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Quarta-feira, Julho 02, 2008

Do jeito que o diabo gosta!

Recentemente adquiri um livro cuja leitura tem me cativado demais. “Cartas de um diabo a seu aprendiz” de C.S. Lewis (Crônicas de Nárnia). Ele é sem dúvida um dos grandes apologetas cristãos se não for o maior do Século XX (na minha opinião), dedicou essa obra cômica da ironia cristã a seu amigo J.R.R. Tolkien (O Senhor dos Anéis). Neste livro bem humorado, mas de assustadora profundidade, C. S. Lewis expõe a comunicação (via cartas) entre Fitafuso, um diabo, e seu sobrinho Vermebile, um diabo jovem e novato na “arte da tentação”. Fitafuso tem como missão, ensinar a seu sobrinho as melhores maneiras de fazer o homem cair em tentação, ou melhor, ficar longe de Deus, O Grande Inimigo dos demônios.

No sétimo capitulo do livro em questão encontramos uma interessante parte da conversa que eu gostaria de comentar. Segue abaixo na integra o primeiro texto do capítulo mencionado. Meus comentários serão acrescentados em cor amarela e dentro de colchetes.

“Querido Vermebile,


Espanta-me que você ainda me pergunte se é mesmo essencial manter o paciente na ignorância quanto a nossa existência. Essa sua pergunta, pelo menos no pé em que nos encontramos, já foi respondida pelo Alto Comando. Nossa política, no momento atual, é de nos mantermos ocultos. Claro que nem sempre foi assim. No momento, enfrentamos um cruel dilema. Quando os humanos não acreditam na existência de demônios, não temos mais os agradáveis resultados do terrorismo direto e não podemos ‘produzir’ nenhum mago. Por outro lado, quando acreditam em nós, não podemos transformá-los em materialistas e céticos.
[Aqui temos uma importante constatação, para que sejamos materialistas e céticos é preciso ignorarmos qualquer contexto espiritual. Qualquer evento de natureza sobrenatural. A doutrina do materialismo e o comportamento cético não pode existir se não houver a negação da realidade espiritual. Mas o que me impressionou realmente, e demonstrou tanto a profundidade de C.S. Lewis, quanto a mente muito a frente de seu tempo é o que vem a seguir] Pelo menos não por enquanto. Tenho grande esperança de que, no devido tempo, aprenderemos como tornar a ciência dos homens emocional e mítica a ponto de passarem a desconfiar daquilo que na verdade é a crença na nossa existência (embora não sob esse nome) ao mesmo tempo que suas mentes se mantêm fechadas para o Inimigo[Jesus]. A ‘Força da Vida’, a veneração do sexo e outros aspectos da Psicanálise podem ser bastante úteis nesse sentido. Se pudermos produzir nossa obra perfeita – o Mago Materialista, o homem que não apenas utiliza mas que na verdade venera aquilo que dá o nome vago de ‘Forças’, ao mesmo tempo que nega a existência de ‘espíritos’ -, então saberemos que a batalha chegará ao fim. [Note que ele compreende a tendência de incutir a ciência em nossa dimensão espiritual. Ele sabia que cedo ou tarde a usaríamos para preencher o vazio e a necessidade espiritual. Veja o livro/filme “O Segredo” que nada mais é do que um modo mítico de ver a ciência, usa-se a física quântica para racionalizar o sobrenatural, assim como o filme “Quem somos nós”. O “Mago Materialista” é exatamente o que a doutrina de “O Segredo” está criando. Seres que usam, supostamente, sua racionalidade e o conhecimento cientifico para alcançar um poder que sempre foi supostamente sobrenatural objetivando apenas o materialismo. Isso me espanta demais, porque Lewis escreveu tudo isso no período da Segunda Guerra Mundial! Como ele sabia que chegaríamos a esse ponto tão cedo? Estamos caindo na armadilha, exatamente como ele entendeu que cairíamos.

As quartas-feiras a noite no canal Discovery Channel (que se supõe, promova conteúdo estritamente cientifico, você poderá assistir um programa ou mais cujo tópico são eventos sobrenaturais que não podem ser explicados pela ciência. Ou seja, há um enorme desejo de se entender e provar o mundo espiritual, mas já caímos na primeira armadilha, não cremos no demônio e seus comparsas e por isso achamos q eles não existem. Somos já materialistas e céticos, é possível que você tenha facilmente torcido o nariz com essa minha ultima frase. Mas o duro é que estamos caminhando para a segunda armadilha também, e já estamos nos tornado Magos Materialistas, tudo porque negamos o óbvio.]


Enquanto isso devemos obedecer sempre às ordens que nos são dadas. Não acho que você terá muita dificuldade para deixar o seu paciente na mais perfeita ignorância. O fato de ‘demônios’ serem predominantemente figuras cômicas na imaginação dos homens modernos será de grande ajuda. Se a menor suspeita da sua existência começar a surgir na mente dele, evoque a imagem de um ser trajando roupa colante vermelha, e convença o de que, já que ele não pode mesmo acreditar numa coisa dessas, ele não pode, portanto, acreditar na sua existência. Este é um método antigo para confundi-los, tirado de um velho manual”.

Sexta-feira, Fevereiro 22, 2008

A Biologia do—NÃO—Amar

A Newsweek desta semana 17/02/2008 publicou uma matéria com o Título acima. É de Sharon Begley. E valeu à pena traduzi-lá. Fala de algo que eu já havia percebido, mas fico feliz quando vejo veículos seculares argumentando contra sí, ou melhor, contra o secularismo galopante, regado a super-valorização excessiva da ciência, tentando enfiá-la em lugares que ela não deveria entrar. E concluindo, francamente, apenas aquilo que seus pesquisadores desejam enxergar. Uma ode contra os reducionistas materialistas. Analisem e comentem.


Sharon Begley

Em geral, foi provavelmente um erro permitir que cientistas se aproximassem em qualquer nível de assuntos como amor e desejo. Assim como analisar uma piada a elimina, analisarmos o porquê nos apaixonamos por aqueles que amamos estava destinado a acabar mal. Considere a idéia de que professores mais velhos atraem suas estudantes jovens, porque jovens mulheres são geneticamente programadas para se apaixonar por pessoas de alto-status, homens ricos. Ou ainda, homens mais velhos que são supostamente mais atraídos por jovens férteis.

Resultado: quando nosso esposo cinquentão dorme com uma aluna, a culpa, caro Brutus, não reside nas estrelas ou no caráter ou na bússola da moral, mas no DNA.

Não é de se admirar que explicações reducionistas para o comportamento—especialmente como em “My genes made me do it (Livro não lançado no Brasil, porcamente traduzido seria algo do tipo “Meus Gens me fizeram fazer”)—são tão populares: elas nos deixam animados. Escolheu mal aquele com quem você foi pra casa na última noite? Compreensível; você foi arrastada pelos ferormônios dele. Infiel? Não é sua culpa; culpe os genes que programam os homens a espalhar amplamente sua semente por aí. Exceto para alguns casos mais mundanos que invocam um pensamento e sentimentos mais antigos, em vez de permitir que seus genes inconscientes te levem para uma nova geração, sejam mais plausíveis.

Pegue a dança de colo (lap-dance) como exemplo. No último ano cientistas perguntaram a 18 stripers para tomar nota de quantas horas trabalharam, quanto ganharam em gorjetas e quando estavam ovulando, menstruadas ou nenhum dos dois. Quando ovulando, fase do ciclo mensal quando a mulher está mais propensa a engravidar, as stripers faturaram uma média de U$335,00 por um turno de cinco horas. Comparado aos U$185,00 quando menstruada. A razão, concluíram os (homens) cientistas, é que a mulher fértil emite sinais que ela está psicologicamente madura para engravidar. Homens são, supostamente, geneticamente programados para detectar esse sinal –visto que ser arrastado a uma mulher fértil é algo evolutivo e que a seleção natural favorece—e para se comportar de certa maneira (geralmente dando gorjetas) para ganha-la.

Deixando de lado o elemento fantasia, a explicação possui alguns problemas. Primeiro, não há boas evidências que homens podem detectar ferormônios, hormônios ou qualquer outra molécula mágica que revela quando uma mulher está ovulando. Também, mesmo que tais moléculas mágicas existam, há uma explicação mais simples para o porquê de homens darem maiores gorjetas a stripers que estão ovulando, uma explicação que não necessita invocar os impulsos genéticos inconscientes. Mulheres sentem-se mais sexy quando ovulam. Apenas um palpite, mas talvez a striper que se sente mais sexy deve conceder uma dança de colo mais digna de uma gorjeta do que uma que se sente desconfortável durante sua menstruação. Se é assim, diz David Buller da Nothern Illinois University, autor de um livro de 2005, “Adapting Minds” (Mentes Adptantes), que questiona as explicações evolucionárias de comportamento complexo, “a dança de colo pode ser [mais atraente] ao cliente, então ele ira dar mais gorjetas”.

Numa linha de explanatória similar, mulheres em muitos estudos dizem que seus maridos ou amantes são mais atenciosos e amorosos quando elas estão ovulando. Isso também, supôs-se, que reflete a habilidade masculina, afiada pela seleção natural, de detectar sinais (ferormônios, hormônios ou o que seja) que indicam quando o sexo está mais propenso para conceder filhos. Filhos são como a evolução mantêm seu placar; genes que geram comportamentos que geram filhos—neste caso, para detectar um período fértil feminino—e sobreviver ao processo brutal da seleção natural. Mas, novamente há uma explicação mais simples para o porquê homens ativam o charme quando suas parceiras estão ovulando, e nos lança de volta para as stripers. Ovulação aumenta a libido. Uma mulher libidinosa esta mais propensa a enviar sinais—leitores são convidados a proverem seus próprios exemplos—que a fará ser receptiva a afetos. De novo, nenhum gene nos controlando como marionetes. Um coração amoroso e um cérebro em uso são suficientes.

O gosto dos homens por mulheres é também, supostamente um reflexo evolucionário de seleção, e para mostrar que os genes tem nossos comportamentos e preferências em sob uma curta coleira. Especialmente, homens que preferem grandes seios e quadris largos, dizem as escolas de pensamento, porque estes são sinais de fertilidade. Um homem que escolhe uma fêmea fecunda é mais propenso a produção de sua prole—o que mede o sucesso evolutivo—do que um homem que é atraído a sistemas reprodutivos pifados. Dois problemas aqui. Não há evidência empírica que mulheres cuja forma se desvia do ideal “Barbie” são menos férteis. Também, diferentes sociedades em diferente tempos tem idolatrado formas muito diferentes do corpo feminino. A mulher da Renascença não é nem um pouco parecida com o ideal de 2008, diz, Angelina Jolie. Genes não evoluem tão rápido para contar essa mudança no gosto masculino. Algumas preferências estéticas, incluídas num parceiro, são dirigidas pela cultura, não pelo DNA.

Quando Anna Nicole Smith (27) casou com J. Howard Marshall (89), muitos dos cumprimentos recebidos foi pelo reconhecimento de que o DNA programa a mulher para procurar homens velhos e ricos, e homens para encontrarem mulheres jovens, e férteis. Por favor! Dêem a moça algum crédito por racionalmente avaliar os benefícios de casar com um incontinente octogenário multimilionário. Além do mais, quando é perguntado a um homem de 50 anos qual a idade preferida da parceira, a maioria estabeleceu em 40 anos ou mais, não 25, mesmo sabendo que a mulher mais nova é mais fértil. E em média, mulheres de 25 anos dizem que seu cara ideal tem 28 anos, mesmo sabendo que um homem de 50 anos está mais propenso a ter status e $401.000,00, que a explanação evolucionária diz que as mulheres estão programadas a ansiar. Neste Valentine´s Day (Dia dos namorados nos EUA), vamos celebrar todas as formas que nossos corações e mentes, não nosso mindless (“sem mente”) DNA, nos guia nos caminhos do amor.

Sexta-feira, Outubro 19, 2007

“Perdendo os critérios” – Ciência Moderna

Estive presente no I Seminário Internacional do Jesus Histórico na UFRJ. O convidado principal não foi ninguém menos que John Dominic Crossan, fundador do Jesus Seminar e um famoso acadêmico no estudo do Jesus histórico. É criticado por alguns quanto ao seu método, que parece ser o tendão de Aquiles de suas conclusões.

O seminário foi enriquecedor e espantoso. Espantoso porque descobri algo que não imaginava ter chegado ao ponto que chegou. A ciência está perdendo os critérios. Na busca de um discurso cada vez menos dogmático duas implicações devastadoras estão surgindo em direção ao método cientifico. 3 foram os casos analisados.

1 – Alguns pesquisadores escolheram citar textos de Jesus como sendo históricos e a outros textos do mesmo Jesus descartaram com base apenas no senso comum atual. O que não faz o menor sentido, tendo o texto sido escrito para uma audiência do I e II séculos d.C. Em outras palavras o que Cristo diz que corrobora suas idéias se sustenta sobre o Método Crítico Histórico, mas os textos irrelevantes para a idéia principal do pesquisador, ou mesmo que se oponham a ele, são descartados sem o menor critério.

2 – Outros pesquisadores basearam suas “descobertas cientificas” em fatores completamente hipotéticos. E ao menos, responsavelmente, assumiram tal dependência de hipóteses construídas sem evidência suficiente. Ou seja, estabeleceram todo uma pesquisa em bases instáveis (por não haverem comprovação alguma, apenas hipóteses teóricas) para concluir, no fim, aquilo que só poderia ser possível se comprovado fosse a hipótese, não provada, da base desta pesquisa. Assustadoramente especulativo.

3 – Por fim, o pior e mais medonho dos argumentos metodológicos da ciência que presenciei no evento: Mais de um dos palestrantes fizeram alusões ao pluralismo de idéias, a inexistência de verdades absolutas, mas verdades subjetivas. A materialização máxima do discurso anti-dogmático. “A ciência não pode ser dogmática”? Isso é uma grande ilusão pós-moderna. Afinal de contas quando se diz que a Ciência não pode ser dogmática, ou que não há verdades absolutas, ou que todas as verdades são subjetivas, então, estamos dogmatizando e estabelecendo a pluralidade de idéias como uma verdade absoluta (o que é extremamente contraditório com a própria proposta pluralista). Em outras palavras, não existe anti-dogmaticismo, mas sim oposição aos dogmas discordantes. O argumento do pluralismo não se auto sustenta. Um rio sempre tem 2 margens, não há como encontrar uma terceira.

O que nos traz a última das implicações desse discurso, a Ciência ficou sem critérios por não admitir a absoluta verdade. Embora esse discurso se baseie na constante evolução do conhecimento e das verdades cientificas no decorrer do tempo (aquilo que era verdade 50 anos atrás, hoje pode ser motivo de escárnio). Isso também é uma falácia, porque não se pode combater mentiras se elas não se posicionarem como verdades. A doutrina do pluralismo de idéias condena as boas idéias a se misturarem com más que nunca serão desmascaradas por nunca terem se apresentado como verdades incontestáveis. Faz parte do processo evolutivo cientifico que uma verdade se levante como absoluta para ser posta a prova e, se possível, seja combatida e substituída.

Há um outro fator problemático na questão de por especulações em posições de verdades cientificas para serem postas a prova. Como sua base é inconsistente, mesmo que resistam anos, serão frutos de estudos que não se saberá, talvez nunca, a relevância do tempo despendido nessa pesquisa. Ou seja, uma grande, e irracional, perda de tempo.

No fim esse é um problema encontrado nos egos humanos que não desejam ser contrariados, e prefere admitir verdades alheias como válidas desde que não se invalide a própria. Mas deixando de lado essa profundidade filosófica veja que a ciência está se transformando naquilo que mais odiou e repudiou desde seu nascimento. A fé cega. Fé cega na ciência. A mesma fé cega que a desconectou definitivamente da religião. Faz-se declarações “cientificas” baseadas em especulações infundadas, sem comprovação e tão relativas que me pergunto qual a relevância delas? Qual a relevância de pesquisas cientificas se a verdade absoluta não existe? Se o que ficará concluído é fruto da subjetividade da mente do pesquisador? Qual o objetivo da Ciência? Assim que a ciência reparar para o buraco que está descendo e começar a se fazer essas perguntas, quem sabe não vá sofrer uma crise de descrédito como o que a Religião vive hoje? Quem sabe não se auto-destrua? Espero que não. Mas não vejo relevância em argumentos subjetivos e especulativos, você vê?

Sexta-feira, Setembro 21, 2007

Quem vence é quem perde ou quem ganha?


Nesse post quero apenas recomendar a leitura de um post em outro blog referente ao ocorrido no Jogo Nottinghan Forest X Leicester City na Inglaterra. Pela primeira vez na história um time iniciou a partida permitindo deliberadamente que o goleiro do outro time fizesse o gol. Porque? Espírito esportivo. Ou foi Altruísmo? Essa história é sensacional.

Dê uma checada em http://nacontramaodopensamento.blogspot.com

Quarta-feira, Agosto 29, 2007

E se o homem pudesse criar vida?

Grande problema ele criaria. Eu estava lendo um tópico em outro blog (http://1001gatos.org/uma-definicao-definitiva-de-vida/) sobre o sonho da Ciência de criar vida em laboratório. De fato, o sonho é bem mais incrível. Queremos criar vida de matéria inorgânica. Isso seria impressionante, mas seria possível? Parece que encontramos no silício o melhor substituto para a matéria orgânica, composta de carbono, para a criação da vida.

Ok, legal, mas quais são os efeitos de um feito destes? Eu não quero falar sobre o processo de clonagem aqui, mas essa foi a primeira barreira que tentamos cruzar. Alguns cientistas gostam da idéia, outros odeiam. E isso nos traz um ponto de vista bem interessante sobre o assunto. Siga-me. Francis S. Collins, Diretor do projeto Genoma, disse em uma entrevista a revista VEJA esse ano que não via na clonagem nenhuma soma positiva e que no fim só nos odiaríamos mais e nos sentiríamos mais sujos e culpados por a termos feito. Eu tenho que concordar com ele. As questões éticas que podem se levantar desse caso estão além da nossa capacidade de lidar com elas. Todo o mundo seria abalado por isso. A própria essência de nossa existência seria posta em uma séria discussão.

Então, e quanto a criação de vida? Eu acho que você já entendeu o quadro. As questões éticas concernentes a criação de vida são ainda mais profundas que as da clonagem. Imagine as questões mais superficiais que surgiriam: O que esse ser será? Qual o significado de sua existência? O que deveríamos ser para ele, Mestres, deuses, país, irmãos? Se são nossa criação, são nossa responsabilidade, deveríamos então garantir sua existência? Ele seria livre? E a lista é infinita.

Se a última pergunta foi respondida positivamente, então isso indica que nossa criação pode nos dar as costas! Significa que teria o direito de lutar contra nós, odiar-nos, culpar-nos, fazer exatamente o que fazemos com Deus. Se você não crê em Deus, é exatamente esse direito de livre-arbítrio que seria garantido a nossa criação. Eu sei que estamos falando sobre uma forma de vida inteligente, e eu sei que não começaria assim, mas com certeza esse é o fim desejado. Embora possa ser apenas como um animal no começo, mesmo assim, não importa que forma de vida possuísse, levantaria questões éticas além do conhecimento sobre nossa própria existência. Ao menos o que cientificamente sabemos sobre nossa existência, origem e razões de existir.

Não parece óbvio que com todas essas questões éticas, e necessidade de conhecimento, a ciência e a religião deveriam deixar seus preconceitos para trás e iniciar uma busca das respostas necessárias? Religião não tenta mais negar a ciência, isso foi no período Medieval. O que temos hoje são maus religiosos e má ciência. De ambos os lados há dogmatismo e preconceito. Um lado só vê os podres do outro, mas a sociedade continua sem as respostas. A ciência tem ido muito longe ignorando o poder e a legitimidade da religião, mas cedo ou tarde ela terá de encara-lá novamente. Não importa quão avançada ela esteja. E se a religião tiver a resposta? Eu não estou falando de um sistema religioso, mas do conteúdo de uma religião. Não acha intransigente negar essa possibilidade? No entanto, o contrário também se aplica.

Maus cristãos são como maus cientistas. Humanos são imperfeitos em todo lugar. Até Richard Dawkins é antipático, arrogante e dogmático, igual a George W. Bush. Mas esse é outro tópico.

Quinta-feira, Agosto 31, 2006

Política e Religião se discutem!

Ao contrario do que é comumente dito e propagado na sociedade. Religião e política devem ser discutidos sim. Alguns argumentam que a questão aqui é preferência e preferência não se discute. Isso é verdade. “Gosto” é como cada individuo percebe a realidade ao seu redor. Isso não determina a realidade. A verdade não pode ser encontrada através do gosto, sentimento ou sentido de um individuo. Posso apenas entender como esse individuo sente o mundo; sente a realidade. Mas o fato é que existe uma verdade absoluta. Independente do que sentimos ou preferimos. Existe “A” verdade. Ou essa frase não seria verdade. E sua negativa seria auto-excludente (“Não existe verdade” não pode ser verdade, pois é uma afirmação falsa em si mesma).

Sendo assim, me atendo apenas ao aspecto político, há um candidato ideal. Um desses candidatos tem de ser o melhor para o país. Por pior que ele seja. É preciso descobrir quem é este personagem o mais precisamente possível, pois disso depende nosso futuro e bem-estar. Assim como na religião – o caminho errado te leva pro lugar errado – na política, o político errado...

Então como descobrir então qual o melhor? Iremos utilizar aqui o método mais aceito e preciso para encontrarmos a verdade sobre o que podemos tanger em nossa realidade. A razão. Empirismo? Talvez. “Talvez” porque nem sempre fazemos bom julgamento dos fatos. Sempre que isso ocorre é culpa de nossas emoções. Elas nos impedem de vermos a realidade como ela é, imprimindo diretamente ao lado da realidade analisada nossa própria intervenção no Universo. As vezes não vejo as coisas como elas são, mas como gostaria que fossem. Falando nisso, é exatamente isso que tem acontecido com nosso povo.

Optamos pela emoção na hora de eleger Lula. Decidimos fazer “justiça” aquele homem que tanto havia tentado, a classe média queria vingança pela re-distribuição de renda que lhes reduziu os recursos aumentando acesso a classe pobre (como a pobreza é muito maior que a classe média, não pudemos sentir tanto o impacto dessa política na pobreza quanto na classe média). Queríamos mudar, não importava como. Confesso que me vi sem opção naquele período também. Mas isso não me dá o direito de jogar meu voto fora com a opção mais populista. Na verdade jogar o voto fora seria a melhor opção. O dia que o voto nulo ganhar uma eleição teremos de refazê-la com novos e melhores candidatos. Hoje, acredito que essa seria a melhor opção, embora nós nunca faríamos isso. Não somos pragmáticos o suficiente para tal revolução.

O problema é que parece que mais uma vez teremos o mesmo quadro emocional tomando conta de nossas decisões. Mais uma vez seremos levados no bico pelo oba-oba emocional de sempre do populismo. O povo tem o governante que merece mesmo. O que proporciona uma visão em miniatura de todo o povo Brasileiro olhando-se para o seu presidente. É assim com os EUA, Inglaterra, Bolívia, Cuba e etc... A dignidade do Presidente é a do povo.

Veja um exemplo de como se porta emocionalmente nosso povo (em relação a política) no discurso do velhinho em coma da Charge abaixo (www.charges.com.br).

Se continuarmos pondo nossas emoções enfrente da razão (evidências claras, como corrupção e ineficiência, por exemplo – onde estão os 10 milhões de empregos prometidos por Lula na sua campanha? Ele não cumpriu. Isso é evidencia. Isso nos dá experiência para mudar. Isso é empírico. Mas parece que tanta evidência não basta) faremos valer o ditado de que “política não se discute”. Por que não há diálogo racional em meio tanta emoção. Não dá pra provar nada a quem se limita a entender a realidade por meio de seus próprios sentimentos e emoções. Vamos Mudar Brasil.