. Mas enquanto isso não acontece cuide, você, com as idéias a que se expõe.

Quarta-feira, Outubro 31, 2007

Dexter – Sintoma de uma Sociedade Doente

Atualizado em: 12/12/2007.
CUIDADO: SPOILERS!
Há pouco mais de um ano estreou na TV americana, pelo canal Showtime, o seriado Dexter. A idéia é no mínimo criativa e isso atraí a atenção e curiosidade de muita gente, principalmente aqueles já influenciados pela nova onda de seriados que surpreenderam o público por sua originalidade como Lost, 24 horas e Desperate Housewives.

Dexter, é um seriado para quem não tem estomago. Pra falar a verdade, é preciso não ter mais algumas outras coisas também... Eu sei que vou revoltar alguns fãs (talvez vão querer me esquartejar), mas é só por que são fãs que se sentirão assim. Já compraram a sandice como entretenimento. Preciso confessar aqui, para que fique claro aos leitores, que me entreti muito com a série também. Não foi atoa que assisti até boa parte da segunda temporada. Entretanto, basta uma breve analise nos argumentos e não se poderá escapar da sensação de vômito (perdoem minha falta de eufemismo). Dexter é um entretenimento irresponsável.

Imagine um menino adotado que se descobre um psicopata ao desmembrar animaizinhos. Seu pai, um policial de Miami, percebe e começa ajudar seu filho a lidar com o problema. Ele começa ensinando o menino a se portar e se encaixar na sociedade, dando a ele um conjunto de valores e códigos que ele segue por puro condicionamento. Como psicopatas não sentem emoções, é uma tarefa difícil para ele se adaptar. O pai logo descobre que não poderá conter os instintos de seu filho por muito tempo e decide ajudá-lo a canalizar esses impulsos. Ensina o seu filho a matar e não deixar rastros. E matar somente aqueles que “merecem”, ou seja, assassinos, psicopatas e serial killers, como ele mesmo. Só não é mais fascinante porque é sórdido. Dexter, trabalha na policia fazendo a analise de sangue das cenas do crime. Mas ele mesmo é um assassino que deveria ser preso e quem sabe até executado, pelas leis americanas. Ele espreita suas vítimas, sempre com o argumento absurdo de ter uma boa razão para isso, afinal de contas ele só mata parias da sociedade. Ele prepara a cena do crime, as amarra sem roupas com uma fita adesiva transparente, faz seu pequeno show, dando argumentos para a vítima e pro expectador, escolhe a arma (sempre objetos de corte ou perfuração) e inicia o que ele mesmo chama de “ritual”, executando com sadismo as vítimas. Que sempre saem de cena dentro de vários sacos. Dito isto, considere, esse cara é o herói da trama!

Alguns dos detalhes abomináveis que gostaria de ressaltar: A sua primeira vítima foi a mando de seu pai que estava hospitalizado e dizia que sua enfermeira o estava drogando até a morte. Boa desculpa, não? Não! Bem, ele pega a velhinha, coloca pelada na mesa ritual, faz ela implorar pela vida e depois enfia-lhe uma faca até que o sangue jorre em sua roupa. Outra cena interessante é quando ele vai matar um rapaz, que ele pensava ser um serial killer, que por sorte no último segundo, explica que havia sido traumatizado por um estuprador na infância e por isso o matou a facadas. Ele estava para fazer “justiça”, mas parece que não era bem justiça assim. E se o menino não tivesse tempo de avisar? Teria sido esquartejado. Detalhe, o rapaz já tinha passado alguns anos na cadeia, pagando pelo que fez. A última cena que me impressionou foi a de um casal de “coiotes”, que matavam os cubanos que não pagavam a taxa de libertação ao chegar nos EUA. Ele matou os dois juntos, um assistindo a morte do outro, ao som de gritos de “eu te amo”, o que é extremamente cruel, sem a menor cerimônia. Só pra você não esquecer, esse cara é o Herói!

Como se não bastasse, o pai de Dexter o ensina a ser furtivo com a desculpa de ensiná-lo a sobreviver a cadeira elétrica. Em suma, o código de valores do pai diz que se seu filho for um monstro, ainda que mate muitas pessoas tem de sobreviver. Ele irresponsavelmente cria um monstro e o solta na sociedade. Dexter por sua vez diz não poder controlar sua necessidade de matar, isso é uma desculpa pra seus impulsos. Também agradece a um psiquiatra que o tratou, por tê-lo ajudado a aceitar quem ele realmente é, o esquartejando em seguida. Você acha que um psicopata deveria conformar-se com sua situação? Dexter também obstrui a justiça, cometendo crimes sérios dentro da corporação policial, como implantar evidências. E espera sinceramente que um Serial Killer continue solto a matar mais pessoas para continuar com seu mórbido fetiche competitivo. A glamourização é tão grande que a ultima morte que assisti, foi ao som de musica. Ocorre então a banalização da morte. A filósofa americana Sissela Bok, da Universidade de Harvard, nomeia essa circunstância de “fadiga da compaixão”, “um estado de espírito que torna possível testemunhar a brutalidade com distanciamento, sem envolvimento” (Super Interessante, 7 de Junho de 1999, p.p. 21).

Por fim, me pergunto, por que a sociedade americana se permite esse tipo de entretenimento? Por que num lugar onde pessoas pegam em armas e promovem o inferno, entretenimentos desse tipo são criados? Por que na terra dos serial killers esse tipo de entretenimento é impunemente promovido? O que garantirá que reprimidos psicopatas não saiam do armário, com boas desculpas para canalizar seus impulsos? Com tanta glamorização da sociopatia o que os impedirá? Talvez aquele que não soube do seu problema possa se reconhecer na tela, e em vez de buscar ajuda, tente se resolver como Dexter o faz. Sem ajuda profissional e cometendo crimes hediondos. Assim como pessoas normais são influenciadas pelo glamour da mídia, talvez, com quase certeza, psicopatas adormecidos não acionem algum botão que lhes destinará a reviver as “aventuras” de Dexter. Até porque, o personagem faz questão de ser desafiador e desafiar outros serial killers. É muito fácil se perguntar: “Quem será o melhor Serial Killer?” Pelo que aprendi do seriado, eles adoram competição. Numa competição de Serial Killers, quem você acha que vai sair perdendo? Engraçado, não fosse trágico e doentio. Eu já assisti mais do que deveria, pra mim chega!

Sexta-feira, Setembro 21, 2007

Quem vence é quem perde ou quem ganha?


Nesse post quero apenas recomendar a leitura de um post em outro blog referente ao ocorrido no Jogo Nottinghan Forest X Leicester City na Inglaterra. Pela primeira vez na história um time iniciou a partida permitindo deliberadamente que o goleiro do outro time fizesse o gol. Porque? Espírito esportivo. Ou foi Altruísmo? Essa história é sensacional.

Dê uma checada em http://nacontramaodopensamento.blogspot.com

Segunda-feira, Setembro 17, 2007

A morte da esperança II – O Homem não é a solução?

Nesta última semana o Youtube publicou a Premiere mundial do novo clipe musical do grupo Matchbox20, chamada “How far we’ve come”(Quão longe nós chegamos). Não importa se você gostou do som da música, mas a letra que é realmente profunda. Fala sobre o mesmo assunto que nós estávamos conversando antes. O fim da esperança para a humanidade. Não importa também se estamos falando de fim apocalíptico, guerras nucleares ou aquecimento global, o mesmo comportamento Entrópico é bem notado por todo mundo.

Preste atenção na letra que reconhece a situação solitária do homem pós-moderno e niilista (pode não ter ninguém para se despedir) e nas imagens de fundo. Você verá as grandes conquistas da humanidade assim como uma alusão a nossos grandes fracassos. Então, no último coro, vemos no fundo o símbolo universal de alegria e comemoração: Fogos de artifícios enquanto ouvimos sair da boca do grupo palavras de antagonismo em forma de ironia. Em outras palavras, nós estamos “fingindo” ser gloriosos, entretanto “Vamos ver quão longe chegamos”. Segue a letra, porcamente traduzida por mim:


Estou andando no inicio do fim do mundo,

Mas está parecendo como uma manhã qualquer anterior,

Agora me pergunto: O que minha vida vai significar depois que acabar?

Os carros se movem como a 1 quilometro por hora

E eu comecei a olhar para os passageiros que acenavam “adeus”.

Você pode me dizer o que, algum dia, eu tive de especial?


Coro:
Mas eu creio que o mundo está ruindo ao chão

Oh bem, I acho que já vamos descobrir

Vamos ver quão longe chegamos

Vamos ver quão longe chegamos

Bem eu,creio, que tudo, está caminhando para um fim

Oh bem, eu acho, que vamos todos fingir,

Vamos ver quão longe chegamos

Vamos ver quão longe chegamos


Eu acho que já deu 10 horas, mas eu realmente não sei

Então não consigo me lembrar de ter sido atencioso uma hora ou mais

Comecei a chorar e não podia parar

Comecei a correr, mas não havia para onde correr

Sentei na rua e dei uma olhada em mim mesmo

E disse: Aonde está você está indo homem?

Você sabe que o mundo está condenado ao inferno

Diga adeus, se tiver alguém para dizer adeus

[Coro]

Se foi baby, tudo se foi

Não há ninguém nenhum apoio e ninguém está em casa

Foi legal, legal, foi tudo legal

Agora acabou pra mim e acabou pra você

[bis]


Mas eu creio que o mundo está ruindo ao chão

Oh bem, I acho que já vamos descobrir

Vamos ver quão longe chegamos

Vamos ver quão longe chegamos

Bem eu,creio, que tudo, está caminhando para um fim

Oh bem, eu acho, que vamos todos fingir,

Vamos ver quão longe chegamos

Vamos ver quão longe chegamos

Vamos ver quão longe chegamos

Vamos ver quão longe chegamos

Vamos ver quão longe chegamos

Vamos ver quão longe chegamos

Vamos ver quão longe chegamos

Vamos ver quão longe chegamos

Vamos ver quão longe chegamos

Quinta-feira, Setembro 13, 2007

Heróis em decadência – o fim da esperança

Tenho notado e me irritado muito com a forma como os heróis tem sido retratados atualmente. O renascimento dos heróis no cinema e nas séries de TV é apenas uma ilusão. Eles estão morrendo. Todos os últimos filmes de heróis lançados, apenas uma coisa foi comum a todos. O pensamento pós-moderno e a desesperança. Todos os heróis hoje são menos heróis, mais humanos (mesmo não sendo terráqueos), cheios de defeitos e com crises existenciais.

Não sei se ainda se lembram, mas o objetivo do herói sempre foi inspirar integridade, moralidade, valores e a esperança de que alguém nos salvará de nós mesmos. Entretanto, os heróis agora são mais um de nós. Não são mais íntegros, veja por exemplo Superman. Ele usa seus poderes para espionar e invadir a privacidade de Louis Lane, sua ex-mulher, agora casada com outro homem. Não bastasse isso, ele imoralmente alicia e a coloca em situação de traição a seu marido atual. Ainda no mesmo filme, o filho de 5 anos de Superman, mata um homem. Tudo bem, você pode dizer que ele merecia, mas e daí? Uma criança de 5 anos tem o poder de julgar quem vive e quem morre agora? E se ele fez sem querer, onde está a responsabilidade de quem tem poder? Essa segurança sempre nos foi dada pelos heróis que nos protegiam daqueles que irresponsavelmente usam seu poder.

Pense em qualquer filme atual, de X-Men à Tartarugas Ninja, de Rocky VI a Rambo 4, todos tiveram crises de existência em que seus poderes lhes representavam um peso muito grande e dificultavam de alguma forma no cumprimento de suas tarefas de salvar o mundo. Por que nossas novas histórias são assim? Porque queremos aproximar essas histórias da verdade ou porque estamos cada vez mais descrentes em tudo? Parece que a segunda lei da termodinâmica se faz presente até em nossas idéias e criações. Podemos ver na musica do grupo Norte-americano Nickelback, entitulada “Hero”, onde o compositor afirma não esperar mais um salvador:

“And they say that a hero can save us. Im not gonna stand here and wait… Someone told me love will ALL save us. But how can that be? Look what love gave us.
A world full of killing, and blood-spilling That world never came”.

“E eles dizem um herói pode nos salvar. Eu não vou ficar parado aqui e esperar...Alguém me disse que o amor irá nos salvar a todos. Mas como pode ser?

Olhe o que o amor nos deu. Um mundo cheio de assassinatos e derramamento de sangue. Aquele mundo nunca veio”.

Enquanto continuarmos olhando para o nosso umbigo só encontraremos defeitos e desapontamento. Super-Heróis não existem, mas não sei até que ponto deixar de aguardar por uma intervenção salvífica externa nos esta sendo útil? Cansamos de esperar ou estávamos olhando pro lado errado esse tempo todo? E se houver salvação fora da nossa superficial realidade? E se?... A ciência não tem a resposta, a religião diz que tem. Até onde você já investigou essa hipótese? Precisamos de esperança, não uma falsa esperança, rejeitamos isso (por isso humanizamos os heróis), mas uma verdadeira esperança. Você acha que isso existe? Eu creio que sim.

Devemos aceitar o finito desapontamento, mas nunca perder a infinita esperança.

Martin Luther King Jr.

Terça-feira, Agosto 21, 2007

Se te queres matar - Álvaro de Campos

Álvaro de Campos (um dos heterónimos de Fernando Pessoa) escreveu esse poema no mínimo impressionante. O texto é extremamente pragmático e analisa com frieza e razão as implicações de um suícidio tanto como motivação, como em eficiência. Porém é preciso fazer uma ressalva. O texto não é cristão. E por isso, ignora uma realidade do cristianismo que faz toda a diferença. Deus nos valoriza, temos valor e importancia para Ele. A ponto tal que morreu por nós, para que essa realidade descrita não fosse a verdade. Mas se você não crê em Deus, esse texto é um convite a reconsideração, pois qual é a esperança daquele que não vê sua origem significativa, proposital e valorizadora? Qual é a Esperança? Não há esperança! Não sem Deus. Porque o fim será apenas o narrado abaixo. Nada mais. Só mais um detalhe, não entenda que defendo a imortalidade da alma, ou qualquer desses pensamentos retributivos de céu e inferno imediatamente após a morte.

Espero sinceramente que esse Ode ao suicídio seja mais um convite a reflexão sobre a vida e seu real sentido do que uma pessimista visão de mundo. Há esperança em Deus. Para onde a vida segue sem Ele? A resposta esta na insinuação do poema...

"Se te queres matar, porque não te queres matar?Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,Se ousasse matar-me, também me mataria...Ah, se ousares, ousa!De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas A que chamamos o mundo?A cinematografia das horas representadasPor actores de convenções e poses determinadas,O circo polícromo do nosso dinamismo sem fim?De que te serve o teu mundo interior que desconheces? Talvez, matando-te, o conheças finalmente...Talvez, acabando, comeces...E de qualquer forma, se te cansa seres,Ah, cansa-te nobremente,E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,Não saúdes como eu a morte em literatura! Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...Sem ti correrá tudo sem ti.Talvez seja pior para outros existires que matares-te...Talvez peses mais durando, que deixando de durar... A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantadoDe que te chorem?Descansa: pouco te chorarão...O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,Quando não são de coisas nossas,Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte, Porque é a coisa depois da qual nada acontece aos outros...Primeiro é a angústia, a surpresa da vindaDo mistério e da falta da tua vida falada...Depois o horror do caixão visível e material,E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali. Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,Lamentando a pena de teres morrido,E tu mera causa ocasional daquela carpidação,Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...Muito mais morto aqui que calculas, Mesmo que estejas muito mais vivo além...
Depois a trágica retirada para o jazigo ou a cova, E depois o princípio da morte da tua memória. Há primeiro em todos um alívio Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido... Depois a conversa aligeira-se quotidianamente, E a vida de todos os dias retoma o seu dia... Depois, lentamente esqueceste. Só és lembrado em duas datas, aniversariamente: Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste; Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada. Duas vezes no ano pensam em ti. Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram, E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti. Encara-te a frio, e encara a frio o que somos... Se queres matar-te, mata-te... Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência!... Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida? Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera As seivas, e a circulação do sangue, e o amor? Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida? Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem. Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma? És importante para ti, porque é a ti que te sentes. És tudo para ti, porque para ti és o universo, E o próprio universo e os outros Satélites da tua subjectividade objectiva. És importante para ti porque só tu és importante para ti. E se és assim, ó mito, não serão os outros assim? Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido? Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces, Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial? Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida? Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente: Torna-te parte carnal da terra e das coisas! Dispersa-te, sistema físico-químico De células nocturnamente conscientes Pela nocturna consciência da inconsciência dos corpos, Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências, Pela relva e a erva da proliferação dos seres, Pela névoa atómica das coisas, Pelas paredes turbilhonantes Do vácuo dinâmico do mundo..."

Domingo, Junho 24, 2007

A Glória do EU

Quantas vezes você já viu atores, atrizes, artistas em geral ou mesmo pessoas que estão se candidatando a algum trabalho se descreverem como pessoas “determinadas”? Eu já me cansei de ver. Em quase toda definição pessoal ou traço de perfil hoje é possível encontrar palavras sinônimas como: “persistência, tenacidade, determinação, força de vontade” e etc...

Apesar de já ter me familiarizado com essa prática moderna de se auto definir foi uma brincadeira com um amigo (José Rodrigues Jr.) a respeito desse clichê emergente que me levou a procurar perfis de pessoas famosas na Internet. Não foi preciso perder tempo ou procurar demais, o primeiro perfil que encontrei tinha “como característica mais marcante” a não menos famosa “Determinação”. A busca prosseguiu e enquanto conversávamos pelo telefone nos admirávamos de quão comum era a presença dessa característica nas pessoas. Selecionei um bom exemplo para quem quiser se divertir com esse clichê também, segue o link dos 16 candidatos do programa “Aprendiz 4 – O Sócio” da Rede Record, com as auto-definições de cada candidato (http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u70802.shtml) .

E eles ainda não eram famosos quando se descreveram, o que indica o quanto que essa prática tem influenciado a todos dentro ou fora do contexto artístico. Talvez o contexto artístico nem seja o pai dessa definição como sendo a característica mais importante de um ser humano, mas com certeza eles são os maiores propagadores dessa idéia. Mas da onde vem essa tendência? Porque as pessoas precisam dizer hoje que são determinadas? Qual a vantagem