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Sábado, Março 08, 2008

"E ainda dizem que Deus existe..."

Agora somos .COM, acesse www.contextomoderno.com.

A Justiça dos Estados Unidos condenou à morte, John Evander Couey por raptar, estuprar e matar Jessica Lunsford, uma menina de 9 anos no Estado da Flórida. De acordo com informações da rede CNN, a garota foi enterrada viva em 2005. "(Couey) causou uma morte lenta, sofrida e intencional", afirmou o juiz que pronunciou a sentença, Ric Howard. "Jessica não foi colocada em um, mas em dois sacos plásticos de lixo. Ela estava consciente no momento de seu sepultamento", disse Howard. (Notícia Completa)


Histórias como essas nos fazem pensar: Se Deus existe o que Ele anda fazendo? Porque assiste passivo atos tão estúpidos como esse sem fazer nada? Se Ele tem o poder de resolver qualquer problema, porque nos permite viver as mais horrendas atrocidades ou mesmo problemas menores?

Inspirados nessa terrível e revoltante história, decidimos produzir um vídeo para ajudar na compreensão deste assunto. Produzimos, então, o vídeo abaixo no Natal de 2007. Fomos finalistas no Festival do Minuto, mas com uma versão menor, essa é a versão extendida, que eu particularmente prefiro.



A última frase deste vídeo, após os créditos, é inspirada em uma conversa narrada por meu professor de Hebraico Bíblico, Dr. Reinaldo Siqueira. Um dia em uma visita a Biblioteca de Paris, encontrou uma mulher judia, que havia sobrevivido ao Holocausto. Perguntaram para ela o que ela achava de Deus, se é que existia, não fez nada para evitar o Holocausto. Ela respondeu: "Não ponha em Deus a culpa do homem". E continuou, "Deus nos deu 10 mandamentos para o homem seguir" , todas as diretrizes para uma vida moral e harmoniosa, "nós escolhemos não dar ouvidos, e nos perguntamos porque essas coisas acontecem?"

Está claro que toda a questão repousa na liberdade aferida por Deus a todos nós. Ele seria um grande mentiroso se te dissesse que era livre e te impedisse de fazer o que quisesse até as últimas consequências. Se Ele podasse nossas ações em nome da paz e da harmonia, poderiamos muito bem nos queixar de ausência de livre arbítrio. Aliás, esse foi o problema de Satanás, sua grande acusação contra Deus era que não havia real liberdade no céu. Porque lá tudo era perfeito e não havia o mal (vontade contrária a vontade divina), por isso Deus permite que ele prove sua teoria, e faça o exato contrário de tudo aquilo que Deus desejava. Surge o mal em toda sua furia, mas Deus não deixa barato, corre atrás do prejuízo e pretende resolver o problema para sempre. Mas sem afetar nosso livre arbítrio.

Então, antes de acusar a Deus pelas mazelas da humanidade, antes de declarar sua inesitência por não interfirir em nossa capacidade de livre escolha, pense em quão justo você seria, se fosse Deus e vivesse interfirindo nas escolhas de suas criaturas. Anulando uma das mais importantes leis da existência, a lei da Causa e do Efeito. Sem ela, as coisas perderiam o gosto, o toque seria inocuo, o grito seria vazio, o choro seria sem lágrima, a vida seria sem vida. Porque viver causando sem resultar, é o mesmo que nascer e nunca viver.

Ou Deus tira de nós toda a responsabilidade que nos deu em viver (robotizar). Ou nos deixa livres para escolher. Escolhamos então tudo aquilo que é "verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento" (Filipenses 4:8).

Quinta-feira, Fevereiro 14, 2008

Porque Pessoas São mais importantes do que Coisas?

Há alguns meses atrás escrevi um post comentando como temos dado mais importância a coisas do que a pessoas em nosso contexto moderno. Algumas semanas depois fiquei pensando no porque isso é um absurdo. E descobri uma verdade interessante e óbvia que permaneceu adormecida em minha pauta até agora.

Recentemente ao conversar com uma pessoa que tinha acabado de conhecer ouvi ela espontaneamente dizer que a humanidade tem valorizado mais as “coisas que as pessoas”. Isso me trouxe até o computador motivado a terminar o que comecei, ao ver que estou longe de ser o único a pensar dessa maneira.

Bem, vamos a pergunta crucial, sem mais delongas, porque pessoas são mais importantes do que coisas? Para isso é preciso, primeiro, que avaliemos o que faz uma coisa ser valiosa em nossa realidade? O que dá valor as coisas? Como exemplo clássico vamos aos minerais mais famosos e cobiçados, o diamante e o desejado ouro. O que os faz tão valiosos? A resposta é simples e se encontra na mais importante lei capitalista, a da “oferta e da procura”. O que fazem esses minerais valiosos? Sua raridade. Quanto menor a quantidade disponível e menor sua ocorrência natural mais caro ele é.

Nossa resposta começa a se desenhar. Vamos pensar mais um pouco antes de qualquer conclusão. Quantos de você existem? Quantos pais e mães você tem? E mesmo tendo muitos irmãos, cada um tem um significado particular para você, não se pode livrar-se de um e substituí-lo por outro. Cada um é único para você, assim como você o é para o mundo. Cada ser humano vivo ou que já viveu carrega uma parcela particular de raridade. Cada um de nós é irremediavelmente insubstituível. É por isso que a morte é tão dolorosa. Por que em cada morte há uma perda irreparável. Por mais que tentemos encontrar um consolo em doutrinas como a da imortalidade da alma, nosso sofrimento enfrente a morte de um querido sempre carrega um pesar de separação definitiva. O choro é de perda total e irreparável. Isso demonstra o quanto as pessoas são valiosas, e como que mesmo inconscientemente elas valem muito mais do que qualquer “coisa”. A perda de uma coisa nunca é tão dolorosa quanto a perda de uma pessoa.

É por isso que mesmo havendo milhares de pessoas morrendo e nascendo diariamente, cada uma que chega e que vai possui em sí um valor insubstituível e inestimável. Isso tudo também me ajuda a expor um argumento contra a doutrina da reencarnação(doutrina que eu pessoalmente não creio). Se somos imortais e vivemos encarnando e reencarnando, a vida não é tão rara e única assim. Sendo substituível ou mesmo descartável. A idéia da imortalidade da alma, que prega a ascensão ao céu ou a descida para o inferno, a parada estratégica no purgatório (ou mesmo a volta a vida como outra pessoa ou animal) ajuda a banalizar a vida humana. E ao contrário do que muitos imaginam, não é bíblica como dizem. Mas essa é uma discussão gigantesca, que não quero trazer agora. Quem sabe mais tarde conversemos sobre isso...

O que nos importa agora é repararmos o quanto somos únicos, e os outros que ao nosso lado vivem, e que estes importam mais do que as coisas que também nos rodeiam e gostamos. Repito meu conceito anterior: Quanto mais humanos, mas gostamos de gente.

Sexta-feira, Janeiro 11, 2008

"100" Razões para uma Vendetta


Para compensar minhas férias aí vão dois posts de uma vez. Feliz 2008 a todos!

"A vingança nunca é plena, mata a alma e envenena". Quem não conhece essa máxima ou é muito novo ou muito velho, ou talvez não gostasse de Chaves. Mas independente do apreço pelo velho seriado mexicano, todos nós temos algo em comum. O desejo de vingança. Natural e comum, ele nasce do desejo pessoal que todos tem em encontrar justiça. Mesmo aqueles que talvez neguem ao desejo de vingança a sua existência, por razões conceituais, morais ou religiosas, precisam assumir que estão reprimindo (ou já reprimiram em definitivo em algum momento anterior) um desejo automático, quase fisiológico.

O Cristianismo apela contra a vingança nas palavras de muitos autores incluindo Jesus. O argumento do Cristianismo é que cabe ao Juiz fazer justiça. Estes são os lideres e autoridades de nossas sociedades (Rom 13). Ou mesmo o Deus Criador (“A mim pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor”. Rm 12:19). Tudo bem, eu sei que toquei num ponto controverso aqui. Alguns duvidam da existência de Deus outros argumentam a favor da sua ausência em nossa realidade. Mas independente do que se pensa sobre Deus, encontramos na própria necessidade de justiça um estranho sentimento inato. Quem nos deu essa necessidade de justiça? Da onde ela vem? Por que o homem se atreve a sentir-se injustiçado? O fato é que sem Deus não encontramos muitas explicações para isso, Freud até tentou, mas C.S. Lewis derrubou seus confusos argumentos. Até o próprio Freud admitiu que “o impulso em direção ao ideal faz parte essencial de nossa constituição”. Mas deixando a questão do Teísmo de lado, foquemos no desejo de vingança.

5 Razões Por que a Vingança não compensa:

OBS: Usarei a Nomenclatura "Algoz" para o ofensor que merece receber a vingança e "Vítima" para o ofendido que deseja se vingar.

1 - Circula a injustiça viciosamente.

Quem é lesado sempre calcula uma parcela maior de justiça contra seu algoz. Isso é natural. Não queremos fazer ao outro exatamente o que ele nos fez, mas fazer um pouco mais. Essa semana vi na TV alguém dizer que “quem faz o mal recebe de volta em dobro”. Achei engraçado, quem foi que disse isso, de onde o locutor tirou essa idéia? O direito de milhares de anos tem se apoiado no antiqüíssimo e Hamurábico código replicado também pela Bíblia, do “olho por olho e dente por dente”. Mas parece que nossa sociedade moderna já tem se apropriado de um conceito de justiça que duplica a pena do algoz em nome da justiça. Esse é um bom exemplo de como temos a tendência de supervalorizar nossa dor e nosso desejo de vingança. O que aconteceria se alguém levasse a cabo a suas demandas pessoais de vingança?

É bem óbvio, o algoz, agora ferido “justamente” se acharia injustiçado pelo excesso de “justiça” e tentaria re-equilibrar a balança da justiça. Assim se inicia um circulo vicioso de destruição que só acaba com completa derrota de um dos dois algozes.

2 – Iguala os atuantes.

Sim, os dois são algozes agora, porque um é perpetrador do mal do outro. Se igualam por que um excede a causa de justiça do outro e ambos são transgressores da verdadeira justiça, que teimam em “defender” em nome de seus próprios interesses.


3 – Impossibilita a verdadeira justiça.

A dor intentada contra o algoz não surte o mesmo efeito nunca. Por exemplo, um amigo traído jamais conseguirá se vingar do ex-amigo na mesma forma e proporção necessárias porque ele simplesmente não é mais amigo do traidor. Isso muda tudo. Ninguém pode nos magoar mais do que quem amamos. Uma vez destruída a relação, não há a mesma confiança, não há sentimento de apreço, há uma relação de inimizade e o algoz provavelmente já estará aguardando uma digna retaliação o que tira todo o elemento surpresa e os efeitos devidos da ação contra ele. Afinal de contas, você sofre por que foi traído por quem amava, se você atacar agora, ele não sentirá a mesma dor porque já provou que não te ama. Retaliação nesse caso, é um tiro de chumbo comparado a uma bala de canhão.

Em alguns casos a vingança pode impossibilitar, definitivamente, a verdadeira justiça. Um exemplo disso é quando o marido se divorcia da mulher e ela por vingança tira tudo o que ele tem na justiça. O que parece ser justo, se demonstra injusto, porque o que ela perdeu foi uma afeição e tentou compensar com bens, o que pode ser um placebo imediato, mas que nunca preencherá o vácuo aberto pelo problema real: uma traição afetiva e não litigiosa. Uma traição afetiva só pode ser compensada justamente quando o algoz volta atrás e reconhece o verdadeiro valor da afetividade que ele pos a perder. Independente se a esposa aceitasse seu retorno ou não, a sua justiça é saciada pela compreensão de que sua perda afetiva não decorreu de um erro próprio, mas alheio. No entanto, quando a esposa resolveu o problema de sua vingança através da divisão dos bens, pode ter dado o material necessário para que o algoz nunca venha a reconhecer o valor de sua antiga relação. Podendo ainda, encontrar mais razões para racionalizar sua ação anterior. E a justiça nunca se fará real neste caso.

4 - Faz mal ao vingador.

É obvio que uma operação vingativa estressa tanto quanto realiza. A saúde sente tanto que existe uma antigo ditado que diz que o “ódio e um veneno que você bebe esperando que o outro morra”.

Outro fator importante é a inferiorização da vítima. Ora, se um idiota te agride, e você revida, você está agindo motivado pelas ações de um idiota, o que te faz um... idiota. Se eu me comporto de acordo com as ações de outro, estou dominado por ele. Em outras palavras, o vingador é dominado pelo algoz que dita suas ações. Podendo se tornar, inconscientemente, o perpetrador de suas emoções e decisões.

5 - Desequilibra o atuante.

Maturidade é a capacidade de lidar com perdas e ganhos. Se um rio recebe mais água que elimina, vai transbordar, isso é desequilíbrio. Se perde mais água do que recebe, seca, isso também é desequilíbrio. A consciência equilibrada entende que na vida há derrotas, perdas assim como ganhos e vitórias. Não se desesperar por uma perda, seja ela quão grande for, é uma atitude madura e equilibrada. Ter a consciência de que o mundo não acaba em uma perda é o essencial para se manter no jogo por muito tempo.

6 maneiras práticas de dominar o desejo de vingança:

1 - Entenda as 5 razões anteriores.
2 - Não deseje o mal, apenas a justiça, seja ela qual for, mesmo que diferente e independente do seu desejo.
3 - Lembre-se que toda justiça deve se aplicar em ambos os casos. Ou seja: coerência. Então aprenda você também a não se igualar ao seu algoz. Não espere de Deus uma justiça diferente para você e outra para o algoz.
4 - Seja paciente.
5 – Não perca seus pensamentos no assunto. Sem isto, será impossível superar a situação.

6 – Confie em Deus. Pra mim esse é o primeiro, mas para não gerar “pré-conceitos”, deixei aqui no fim da lista.

Por fim, esse não é nenhum "Guia Definitivo", nem falo com a autoridade de um terapeuta, falo apenas pela experiência própria. Para mim é menos complicado, resumo a questão em "deixar Deus ser Deus". É bem mais simples que tentar ser Deus no lugar dEle. Confio no verso 25 de Genesis 18: "Por acaso não fara justiça o Juiz de toda Terra"?

Mas pra você que não desiste dessa idéia de vingança, pense comigo... até hoje não conheci ninguém que tenha escrito um livro: "Me vinguei e mudei de vida" ou "Quem mexeu no meu queijo, morreu" ou quem sabe "O monstro e o Executivo". Já ví filmes e novelas fictícias contando belas histórias de vingança, mas quem que eu conheço que realmente se beneficiou com isso? Que história real demonstra o poder redentivo, restaurador e curativo da vingança? Talvez, no fim de tudo, a razão esteja com aquele velho ditado: "Vingança é um prato que se come frio". Afinal, o único objetivo de um prato frio, é saciar a fome.

Sexta-feira, Novembro 09, 2007

"Tiros na Finlândia" e o Poder das Idéias

Vídeo sobre o Assassino, o original foi tirado do ar.

Já está famoso na internet o vídeo de Pekka-Eric o mais novo assassino-suicida freqüentador de escolas de primeiro mundo. Em seu vídeo, publicado no You Tube ele diz: "sou um cínico existencialista, anti-humano-humanista, anti-social-darwinista e uma espécie de deus ateu"; "ódio, estou cheio dele e adoro-o"; "Sou a lei, o juiz e o executor, não há maior autoridade que eu".

Nessas horas me passa pela cabeça todos aqueles argumentos ateus contra o cristianismo medieval e suas, praticadas, loucuras anti-cristãs. Mas não vou me ater a isso, afinal, não é justo conceituar o ateísmo baseado nas ações de um ateu em particular, assim como conceituar o cristianismo baseado nos ensinos de um cristianismo em particular.

Mas o que eu gostaria de analisar aqui é o conteúdo da camiseta de Pekka-Eric. No vídeo ele aparece em uma foto, portando a arma e vestindo a camiseta que dizia “Humanity is Overrated” (algo como “A humanidade é supervalorizada”, ou “sobrevalorizada”). Com a intenção de demonstrar seu argumento Pekka-Eric, trata a humanidade segundo sua lógica (desvalorizando a vida, tanto a dele quanto a alheia). Os únicos afetados não são os mortos e feridos, mas sua própria família, amigos, amigos dos feridos e mortos, a Finlândia inteira, a Europa, a América e o mundo. Afinal, apesar de já estarmos nos acostumando com isso, nunca é natural e saudável receber esse tipo de informação não importa onde você viva.

“Humanity is Overrated” é um exemplo do que idéias são capazes. Uma idéia(ou melhor, duas, porque a idéia de "pandemônio escolar" não é nem nova, nem original) tirou a vida de 8 pessoas (felizmente, só não fez mais por falta de mira) e chamou a atenção do mundo todo. A sua idéia era clara e foi levada as últimas implicações.

Muitos questionam a influência da mídia sobre as pessoas, mas é muito evidente que as idéias carregadas por ela podem destruir ou construir. Não quero, nem de longe, por a culpa na Mídia pelo atentado, meu ponto aqui é demonstrar o poder e a eficácia de certas idéias em certos individuos. Mídia é meio, ela apenas carrega uma mensagem. A camiseta(meio) de Pekka-Eric carregava uma mensagem que fazia parte de sua cosmovisão e seu conteúdo foi um dos declarados (por ele) motivos de sua ação. Portanto pergunto: Quem deve ser o responsável pela mensagem? Quem assiste ou quem transmite?

Me parece que a lógica básica do “maior cuida do menor” que encontramos na vida (pai e filho, professor e aluno e nas leis de trânsito) deveria se repetir aqui. A mídia está cada vez mais especializada enquanto a audiência não evolui na mesma velocidade educacional. Em outras palavras, imputar à audiência a responsabilidade sob a mensagem é o mesmo que dar a camiseta para Pekka-Eric.

Alguns podem chamar isso de utopia, eu chamo de conscientização. Mas enquanto isso não acontece cuide, você, com as idéias a que se expõe.

Quarta-feira, Outubro 31, 2007

Dexter – Sintoma de uma Sociedade Doente

Atualizado em: 12/12/2007.
CUIDADO: SPOILERS!
Há pouco mais de um ano estreou na TV americana, pelo canal Showtime, o seriado Dexter. A idéia é no mínimo criativa e isso atraí a atenção e curiosidade de muita gente, principalmente aqueles já influenciados pela nova onda de seriados que surpreenderam o público por sua originalidade como Lost, 24 horas e Desperate Housewives.

Dexter, é um seriado para quem não tem estomago. Pra falar a verdade, é preciso não ter mais algumas outras coisas também... Eu sei que vou revoltar alguns fãs (talvez vão querer me esquartejar), mas é só por que são fãs que se sentirão assim. Já compraram a sandice como entretenimento. Preciso confessar aqui, para que fique claro aos leitores, que me entreti muito com a série também. Não foi atoa que assisti até boa parte da segunda temporada. Entretanto, basta uma breve analise nos argumentos e não se poderá escapar da sensação de vômito (perdoem minha falta de eufemismo). Dexter é um entretenimento irresponsável.

Imagine um menino adotado que se descobre um psicopata ao desmembrar animaizinhos. Seu pai, um policial de Miami, percebe e começa ajudar seu filho a lidar com o problema. Ele começa ensinando o menino a se portar e se encaixar na sociedade, dando a ele um conjunto de valores e códigos que ele segue por puro condicionamento. Como psicopatas não sentem emoções, é uma tarefa difícil para ele se adaptar. O pai logo descobre que não poderá conter os instintos de seu filho por muito tempo e decide ajudá-lo a canalizar esses impulsos. Ensina o seu filho a matar e não deixar rastros. E matar somente aqueles que “merecem”, ou seja, assassinos, psicopatas e serial killers, como ele mesmo. Só não é mais fascinante porque é sórdido. Dexter, trabalha na policia fazendo a analise de sangue das cenas do crime. Mas ele mesmo é um assassino que deveria ser preso e quem sabe até executado, pelas leis americanas. Ele espreita suas vítimas, sempre com o argumento absurdo de ter uma boa razão para isso, afinal de contas ele só mata parias da sociedade. Ele prepara a cena do crime, as amarra sem roupas com uma fita adesiva transparente, faz seu pequeno show, dando argumentos para a vítima e pro expectador, escolhe a arma (sempre objetos de corte ou perfuração) e inicia o que ele mesmo chama de “ritual”, executando com sadismo as vítimas. Que sempre saem de cena dentro de vários sacos. Dito isto, considere, esse cara é o herói da trama!

Alguns dos detalhes abomináveis que gostaria de ressaltar: A sua primeira vítima foi a mando de seu pai que estava hospitalizado e dizia que sua enfermeira o estava drogando até a morte. Boa desculpa, não? Não! Bem, ele pega a velhinha, coloca pelada na mesa ritual, faz ela implorar pela vida e depois enfia-lhe uma faca até que o sangue jorre em sua roupa. Outra cena interessante é quando ele vai matar um rapaz, que ele pensava ser um serial killer, que por sorte no último segundo, explica que havia sido traumatizado por um estuprador na infância e por isso o matou a facadas. Ele estava para fazer “justiça”, mas parece que não era bem justiça assim. E se o menino não tivesse tempo de avisar? Teria sido esquartejado. Detalhe, o rapaz já tinha passado alguns anos na cadeia, pagando pelo que fez. A última cena que me impressionou foi a de um casal de “coiotes”, que matavam os cubanos que não pagavam a taxa de libertação ao chegar nos EUA. Ele matou os dois juntos, um assistindo a morte do outro, ao som de gritos de “eu te amo”, o que é extremamente cruel, sem a menor cerimônia. Só pra você não esquecer, esse cara é o Herói!

Como se não bastasse, o pai de Dexter o ensina a ser furtivo com a desculpa de ensiná-lo a sobreviver a cadeira elétrica. Em suma, o código de valores do pai diz que se seu filho for um monstro, ainda que mate muitas pessoas tem de sobreviver. Ele irresponsavelmente cria um monstro e o solta na sociedade. Dexter por sua vez diz não poder controlar sua necessidade de matar, isso é uma desculpa pra seus impulsos. Também agradece a um psiquiatra que o tratou, por tê-lo ajudado a aceitar quem ele realmente é, o esquartejando em seguida. Você acha que um psicopata deveria conformar-se com sua situação? Dexter também obstrui a justiça, cometendo crimes sérios dentro da corporação policial, como implantar evidências. E espera sinceramente que um Serial Killer continue solto a matar mais pessoas para continuar com seu mórbido fetiche competitivo. A glamourização é tão grande que a ultima morte que assisti, foi ao som de musica. Ocorre então a banalização da morte. A filósofa americana Sissela Bok, da Universidade de Harvard, nomeia essa circunstância de “fadiga da compaixão”, “um estado de espírito que torna possível testemunhar a brutalidade com distanciamento, sem envolvimento” (Super Interessante, 7 de Junho de 1999, p.p. 21).

Por fim, me pergunto, por que a sociedade americana se permite esse tipo de entretenimento? Por que num lugar onde pessoas pegam em armas e promovem o inferno, entretenimentos desse tipo são criados? Por que na terra dos serial killers esse tipo de entretenimento é impunemente promovido? O que garantirá que reprimidos psicopatas não saiam do armário, com boas desculpas para canalizar seus impulsos? Com tanta glamorização da sociopatia o que os impedirá? Talvez aquele que não soube do seu problema possa se reconhecer na tela, e em vez de buscar ajuda, tente se resolver como Dexter o faz. Sem ajuda profissional e cometendo crimes hediondos. Assim como pessoas normais são influenciadas pelo glamour da mídia, talvez, com quase certeza, psicopatas adormecidos não acionem algum botão que lhes destinará a reviver as “aventuras” de Dexter. Até porque, o personagem faz questão de ser desafiador e desafiar outros serial killers. É muito fácil se perguntar: “Quem será o melhor Serial Killer?” Pelo que aprendi do seriado, eles adoram competição. Numa competição de Serial Killers, quem você acha que vai sair perdendo? Engraçado, não fosse trágico e doentio. Eu já assisti mais do que deveria, pra mim chega!

Quarta-feira, Agosto 29, 2007

E se o homem pudesse criar vida?

Grande problema ele criaria. Eu estava lendo um tópico em outro blog (http://1001gatos.org/uma-definicao-definitiva-de-vida/) sobre o sonho da Ciência de criar vida em laboratório. De fato, o sonho é bem mais incrível. Queremos criar vida de matéria inorgânica. Isso seria impressionante, mas seria possível? Parece que encontramos no silício o melhor substituto para a matéria orgânica, composta de carbono, para a criação da vida.

Ok, legal, mas quais são os efeitos de um feito destes? Eu não quero falar sobre o processo de clonagem aqui, mas essa foi a primeira barreira que tentamos cruzar. Alguns cientistas gostam da idéia, outros odeiam. E isso nos traz um ponto de vista bem interessante sobre o assunto. Siga-me. Francis S. Collins, Diretor do projeto Genoma, disse em uma entrevista a revista VEJA esse ano que não via na clonagem nenhuma soma positiva e que no fim só nos odiaríamos mais e nos sentiríamos mais sujos e culpados por a termos feito. Eu tenho que concordar com ele. As questões éticas que podem se levantar desse caso estão além da nossa capacidade de lidar com elas. Todo o mundo seria abalado por isso. A própria essência de nossa existência seria posta em uma séria discussão.

Então, e quanto a criação de vida? Eu acho que você já entendeu o quadro. As questões éticas concernentes a criação de vida são ainda mais profundas que as da clonagem. Imagine as questões mais superficiais que surgiriam: O que esse ser será? Qual o significado de sua existência? O que deveríamos ser para ele, Mestres, deuses, país, irmãos? Se são nossa criação, são nossa responsabilidade, deveríamos então garantir sua existência? Ele seria livre? E a lista é infinita.

Se a última pergunta foi respondida positivamente, então isso indica que nossa criação pode nos dar as costas! Significa que teria o direito de lutar contra nós, odiar-nos, culpar-nos, fazer exatamente o que fazemos com Deus. Se você não crê em Deus, é exatamente esse direito de livre-arbítrio que seria garantido a nossa criação. Eu sei que estamos falando sobre uma forma de vida inteligente, e eu sei que não começaria assim, mas com certeza esse é o fim desejado. Embora possa ser apenas como um animal no começo, mesmo assim, não importa que forma de vida possuísse, levantaria questões éticas além do conhecimento sobre nossa própria existência. Ao menos o que cientificamente sabemos sobre nossa existência, origem e razões de existir.

Não parece óbvio que com todas essas questões éticas, e necessidade de conhecimento, a ciência e a religião deveriam deixar seus preconceitos para trás e iniciar uma busca das respostas necessárias? Religião não tenta mais negar a ciência, isso foi no período Medieval. O que temos hoje são maus religiosos e má ciência. De ambos os lados há dogmatismo e preconceito. Um lado só vê os podres do outro, mas a sociedade continua sem as respostas. A ciência tem ido muito longe ignorando o poder e a legitimidade da religião, mas cedo ou tarde ela terá de encara-lá novamente. Não importa quão avançada ela esteja. E se a religião tiver a resposta? Eu não estou falando de um sistema religioso, mas do conteúdo de uma religião. Não acha intransigente negar essa possibilidade? No entanto, o contrário também se aplica.

Maus cristãos são como maus cientistas. Humanos são imperfeitos em todo lugar. Até Richard Dawkins é antipático, arrogante e dogmático, igual a George W. Bush. Mas esse é outro tópico.