Na revista VEJA dessa semana saiu o seguinte comentário de um leitor "sou uma pessoa sensível... mas acho que ninguém ama ninguém". Ouvi um homem experiente e maduro me dizer: "Eu tenho que pensar que meu próximo relacionamento vai dura uns 10 anos no máximo". Que mundo triste. Onde pessoas não se unem, não se acompanham, não se amam mais. Taxas astrônomicas de divórcios e separações ululam diante de nossos olhos. Quem tem esperança num mundo desses? Onde vai parar a próxima geração? Sexualmente iniciados em média aos 15 anos, sem comprometimento pessoal nenhum com os outros exceto consigo mesmos, vide o método moderno de relacionamento: "ficar". Usa-se uma pessoa por um tempo. Tudo está acima de pessoas, metas, trabalho, carreira, sucesso, prestigio, reconhecimento, divertimento, bens materiais e etc... Pomos os nossos sonhos acima de todos, como se nosso objetivo de ser feliz e realizados tivesse autonomia da ética ou do divino de passar por cima de outros. Estou falando dos sentimentos alheios, do respeito, do carinho com o próximo.

Jesus disse a frase acima (E, por
se multiplicar a iniqüidade, o
amor se esfriará de quase todos). A palavra Iniquidade, vem do grego
anomia. Nomos, significa Lei, acrescenta-se o "
a" no começo da palavra, e ela se refere a ausência (como no português: moral + "a" = amoral. Ou seja, sem moral ou Apolitico, sem política). Ou seja iniquidade é o mesmo que sem lei. Que Lei? A Lei de Deus ora, resumida pelo próprio Cristo: "
Amarás ao Senhor teu Deus de todo o
teu coração, de toda a tua alma, de todo o
teu entendimento e de todas as tuas forças... e ao teu próximo, como a tí mesmo" (Marcos 12:30 e 31). E não se enganem, o trecho que diz "como a ti mesmo" não quer dizer que primeiro vc deve se amar e depois aos outros, pq na ordem do texto está expressa a ordem Deus, Próximo, você. Jesus queria dizer: "Tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós." (Mateus 7:12).
Jesus sabia que "quase todos" deixariam de amar. "Quase todos" quer dizer muito próximo da totalidade. Se uma familia tem 10 mebros, e quase todos vão a festa, uns 3 no máximo ficaram de fora. Se quase todos os alunos de uma sala de aula (40 alunos) tiram uma boa nota, uns poucos (7 + ou -) tiraram nota baixa. Em suma, um número muito pequeno de pessoas realmente se interessa pelo amor. Que mundo chato. Nojento. Vazio. Em colapso.

Chego a sentir que nossa solidariedade está massificada. Temos dó dos países em guerra, dos mortos de fome da África, da desigualdade social e dos casos de violência, mas não temos compaixão daqueles que nos são "próximos". Somos cheios de idéias e atitudes positivas para mudar o mundo e os seus cenários mais caóticos, mas ao ver um mendigo pedir esmola no semáforo (próximo até demais) nos recusamos, ou ajudamos porcamente. Quando um marido chega cansado do trabalho e é destratado por sua falta de energia para dar atenção a sua esposa. Ou a esposa que se empenha tanto em fazer o seu melhor e não recebe um minimo de reconhecimento. Filhos que querem mudar o mundo, mas não se importam com seu quarto ou os principios de seus pais. Adolescentes que não se importam em destratar colegas, humilha-los em publico, menosprezá-los. Jovens que só estão pensando em conseguir o que querem, usando-se uns aos outros e enterrando suas vidas irresponsavelmente, tornando se solitários. Estamos nos esquecendo da velha máxima: "Nenhum homem é uma ilha", e o meu medo é de percebermos isso tarde demais. Quando já formos todos "idiotas".
Idiota, etimologicamente, é aquele que vive num mundo próprio, ensimesmado – “idios”, pessoal, próprio, singular; “otes”, habitante. O “habitante de si mesmo”. O vocábulo é muito mais interessante e rico nessa acepção, do que nas suas derivações. Quem muito se fecha passa a ser difícil de ser compreendido - pelo Outro.Não o bastante, e o que dizer daqueles que vendo tudo isso e muito mais desistem da sua própria existência? Abrindo mão de tudo e todos para "descansarem" de seus infortunios? Esses também contribuem para o mundo triste que temos.
Deus do céu! Você nem precisa crer em Deus para reparar nisso tudo. Mas dai que esperança você tem?
Como eu creio em Deus, a minha esperança está em outras palavras do próprio Jesus: "...virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também" (João 14:3). "E ouvi uma grande voz, vinda do trono, que dizia: Eis que o tabernáculo de Deus está com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas. (Apocalipse 21:3-4). Deus vai dar um jeito nesse mundo maldito. E algo me diz que os que deixarem o amor esfriar terão problemas... "Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai- vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos; porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; era forasteiro, e não me acolhestes; estava nu, e não me vestistes; enfermo, e na prisão, e não me visitastes. Então também estes perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou forasteiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos? Ao que lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixaste de fazer a um destes mais pequeninos, deixastes de o fazer a mim" (Mateus 25:42-45). Para realizar estas coisas, é preciso amar. Nesse mundo novo e perfeito Deus não pretende prosseguir com o ciclo criminoso e destrutivo em que nós nos encontramos. Mas como é um Deus de liberdade, pretende conduzir o novo mundo, também em liberdade. Portanto, é coerente que aqueles que em liberdade, decidiram neste mundo mal, amar, serão convidados a participar do novo mundo, continuando a amar em liberdade. Coerente. E urgente! Porque eu não aguento mais esse mundo! E você?
"Aquele que não ama, não conhece a Deus, pois Deus é amor" (I João 4:8).