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Sexta-feira, Maio 01, 2009

O Veneno da Humanidade!

Tenho visto muitos discursos humanistas sobre amor e caridade. No cinema, na poesia, na arte em geral, na educação. Mas há algo de vazio nesses discursos. Sejam eles provenientes de cristãos, igrejas, religiões ou pensadores seculares e filósofos. Todos esses discursos a respeito do amor parecem sem eco na vida prática dos homens. Me lembrei de um verso, “...com a boca, professam muito amor, mas o coração só ambiciona lucro” (Ezequiel 33:31).

Nesses momentos de crise não adianta nos furtarmos da discussão. Sei que numa hora como essas o pensamento positivo e o otimismo são muito bem-vindos. Mas não dá pra ignorar a verdade sobre essa crise. Aliás, crises! Nossos problemas modernos estão longe de serem resumidos em apenas uma crise financeira global. Não vamos nos esquecer do nosso problema nacional de educação,de distribuição de renda, do problema ambiental no mundo inteiro, nem das guerras, muito menos da sempre presente deficiente economia africana.

São muitas as crises, entretanto tenho percebido que a origem é uma só e recorrente. Antes de menciona-la vamos dar uma olhada rápida na crise atual. O dinheiro não é ilimitado. Portanto se alguém tem muito, outro alguém precisa ter muito pouco. É possível encontrar até pessoas com nada! Enquanto, por exemplo, nos EUA alguns diretores de empresas chegam a ganhar 470 vezes mais que um operário de sua própria empresa. 5% da população controla 40% da economia americana inteira. O problema começa por ai, mas vai ainda mais longe. Não bastasse estas pessoas com tanto dinheiro em caixa, eles querem ainda mais. Todos estão envolvidos em investimentos que lhes trarão ainda mais dinheiro. Há uma desculpa aqui (até válida de um ponto de vista pragmático) de que investimentos trazem progresso e empregos. Mas o fato inegável é que na medida que o capital dessas pessoas cresce o capital de outros tem minguado. É pura lei da física, a matéria não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. As notas também não.

Até ai, nada de novo. O fato desses endinheirados terem livre ambição e acumularem infinitamente mais dinheiro é onde está o problema. Esta crise está provando empiricamente que o capitalismo nunca foi equilibrado como parecia ser, mas está no exato extremo oposto do socialismo. O seu efeito colateral é o que vemos e entendemos como desigualdade social. Deveria haver um limite, ninguém poderia ser capaz de acumular desnecessários Bilhões de dólares enquanto alguns NADA tem. Digo desnecessários porque todo esse dinheiro não tem utilidade, não há no que gastar tanto dinheiro, e mesmo que haja a simples existência de tamanho poder monetário na mão de um único homem precisa ser entendido e compreendido como realmente é: Opressão social. Porque alguns tem o direito de gastar 2 milhões de dólares em uma corrida de cavalos que dura menos de dois minutos e que custa tão caro pela presença de ilustres, famosos e magnatas, enquanto outros não tem o pão?

O que isso tem haver com a crise? Me parece mais um discurso comunista, você pode dizer, mas não! Não sou comunista. Mas tem tudo haver com a crise. Qual é o problema atual? Quem tem dinheiro parou de investir. Tirando o seu dinheiro da roda para não perde-lo. Sem dinheiro girando, as economias mundiais param. O mundo para de crescer. E porque? Porque o dinheiro está na mão de seus donos.Ou melhor, nos bolsos. Se recusam a pô-lo de volta no jogo por medo de perder o que tem. Até aqui você pode pensar, “mas eu faria o mesmo, eles não são burros, estão protegendo o que é deles”. Isso mesmo! É ai que eu queria chegar!

“...com a boca, professam muito amor, mas o coração só ambiciona lucro” (Ezequiel 33:31). Nosso mundo não está em colapso, não é o meio ambiente que está se decompondo, nem nossa sociedade. Nós estamos! É nossa ambição por LUCRO. Esse é o nosso veneno. Até podemos falar de amor, conhecimento, educação, tecnologia, progresso, mas uma coisa nunca muda há anos, nosso desejo por LUCRO. Isso tem pautado nossas decisões e definido nossa realidade como ela é hoje. Se educação, conhecimento e tecnologia fosse a solução estaríamos bem melhor agora. No entanto nosso conhecimento e nossa tecnologia nos levaram mais longe ainda. Duas Guerras mundiais e várias outras guerras homéricas e sanguinolentas no século mais educado da humanidade. Usamos aviões para jogar bombas, sistemas de foguetes espaciais para lançar mísseis e ainda travamos guerras em nome do lucro sim!

Entendo perfeitamente o medo de grandes investidores em investir em um momento como esse. O que não entendo é como somos tão cegos para ver que sem altruísmo legítimo não passaremos de discursos vazios. Com a ausência de ações sem intenção de lucro, jamais poderemos falar de amor de verdade. Bezerra da Silva disse: “Se malandro soubesse como é bom ser honesto, seria honesto só por malandragem”. As vezes penso que “se o homem soubesse como é lucrativo ser altruísta, seria altruísta só por ser lucrativo”. Mas como me confirmou um amigo, isso também não seria altruísta.

Para ser altruísta tem que ser doação mesmo. Sem barganha, sem troca, sem lucro. Madre Teresa dizia que: "O amor, para ser verdadeiro, tem de doer. Não basta dar o supérfluo a quem necessita, é preciso dar até que isso nos machuque”.

O colapso do mundo e da sociedade são sempre o resultado de nossa ganância. Do nosso colapso. Porque não entendemos realmente o que é mais lucrativo, se é o poder ou se é o amor. Se é o meu bem-estar ou se é o do outro (não vou dizer “bem-estar de todos” porque isso é uma utopia enquanto não compreendermos que só é possível quando pensarmos no “bem-estar do outro”). Enquanto não nos fizermos estas perguntas, e encontrarmos a sábia resposta, nos destruiremos naturalmente.

A crítica esta feita, a pergunta agora é quanto a solução. Longe de mim querer parecer piegas e resumir tudo a um simples “Jesus é a solução”. Mas a verdade é que aprendo altruísmo com Ele. Ele tem me mostrado como pensar sempre nos outros e por mais difícil que isso me seja, tenho conquistado passo-a-passo uma melhor compreensão do meu egoísmo e de como mudar. Não é fácil. Nem simples. Mas não é complicado, nem impossível. Basta mudar minha direção. Costumamos pensar que o mundo deve ser assim: De Deus para mim, do Mundo para mim. Dia-a-dia eu me convenço de que o meu papel pode ser feito, se eu estiver bem direcionado. E a direção é essa: De mim para Deus, de mim para o mundo.

Segunda-feira, Março 23, 2009

Cristianismo Puro e Simples.

Não... Apesar do título, não é um post sobre C.S. Lewis. Dessa vez é John Wesley quem se apresenta. Retirei este texto do blog "Youth Impact" que por sua vez tirou a idéia do "Pulpito Cristão". Portanto, um assunto que já se provou digno de ser compartilhado entre tantos e espero eu, que inspire a todos.

"John Wesley poupava dinheiro, mas fazia para o bem dos pobres, e não em proveito próprio. Quando consentiu em aceitar o salário da sociedade de Londres, ele mesmo limitou à modesta soma de 30 libras (750 dólares). É verdade que além disso recebia o lucro de venda de seus livros, que às vezes chegava a ser considerável. Mas, depois de retirar o necessário para suas modestas despesas, distribuía o restante com os pobres[...]Sua maneira de viver era tão singela que, quando lhe perguntavam quanto valia seu aparelho de jantar, julgando que um homem tão notável possuía talheres de grande valor, respondeu: "Tenho duas colheres de prata aqui em Londres, e duas em Bristol. Esses são todos os utensílios de maior valor que possuo atualmente, e não comprarei mais, enquanto me rodearem pessoas que careçam de pão".

"Alguns livros alcançaram venda superior as minhas expectativas, e com ela fiquei rico sem querer. mas nunca quis ser rico, nem me empenhei por isso. Como tal fortuna, porém, veio-me inesperadamente, não cumulo riquezas sobre a terra, nem entensouro absolutamente nada para mim. Meu desejo e propósito são distribuir de graça o saldo do fim do ano...minhas próprias mãos executarão a distribuição dos meus bens".

Bem diferente de tudo o que temos visto por aí, não é?


Fotos da mansão do Bispo Edir Macedo em Campos do Jordão, avaliada em mais de 6 milhões de reais. Possui 35 cômodos, sendo 18 suítes, além de um elevador panorâmico, como consta na matéria da Veja de 04/07/2007.



Jato particular de Edir Macedo (Um dos, pois o mesmo possui dois iguaizinhos ao da foto)




Fazenda
do casal Hernandes em Mairinque no valor de R$ 1.800.000,00. Somada com a casa do casal em Boca Raton (EUA), o casal possui 2,79 milhões de reais acumulados em apenas 2 propriedades, como publicado na revista Época de 27/05/2002.



Por fim, a roupa do Papa Bento XVI usada em sua visita ao Brasil foi tecida utilizando 15km de fios de ouro e prata.

Enquanto alguns entendem o evangelho como um caminho de prosperidade, riqueza e poder. Uns poucos como Wesley foram capazes de enxergar um simples carpinteiro dividindo tudo o que tinha com seus amigos... A começar por descer do Seu trono e entregar a Sua vida.


Terça-feira, Março 17, 2009

O ser humano está devoluindo?

Essa pergunta não se refere a teoria da evolução ou qualquer outro argumento sobre as origens. É sobre a capacidade de decisão dos seres humanos. Acho que está comprometida. Estamos cada vez mais burros, ou mais sem esperança? Porque se ignoramos os fatos em nome do nosso bem-estar passageiro é porque estamos sem esperança e desmotivados com o futuro, pensando somente no bem-estar de agora. Ou estamos simplesmente deixando de usar nossos neuronios pra nos entretermos confortavelmente. Porque a realidade é bem simples:

“Only when the last tree has died and the last river been poisoned and the last fish been caught will we realize we cannot eat money”(Somente quando a última árvore tiver morrido e o último rio estiver envenenado e o último peixe pescado nós descobriremos que não podemos comer dinheiro). Provérbio indiano.





O que faremos? Mudar é urgente. Mas estamos dispostos a abrir mão do conforto? Nossa vontade tem sido dominada pelo que devemos fazer ou pelo que queremos fazer?




Terça-feira, Fevereiro 03, 2009

Um Mundo Sem Amor! Um planeta de "idiotas"!

Eu não aguento mais esse mundo. Ah, não dá amigo. Não é cinísmo, nem pessimismo, mas eu tenho que ser muito centrado em mim mesmo pra ignorar os fatos. Acordo de manhã e já tem gente morrendo de fome, pela guerra, pela violência, por doenças. Tem gente sofrendo em profunda depressão por não saber como lhe dar com seus próprios problemas. Gente traumatizada porque um adulto mal caráter, que não pensa em nada além de seu prazer doentio, decidiu violentá-la em sua infância. Gente perdendo a inocência pelo veneno vendido na mídia de que o sexo é um tipo de espirro (natural, um desejo involuntário e incontrolável, comum, intenso , prazeroso e sem conseguências). Famílias que não se sustentam mais. Casais e familias inteiras dissolvidas pelo egoísmo, pela infidelidade. Pais que destratam e maltratam seus filhos. Filhos que odeiam os pais, desobedecem, desrespeitam. Pessoas que não se conectam! Uma massa hetoregenea de humanos. "E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos" (Mateus 24.12). Isso deixa o mundo muito insuportável! O amor é o que ameniza a dor. Sem ele, estamos todos em busca de beneficios próprios. Acertou o Coringa de Heath Ledger (Batman - O cavaleiro das trevas, 2008) quando diz: São todos egoistas, no fim vão comer uns aos outros.

Na revista VEJA dessa semana saiu o seguinte comentário de um leitor "sou uma pessoa sensível... mas acho que ninguém ama ninguém". Ouvi um homem experiente e maduro me dizer: "Eu tenho que pensar que meu próximo relacionamento vai dura uns 10 anos no máximo". Que mundo triste. Onde pessoas não se unem, não se acompanham, não se amam mais. Taxas astrônomicas de divórcios e separações ululam diante de nossos olhos. Quem tem esperança num mundo desses? Onde vai parar a próxima geração? Sexualmente iniciados em média aos 15 anos, sem comprometimento pessoal nenhum com os outros exceto consigo mesmos, vide o método moderno de relacionamento: "ficar". Usa-se uma pessoa por um tempo. Tudo está acima de pessoas, metas, trabalho, carreira, sucesso, prestigio, reconhecimento, divertimento, bens materiais e etc... Pomos os nossos sonhos acima de todos, como se nosso objetivo de ser feliz e realizados tivesse autonomia da ética ou do divino de passar por cima de outros. Estou falando dos sentimentos alheios, do respeito, do carinho com o próximo.



Jesus disse a frase acima (E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos). A palavra Iniquidade, vem do grego anomia. Nomos, significa Lei, acrescenta-se o "a" no começo da palavra, e ela se refere a ausência (como no português: moral + "a" = amoral. Ou seja, sem moral ou Apolitico, sem política). Ou seja iniquidade é o mesmo que sem lei. Que Lei? A Lei de Deus ora, resumida pelo próprio Cristo: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças... e ao teu próximo, como a tí mesmo" (Marcos 12:30 e 31). E não se enganem, o trecho que diz "como a ti mesmo" não quer dizer que primeiro vc deve se amar e depois aos outros, pq na ordem do texto está expressa a ordem Deus, Próximo, você. Jesus queria dizer: "Tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós." (Mateus 7:12).

Jesus sabia que "quase todos" deixariam de amar. "Quase todos" quer dizer muito próximo da totalidade. Se uma familia tem 10 mebros, e quase todos vão a festa, uns 3 no máximo ficaram de fora. Se quase todos os alunos de uma sala de aula (40 alunos) tiram uma boa nota, uns poucos (7 + ou -) tiraram nota baixa. Em suma, um número muito pequeno de pessoas realmente se interessa pelo amor. Que mundo chato. Nojento. Vazio. Em colapso.

Chego a sentir que nossa solidariedade está massificada. Temos dó dos países em guerra, dos mortos de fome da África, da desigualdade social e dos casos de violência, mas não temos compaixão daqueles que nos são "próximos". Somos cheios de idéias e atitudes positivas para mudar o mundo e os seus cenários mais caóticos, mas ao ver um mendigo pedir esmola no semáforo (próximo até demais) nos recusamos, ou ajudamos porcamente. Quando um marido chega cansado do trabalho e é destratado por sua falta de energia para dar atenção a sua esposa. Ou a esposa que se empenha tanto em fazer o seu melhor e não recebe um minimo de reconhecimento. Filhos que querem mudar o mundo, mas não se importam com seu quarto ou os principios de seus pais. Adolescentes que não se importam em destratar colegas, humilha-los em publico, menosprezá-los. Jovens que só estão pensando em conseguir o que querem, usando-se uns aos outros e enterrando suas vidas irresponsavelmente, tornando se solitários. Estamos nos esquecendo da velha máxima: "Nenhum homem é uma ilha", e o meu medo é de percebermos isso tarde demais. Quando já formos todos "idiotas". Idiota, etimologicamente, é aquele que vive num mundo próprio, ensimesmado – “idios”, pessoal, próprio, singular; “otes”, habitante. O “habitante de si mesmo”. O vocábulo é muito mais interessante e rico nessa acepção, do que nas suas derivações. Quem muito se fecha passa a ser difícil de ser compreendido - pelo Outro.

Não o bastante, e o que dizer daqueles que vendo tudo isso e muito mais desistem da sua própria existência? Abrindo mão de tudo e todos para "descansarem" de seus infortunios? Esses também contribuem para o mundo triste que temos.

Deus do céu! Você nem precisa crer em Deus para reparar nisso tudo. Mas dai que esperança você tem?

Como eu creio em Deus, a minha esperança está em outras palavras do próprio Jesus: "...virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também" (João 14:3). "E ouvi uma grande voz, vinda do trono, que dizia: Eis que o tabernáculo de Deus está com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas. (Apocalipse 21:3-4). Deus vai dar um jeito nesse mundo maldito. E algo me diz que os que deixarem o amor esfriar terão problemas... "Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai- vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos; porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; era forasteiro, e não me acolhestes; estava nu, e não me vestistes; enfermo, e na prisão, e não me visitastes. Então também estes perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou forasteiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos? Ao que lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixaste de fazer a um destes mais pequeninos, deixastes de o fazer a mim" (Mateus 25:42-45). Para realizar estas coisas, é preciso amar. Nesse mundo novo e perfeito Deus não pretende prosseguir com o ciclo criminoso e destrutivo em que nós nos encontramos. Mas como é um Deus de liberdade, pretende conduzir o novo mundo, também em liberdade. Portanto, é coerente que aqueles que em liberdade, decidiram neste mundo mal, amar, serão convidados a participar do novo mundo, continuando a amar em liberdade. Coerente. E urgente! Porque eu não aguento mais esse mundo! E você?

"Aquele que não ama, não conhece a Deus, pois Deus é amor" (I João 4:8).




Sexta-feira, Abril 25, 2008

A morte do amor.

Viver é correr riscos. A partir do momento que nascemos estamos em constante exposição a riscos. Mas nem por isso deixamos de viver, ou rejeitamos a vida que nos foi dada. Mas parece que de alguma maneira, no decorrer do tempo decidimos que não aceitamos mais as regras desse jogo e começamos a lutar para nos proteger de todos os riscos possíveis. Entramos então numa corrida que intenta quebrar as regras, dissolver os medos e preencher nosso mundo de alegria com a paz que só a segurança parece ser capaz de nos dar. Lutamos e passamos a viver por essa segurança.

O que parece ser inofensivo e imprescindível para nossa vida, no entanto, demonstra-se um feroz instrumento de cultivação do eu e de desestabilização social. Em busca dos próprios interesses, sejam segurança, paz, felicidade, dinheiro ou o que for, o homem isola-se em um cubo de auto-proteção que causará uma separação irremediável entre seus iguais.
Por isso o amor está morrendo.
Trocamos os interesses quanto ao bem-estar alheio pelo nosso. E isso já se tornou tão natural que é capaz que você leia essa última frase com o nariz torcido. Ninguém mais tem coragem de amar. Fazemos chacota daqueles que perdoam uma traição, não admitimos ser traídos (sentido amplo), feridos ou mesmo temporariamente desvalorizados. Criamos escalas mentais de valores, condenamos os que são diferentes de nós, desejamos o domínio sobre os que nos rodeiam e queremos que eles nos sirvam, e não estamos preocupados em ajudar ninguém se essa ajuda puder oferecer um mínimo risco ao nosso senso de segurança.
É por isso que não damos esmolas, não ajudamos o pedinte em nossa porta e não perdemos o nosso tempo com alguém que nem conhecemos. Para nós é muito lógico que façamos estas coisas. Parece claro, que dar dinheiro a alguém que não conhecemos pode prejudicá-lo ainda mais se ele não souber empregar o dinheiro corretamente. Na hora de racionalizar assumimos até a responsabilidade que não temos. Ninguém é culpado pelas decisões de outro. Se alguém é viciado em drogas ou Álcool racionalizamos que seremos os causadores da perpetuação desse problema, como se nosso troco, fosse fazer a diferença entre libertação ou apologia ao vicio. E nem somos coerentes quando pensamos assim. Porque se não dar esmolas ajuda, muito mais poderíamos ajudar se mais do que esmolas pudéssemos ceder nosso tempo e interesses ao necessitado. Mas no fundo, não queremos mesmo ajudar. Queremos nos salvar.
Nossa sociedade privilegia a troca de pares. A derrota do casamento é apenas um reflexo de uma sociedade vencida. Onde o caráter é subjugado a busca dos interesses pessoais e a segurança destes. Trocamos, porque não gostamos mais e pronto. Doa a quem doer. Filhos? Eles se viram. “Já devem estar grandinhos, ou são pequenos de mais para entender”. Traição marital não tem perdão em nossos dias, porque afinal de contas, taxamos de burros e ignorantes aqueles que se expõem a tamanho risco (de ser traído de novo).
Diante desse quadro eu me pergunto: Onde está escrito que amar não incorre riscos? Quem falou que ao amar temos garantias eternas? Temos contado essas mentiras sobre segurança e felicidade tantas vezes que chegamos a crer que elas são verdades. Mas a verdade é:

Não é possível ser feliz sozinho.
Não é possível viver sem amar.
Não é possível estar 100% seguro.

Está última se fosse uma afirmação positiva (é possível), invalidaria o verdadeiro amor. Veja.
Toda a questão repousa no fator liberdade. Ora, se não tivéssemos liberdade, não haveria amor. O amor é uma ação voluntária, não fosse assim, não seria amor, seria domínio, visto que o amor liga e vincula as pessoas. “Só aquele que é livre pode escolher a quem amar” (Musica de Fernando Iglesias).
Portanto, a liberdade é a garantia do verdadeiro amor. Por isso não há garantias de nada. Mesmo Deus que é o próprio amor pode ser rejeitado. Mesmo Aquele que te criou, deu tudo por você, morreu por você, lutou por você e te ama como ninguém jamais irá, pode ser rejeitado por você. Porque só assim, você seria realmente capaz de amá-Lo, se assim decidisse. Se Deus com Seu infinito amor não pode garantir que você o amará, o que dizer da possibilidade de alguém que hoje te ama um dia te rejeitar?
Por isso, para garantirmos nossa segurança no que tange a relacionamentos (namoros, noivados, amizades e casamentos) teríamos que dissolver, de alguma maneira, a liberdade daquele com quem nos relacionamos para garantir que este sempre nos agrade, tornando este, um relacionamento antinatural. Aqueles que assim fazem, não amam, não conhecem o que é o amor, pois não são amados, são algozes que aprisionam aqueles de quem dependem em um relacionamento egoísta. Sim, dependem, porque lembre-se, ninguém pode viver sozinho. E Estas pessoas sabem disso, parecem estar sempre insatisfeitas com o relacionamento, mas não o deixam, nem permitem o fim do mesmo. Pena que esses são relacionamentos muito comuns hoje em dia.
No entanto, para escapar do medo de ser ferido e magoado, alguns escolhem não amar. Estes, fingem não dependerem de ninguém, mas são infelizes em sua solidão. Fogem de compromissos para que não sofram como alguns conhecidos seus, vivem para focos diversos, trabalho, estudos e causas nobres. Mas permanecem tentando burlar as regras do jogo. E por isso não o jogam corretamente. Estão sendo tão egoístas quanto os aprisionadores citados acima. Em nome de seus próprios interesses, e de sua própria segurança, se isolam ou se relacionam porcamente, estão sempre com um “pé fora e outro dentro”. Portanto, nunca se dão por completo em um relacionamento e estão fadados ao fracasso. Mesmo que se unam em um relacionamento duradouro, vivem a hipocrisia de um relacionamento sem confiança, de independências mil entre os envolvidos e pouca intimidade.
O verdadeiro exemplo de amor é o divino, e é neste que baseio o comportamento correto do amor. Um amor que corre riscos, Deus cria o homem com a possibilidade de ser rejeitado por ele, não força nada, doa-se mais do que cobra, esquece, perdoa e apaga o passado (não de graça porque Ele sofre em Si as conseqüências irremediáveis de nossa culpa), mesmo sem garantias de que sempre estaremos ao Seu lado Ele permanece nos amando, se relacionando conosco, sem nunca desistir. Depois de tudo isso fica-nos mais claro a compreensão das absurdas palavras de 1 Corintios 13 (O capítulo do Amor). “4 O amor é paciente, é benigno. O amor não inveja, não se vangloria, não se ensoberbece.
5 Não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal. 6 O amor não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. 7 Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
8 O amor nunca falha.” Amar é correr riscos, é doar-se, e isso, nunca falha. O amor é uma linha reta, uma decisão tomada por você e mantida pelo seu caráter. Alías, essa é a única garantia para um relacionamento, o caráter.
Você pode optar por jogar o jogo em suas regras originais, liberdade, riscos e doação ou pode se proteger e matar o pouco de amor que nos restou.


Assim como a nossa própria vida, o amor, só pode ser mantido vivo com os riscos de sua
própria morte. Entretanto, assim como Deus, o amor nunca morre.

Sábado, Março 08, 2008

"E ainda dizem que Deus existe..."

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A Justiça dos Estados Unidos condenou à morte, John Evander Couey por raptar, estuprar e matar Jessica Lunsford, uma menina de 9 anos no Estado da Flórida. De acordo com informações da rede CNN, a garota foi enterrada viva em 2005. "(Couey) causou uma morte lenta, sofrida e intencional", afirmou o juiz que pronunciou a sentença, Ric Howard. "Jessica não foi colocada em um, mas em dois sacos plásticos de lixo. Ela estava consciente no momento de seu sepultamento", disse Howard. (Notícia Completa)


Histórias como essas nos fazem pensar: Se Deus existe o que Ele anda fazendo? Porque assiste passivo atos tão estúpidos como esse sem fazer nada? Se Ele tem o poder de resolver qualquer problema, porque nos permite viver as mais horrendas atrocidades ou mesmo problemas menores?

Inspirados nessa terrível e revoltante história, decidimos produzir um vídeo para ajudar na compreensão deste assunto. Produzimos, então, o vídeo abaixo no Natal de 2007. Fomos finalistas no Festival do Minuto, mas com uma versão menor, essa é a versão extendida, que eu particularmente prefiro.



A última frase deste vídeo, após os créditos, é inspirada em uma conversa narrada por meu professor de Hebraico Bíblico, Dr. Reinaldo Siqueira. Um dia em uma visita a Biblioteca de Paris, encontrou uma mulher judia, que havia sobrevivido ao Holocausto. Perguntaram para ela o que ela achava de Deus, se é que existia, não fez nada para evitar o Holocausto. Ela respondeu: "Não ponha em Deus a culpa do homem". E continuou, "Deus nos deu 10 mandamentos para o homem seguir" , todas as diretrizes para uma vida moral e harmoniosa, "nós escolhemos não dar ouvidos, e nos perguntamos porque essas coisas acontecem?"

Está claro que toda a questão repousa na liberdade aferida por Deus a todos nós. Ele seria um grande mentiroso se te dissesse que era livre e te impedisse de fazer o que quisesse até as últimas consequências. Se Ele podasse nossas ações em nome da paz e da harmonia, poderiamos muito bem nos queixar de ausência de livre arbítrio. Aliás, esse foi o problema de Satanás, sua grande acusação contra Deus era que não havia real liberdade no céu. Porque lá tudo era perfeito e não havia o mal (vontade contrária a vontade divina), por isso Deus permite que ele prove sua teoria, e faça o exato contrário de tudo aquilo que Deus desejava. Surge o mal em toda sua furia, mas Deus não deixa barato, corre atrás do prejuízo e pretende resolver o problema para sempre. Mas sem afetar nosso livre arbítrio.

Então, antes de acusar a Deus pelas mazelas da humanidade, antes de declarar sua inesitência por não interfirir em nossa capacidade de livre escolha, pense em quão justo você seria, se fosse Deus e vivesse interfirindo nas escolhas de suas criaturas. Anulando uma das mais importantes leis da existência, a lei da Causa e do Efeito. Sem ela, as coisas perderiam o gosto, o toque seria inocuo, o grito seria vazio, o choro seria sem lágrima, a vida seria sem vida. Porque viver causando sem resultar, é o mesmo que nascer e nunca viver.

Ou Deus tira de nós toda a responsabilidade que nos deu em viver (robotizar). Ou nos deixa livres para escolher. Escolhamos então tudo aquilo que é "verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento" (Filipenses 4:8).

Quinta-feira, Fevereiro 14, 2008

Porque Pessoas São mais importantes do que Coisas?

Há alguns meses atrás escrevi um post comentando como temos dado mais importância a coisas do que a pessoas em nosso contexto moderno. Algumas semanas depois fiquei pensando no porque isso é um absurdo. E descobri uma verdade interessante e óbvia que permaneceu adormecida em minha pauta até agora.

Recentemente ao conversar com uma pessoa que tinha acabado de conhecer ouvi ela espontaneamente dizer que a humanidade tem valorizado mais as “coisas que as pessoas”. Isso me trouxe até o computador motivado a terminar o que comecei, ao ver que estou longe de ser o único a pensar dessa maneira.

Bem, vamos a pergunta crucial, sem mais delongas, porque pessoas são mais importantes do que coisas? Para isso é preciso, primeiro, que avaliemos o que faz uma coisa ser valiosa em nossa realidade? O que dá valor as coisas? Como exemplo clássico vamos aos minerais mais famosos e cobiçados, o diamante e o desejado ouro. O que os faz tão valiosos? A resposta é simples e se encontra na mais importante lei capitalista, a da “oferta e da procura”. O que fazem esses minerais valiosos? Sua raridade. Quanto menor a quantidade disponível e menor sua ocorrência natural mais caro ele é.

Nossa resposta começa a se desenhar. Vamos pensar mais um pouco antes de qualquer conclusão. Quantos de você existem? Quantos pais e mães você tem? E mesmo tendo muitos irmãos, cada um tem um significado particular para você, não se pode livrar-se de um e substituí-lo por outro. Cada um é único para você, assim como você o é para o mundo. Cada ser humano vivo ou que já viveu carrega uma parcela particular de raridade. Cada um de nós é irremediavelmente insubstituível. É por isso que a morte é tão dolorosa. Por que em cada morte há uma perda irreparável. Por mais que tentemos encontrar um consolo em doutrinas como a da imortalidade da alma, nosso sofrimento enfrente a morte de um querido sempre carrega um pesar de separação definitiva. O choro é de perda total e irreparável. Isso demonstra o quanto as pessoas são valiosas, e como que mesmo inconscientemente elas valem muito mais do que qualquer “coisa”. A perda de uma coisa nunca é tão dolorosa quanto a perda de uma pessoa.

É por isso que mesmo havendo milhares de pessoas morrendo e nascendo diariamente, cada uma que chega e que vai possui em sí um valor insubstituível e inestimável. Isso tudo também me ajuda a expor um argumento contra a doutrina da reencarnação(doutrina que eu pessoalmente não creio). Se somos imortais e vivemos encarnando e reencarnando, a vida não é tão rara e única assim. Sendo substituível ou mesmo descartável. A idéia da imortalidade da alma, que prega a ascensão ao céu ou a descida para o inferno, a parada estratégica no purgatório (ou mesmo a volta a vida como outra pessoa ou animal) ajuda a banalizar a vida humana. E ao contrário do que muitos imaginam, não é bíblica como dizem. Mas essa é uma discussão gigantesca, que não quero trazer agora. Quem sabe mais tarde conversemos sobre isso...

O que nos importa agora é repararmos o quanto somos únicos, e os outros que ao nosso lado vivem, e que estes importam mais do que as coisas que também nos rodeiam e gostamos. Repito meu conceito anterior: Quanto mais humanos, mas gostamos de gente.

Sexta-feira, Janeiro 11, 2008

"100" Razões para uma Vendetta


Para compensar minhas férias aí vão dois posts de uma vez. Feliz 2008 a todos!

"A vingança nunca é plena, mata a alma e envenena". Quem não conhece essa máxima ou é muito novo ou muito velho, ou talvez não gostasse de Chaves. Mas independente do apreço pelo velho seriado mexicano, todos nós temos algo em comum. O desejo de vingança. Natural e comum, ele nasce do desejo pessoal que todos tem em encontrar justiça. Mesmo aqueles que talvez neguem ao desejo de vingança a sua existência, por razões conceituais, morais ou religiosas, precisam assumir que estão reprimindo (ou já reprimiram em definitivo em algum momento anterior) um desejo automático, quase fisiológico.

O Cristianismo apela contra a vingança nas palavras de muitos autores incluindo Jesus. O argumento do Cristianismo é que cabe ao Juiz fazer justiça. Estes são os lideres e autoridades de nossas sociedades (Rom 13). Ou mesmo o Deus Criador (“A mim pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor”. Rm 12:19). Tudo bem, eu sei que toquei num ponto controverso aqui. Alguns duvidam da existência de Deus outros argumentam a favor da sua ausência em nossa realidade. Mas independente do que se pensa sobre Deus, encontramos na própria necessidade de justiça um estranho sentimento inato. Quem nos deu essa necessidade de justiça? Da onde ela vem? Por que o homem se atreve a sentir-se injustiçado? O fato é que sem Deus não encontramos muitas explicações para isso, Freud até tentou, mas C.S. Lewis derrubou seus confusos argumentos. Até o próprio Freud admitiu que “o impulso em direção ao ideal faz parte essencial de nossa constituição”. Mas deixando a questão do Teísmo de lado, foquemos no desejo de vingança.

5 Razões Por que a Vingança não compensa:

OBS: Usarei a Nomenclatura "Algoz" para o ofensor que merece receber a vingança e "Vítima" para o ofendido que deseja se vingar.

1 - Circula a injustiça viciosamente.

Quem é lesado sempre calcula uma parcela maior de justiça contra seu algoz. Isso é natural. Não queremos fazer ao outro exatamente o que ele nos fez, mas fazer um pouco mais. Essa semana vi na TV alguém dizer que “quem faz o mal recebe de volta em dobro”. Achei engraçado, quem foi que disse isso, de onde o locutor tirou essa idéia? O direito de milhares de anos tem se apoiado no antiqüíssimo e Hamurábico código replicado também pela Bíblia, do “olho por olho e dente por dente”. Mas parece que nossa sociedade moderna já tem se apropriado de um conceito de justiça que duplica a pena do algoz em nome da justiça. Esse é um bom exemplo de como temos a tendência de supervalorizar nossa dor e nosso desejo de vingança. O que aconteceria se alguém levasse a cabo a suas demandas pessoais de vingança?

É bem óbvio, o algoz, agora ferido “justamente” se acharia injustiçado pelo excesso de “justiça” e tentaria re-equilibrar a balança da justiça. Assim se inicia um circulo vicioso de destruição que só acaba com completa derrota de um dos dois algozes.

2 – Iguala os atuantes.

Sim, os dois são algozes agora, porque um é perpetrador do mal do outro. Se igualam por que um excede a causa de justiça do outro e ambos são transgressores da verdadeira justiça, que teimam em “defender” em nome de seus próprios interesses.


3 – Impossibilita a verdadeira justiça.

A dor intentada contra o algoz não surte o mesmo efeito nunca. Por exemplo, um amigo traído jamais conseguirá se vingar do ex-amigo na mesma forma e proporção necessárias porque ele simplesmente não é mais amigo do traidor. Isso muda tudo. Ninguém pode nos magoar mais do que quem amamos. Uma vez destruída a relação, não há a mesma confiança, não há sentimento de apreço, há uma relação de inimizade e o algoz provavelmente já estará aguardando uma digna retaliação o que tira todo o elemento surpresa e os efeitos devidos da ação contra ele. Afinal de contas, você sofre por que foi traído por quem amava, se você atacar agora, ele não sentirá a mesma dor porque já provou que não te ama. Retaliação nesse caso, é um tiro de chumbo comparado a uma bala de canhão.

Em alguns casos a vingança pode impossibilitar, definitivamente, a verdadeira justiça. Um exemplo disso é quando o marido se divorcia da mulher e ela por vingança tira tudo o que ele tem na justiça. O que parece ser justo, se demonstra injusto, porque o que ela perdeu foi uma afeição e tentou compensar com bens, o que pode ser um placebo imediato, mas que nunca preencherá o vácuo aberto pelo problema real: uma traição afetiva e não litigiosa. Uma traição afetiva só pode ser compensada justamente quando o algoz volta atrás e reconhece o verdadeiro valor da afetividade que ele pos a perder. Independente se a esposa aceitasse seu retorno ou não, a sua justiça é saciada pela compreensão de que sua perda afetiva não decorreu de um erro próprio, mas alheio. No entanto, quando a esposa resolveu o problema de sua vingança através da divisão dos bens, pode ter dado o material necessário para que o algoz nunca venha a reconhecer o valor de sua antiga relação. Podendo ainda, encontrar mais razões para racionalizar sua ação anterior. E a justiça nunca se fará real neste caso.

4 - Faz mal ao vingador.

É obvio que uma operação vingativa estressa tanto quanto realiza. A saúde sente tanto que existe uma antigo ditado que diz que o “ódio e um veneno que você bebe esperando que o outro morra”.

Outro fator importante é a inferiorização da vítima. Ora, se um idiota te agride, e você revida, você está agindo motivado pelas ações de um idiota, o que te faz um... idiota. Se eu me comporto de acordo com as ações de outro, estou dominado por ele. Em outras palavras, o vingador é dominado pelo algoz que dita suas ações. Podendo se tornar, inconscientemente, o perpetrador de suas emoções e decisões.

5 - Desequilibra o atuante.

Maturidade é a capacidade de lidar com perdas e ganhos. Se um rio recebe mais água que elimina, vai transbordar, isso é desequilíbrio. Se perde mais água do que recebe, seca, isso também é desequilíbrio. A consciência equilibrada entende que na vida há derrotas, perdas assim como ganhos e vitórias. Não se desesperar por uma perda, seja ela quão grande for, é uma atitude madura e equilibrada. Ter a consciência de que o mundo não acaba em uma perda é o essencial para se manter no jogo por muito tempo.

6 maneiras práticas de dominar o desejo de vingança:

1 - Entenda as 5 razões anteriores.
2 - Não deseje o mal, apenas a justiça, seja ela qual for, mesmo que diferente e independente do seu desejo.
3 - Lembre-se que toda justiça deve se aplicar em ambos os casos. Ou seja: coerência. Então aprenda você também a não se igualar ao seu algoz. Não espere de Deus uma justiça diferente para você e outra para o algoz.
4 - Seja paciente.
5 – Não perca seus pensamentos no assunto. Sem isto, será impossível superar a situação.

6 – Confie em Deus. Pra mim esse é o primeiro, mas para não gerar “pré-conceitos”, deixei aqui no fim da lista.

Por fim, esse não é nenhum "Guia Definitivo", nem falo com a autoridade de um terapeuta, falo apenas pela experiência própria. Para mim é menos complicado, resumo a questão em "deixar Deus ser Deus". É bem mais simples que tentar ser Deus no lugar dEle. Confio no verso 25 de Genesis 18: "Por acaso não fara justiça o Juiz de toda Terra"?

Mas pra você que não desiste dessa idéia de vingança, pense comigo... até hoje não conheci ninguém que tenha escrito um livro: "Me vinguei e mudei de vida" ou "Quem mexeu no meu queijo, morreu" ou quem sabe "O monstro e o Executivo". Já ví filmes e novelas fictícias contando belas histórias de vingança, mas quem que eu conheço que realmente se beneficiou com isso? Que história real demonstra o poder redentivo, restaurador e curativo da vingança? Talvez, no fim de tudo, a razão esteja com aquele velho ditado: "Vingança é um prato que se come frio". Afinal, o único objetivo de um prato frio, é saciar a fome.

Sexta-feira, Outubro 05, 2007

Richard Dawkins está MUITO certo!

Ao analisar a obra mais famosa de Richard Dawkins, O Gene Egoísta, podemos ver a sistematização de uma realidade conhecida a milhares de anos atrás, o ser humano é egoísta por natureza. O irônico dessa constatação repousa no fato do resultado da pesquisa cientifica de Dawkins ser completamente concordante com o livro que ele mais condena. A Bíblia.

Pois é, o que Dawkins concluiu não é novidade alguma para os escritos bíblicos, na verdade essa é parte tônica de muitos dos ensinos e propósitos desse livro. E é extremamente louvável o esforço do zoólogo, que afinal, foi capaz de provar cientificamente a verdade bíblica que diz ser a natureza do homem essencialmente má (Jeremias 17:9; Romanos 3:10).

Em outras palavras a ciência em favor da fé. Dawkins em favor da Bíblia. Muito Irônico. Uma pena que por possuir a intransigente premissa da inexistência de Deus, ele tenha que passar por essas desconcertantes situações. Não vejo problema algum em sua posição negativa de Deus, o problema em minha opinião é a do velho clichê: “O pior cego é aquele que não quer ver”. Não mudar de opinião não indica intransigência, mas não julgar as informações disponíveis (o que o método cientifico exige) é tapar os olhos para não ver, isso é intransigência. Não quero provar nada, converter Dawkins ou seus seguidores com esse texto, apenas levar a simples reflexão de que as coisas não são tão simples assim.

Pra falar a verdade, aí que está a complicação, porque não faz o menor sentido para um organismo egoísta realizar atos de altruísmo. Inclusive esse é o grande problema do momento para o evolucionismo que não consegue explicar o altruísmo. Aquele ato de doação da sua própria existência sem esperar receber nada em troca. Ou mesmo a simples ética da honestidade, que faz você estar sozinho em um quarto escuro e não ousar deflagrar o seu imposto de renda. Ou quem sabe você deflagre, então aquele sentimento de culpa, que surge, vem da onde se o gene é egoísta e só está preocupado com seu bem-estar? Enquanto eles tentam, sem sucesso, resolver esse problema, o mais óbvio é obliterado em nome de razões volitivas e não racionais. Tão volitivas quanto a própria religião que ele condena. O que é tão óbvio? Ah, eu nem preciso te dizer, você já sabe, mesmo que negue.

Sexta-feira, Setembro 21, 2007

Quem vence é quem perde ou quem ganha?


Nesse post quero apenas recomendar a leitura de um post em outro blog referente ao ocorrido no Jogo Nottinghan Forest X Leicester City na Inglaterra. Pela primeira vez na história um time iniciou a partida permitindo deliberadamente que o goleiro do outro time fizesse o gol. Porque? Espírito esportivo. Ou foi Altruísmo? Essa história é sensacional.

Dê uma checada em http://nacontramaodopensamento.blogspot.com

Domingo, Junho 24, 2007

A Glória do EU

Quantas vezes você já viu atores, atrizes, artistas em geral ou mesmo pessoas que estão se candidatando a algum trabalho se descreverem como pessoas “determinadas”? Eu já me cansei de ver. Em quase toda definição pessoal ou traço de perfil hoje é possível encontrar palavras sinônimas como: “persistência, tenacidade, determinação, força de vontade” e etc...

Apesar de já ter me familiarizado com essa prática moderna de se auto definir foi uma brincadeira com um amigo (José Rodrigues Jr.) a respeito desse clichê emergente que me levou a procurar perfis de pessoas famosas na Internet. Não foi preciso perder tempo ou procurar demais, o primeiro perfil que encontrei tinha “como característica mais marcante” a não menos famosa “Determinação”. A busca prosseguiu e enquanto conversávamos pelo telefone nos admirávamos de quão comum era a presença dessa característica nas pessoas. Selecionei um bom exemplo para quem quiser se divertir com esse clichê também, segue o link dos 16 candidatos do programa “Aprendiz 4 – O Sócio” da Rede Record, com as auto-definições de cada candidato (http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u70802.shtml) .

E eles ainda não eram famosos quando se descreveram, o que indica o quanto que essa prática tem influenciado a todos dentro ou fora do contexto artístico. Talvez o contexto artístico nem seja o pai dessa definição como sendo a característica mais importante de um ser humano, mas com certeza eles são os maiores propagadores dessa idéia. Mas da onde vem essa tendência? Porque as pessoas precisam dizer hoje que são determinadas? Qual a vantagem de ser determinado? Se olhar a ficha dos candidatos do programa acima citado verá que muitos dos que se auto-proclamavam determinados hoje já estão fora do programa. Então o que há em ser determinado, persistente?

Ora, vejamos quem são os maiores propagadores dessa idéia novamente. Artistas e famosos. O que todos eles tem em comum? O tamanho do Ego. Não é de admirar que eles tenham abraçado com tanta vontade essa definição pessoal. A filosofia desse pensamento carrega duas engrenagens de conforto para o pensamento humano. A primeira é a cultura do mérito próprio. “Não há almoço grátis”. Aquela cultura que nos persegue desde o dia em que nascemos e temos que chorar para mamar, temos de ser obedientes para não ficar de castigo, temos que tirar boas notas para ganhar presentes e etc... Alguns podem dizer que essa não parece ser um mecanismo de conforto, mas é mais confortável saber que somos donos do nosso próprio destino e que sorte, azar ou mesmo Deus são cartas fora do nosso baralho da vida. Isso é o mesmo que o...

...segundo mecanismo: A facílidade de “quem procura, acha. Quem busca, alcança”. Eu só preciso me esforçar, trabalhar, me dedicar e tudo o que eu mais desejo será conquistado. Em outras palavras tudo depende de mim. Se está em mim, depende apenas de disciplina, de virtudes pessoais que só preciso desenvolver, assim posso chegar onde quiser. E se eu algum dia alcançar o sucesso é por minha própria causa. Embora o dito popular “Deus ajuda quem cedo madruga” persista em existir, é pura retórica, já arrancamos Deus do resultado de nosso trabalho a muito tempo. Tudo que eu conquisto foram as minha próprias virtudes que conseguiram aliadas, é claro, a minha determinação pessoal, força de vontade, força de realização. É pura ética behaviorista. A cultura do mérito próprio que nos faz girar em círculos. EU faço e acontece, EU busco e EU acho, EU luto e EU ganho, EU, EU, EU.

Isso é o que acontece quando olhamos para o mundo como um uma realidade pessoal a ser conquistada pela minha pessoa. Isso nos torna solitários. Talvez seja por isso que artistas não são bons em relacionamentos pessoais. Talvez seja por isso que alguns dos que se auto-proclamaram “determinados” no programa de TV tiveram problemas com relacionamento. Temos nos tornados cada vez mais individualizados em nome de nós mesmos.

Embora digamos que “Deus ajuda quem cedo madruga”, isso não tem sido verdade, nem de um jeito nem de outro. Embora Deus esteja na frase, o que queremos dizer com ela é: “porque sou assim, Deus me ajuda”. Em suma a glória do EU. Enquanto criamos que Deus estava no comando do mundo O usamos para alcançar nossos próprios intentos e propagamos tudo aquilo que é contra Ele em nosso período escuro. Depois colocamos todas as fichas no homem, e ascendemos a razão no topo de nossa doutrina de vida. Mas também nos decepcionamos quando vimos que nossa razão nos arrastou para guerras e ogivas nucleares. Agora já não nos resta nada, não temos mais em quem confiar, é bem nesse momento terrível que resolvemos então perpetrar nosso circulo vicioso e colocarmos mais uma vez todas as fichas no lugar errado, no EU. Mais individualizados do que nunca falamos de globalização, mas a intenção é uma só, a Glória do EU. Somos pós-modernos, somos niihilistas e temos certeza que com determinação chegaremos lá. Não queremos mais interferências da igreja, do estado ou de Deus, estamos sozinhos e sozinhos vamos conquistar o mundo. Só tem um problema pra que EU vença é preciso que você perca.

Em outras palavras o homem não pode resolver o seu próprio problema, nem com determinação, nem com persistência, nem com tenacidade, o que vamos fazer? Eu prefiro confiar nAquele que extrapola minha existência. Já faz anos que demonstramos nossa ignomínia, embora sejamos determinados.

Se Deus existe amigo, porque não deixa-Lo ser Deus dos homens?